Facada no FIQ-BH 2005 (1ª parte)

por André Rafaini Lopes

MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
QUADRINHOS VICIAM E PROVOCAM ISOLAMENTO

Regozijo-me por ter ido ao Festival Internacional dos Quadrinhos (FIQ) que aconteceu entre os dias 05 e 09 de outubro em Belo Horizonte/MG. Tal como literatura, pela própria natureza do veículo, as HQs tendem a isolar leitores. A recepção da mensagem se dá de forma solitária, diferente da televisão e do cinema. É quase impossível ao quadrinhômano / quadrinhófilo reconhecer um par sem maiores demonstrações aparentes de seu gosto.

No FIQ, a tribo se reuniu. Uma contra-diáspora.O movimento de migração não foi tão grande quanto o necessário para solidificar o evento no cronograma de festividades culturais da nação. Até mesmo por que esse ano o FIQ quase não saiu e a realização de afogadilho causou uma das maiores baixas do encontro: o desenhista Eddie Campbell (Do Inferno, escrito por Alan Moore) não conseguiu data para viajar.

Era comum olhar para o lado e ver desenhistas com blocos de sulfite ou meras agendinhas rabiscando rascunhos de imagens de seu entorno. A língua local também era praticamente uma. Mangá era mangá, e não “quadrinho japonês”. Os gêmeos Moon e Bá não precisavam recontar a trajetória do zine 10 Pãezinhos.

Defendo a postura de que os quadrinhófilos / quadinhômanos têm que se fazer notar. Custo a crer que somos tão poucos quanto nosso anonimato de solitárias espirais do silêncio (não) mostra. No FIQ, uma primeira prova de que estou no caminho certo.

UAAARRGH!

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