À beira bêbada do rio – Afogados

por Fernando “Rá” Vasconcelos*

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* Fernando “Rá” Vasconcelos é paraibano, médico, pirado, sem noção, que ainda vai morrer do coração. Mora em Recife.

Fantasia de Carnaval

por Fernando “Rá” Vasconcelos*

Fantasia de Carnaval
2006

Pitbull do Sexto Andar
2006

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* Fernando “Rá” Vasconcelos é paraibano, médico, pirado, sem noção, que ainda vai morrer do coração. Mora em Recife.

Damien Song (parte II)

por Fernando “Rá” Vasconcelos*

Uma vez corri pra uma festa numa cidadezinha da redondeza,quando vou saindo da cidade já aliviada por não ter visto ninguém conhecido, quem está dando a mão para mim, num destes postos de beira de estrada? Ele mesmo. O que fiz? Fiz que não vi. Resultado nem cheguei a atingir a estrada secundária que levaria a meu destino, andei cerca de uns três quilômetros e meio, quando ouvi um primeiro estrondo: POW! Pensei, eita mulesta, e agora? Tou sem estepe!…

Quando vou olhar, tem um estepe, “minha santa” tinha resolvido mais isso pra mim. Pensei rápido, elétrico que tava, coração na güela, era noite mais o calor do sertão queimou todinho em mim naquele dia. Nunca troquei um pneu tão rápido na minha vida e de meu Deus, pôxa cerca de cinco minutos e tava pronto, olhei o relógio: 23h50. Fiz meia volta e retornei sentido de casa. Quando estou atingindo as imediações de uma destas fábricas artesanais de cerâmica, relaxei porque dali sabia que só faltavam cerca de dois quilômetros de casa, mas de repente, escuto outro estrondo, novamente: POW! Desta vez, eu enlouqueci, gritei pra dentro: – Damien, filho de um pai corno! Damien, filho de uma mãe puta! Damien… Seu condenado, isso é praga tua mizéra! Parei, desci do carro, olhei e vi outro pneu estourado. Fiquei transtornado, com aquilo, a coisa tomando conta de mim mesmo. Parei, tirei um cigarro do bolso e quando vou acendendo o cigarro, a claridade do fogo do isqueiro na estrada iluminou o caminho, pelo menos o meu campo de visão e entrei em pânico geral, quando vi uma silhueta humana apontando lá no horizonte do meu olhar. Liguei o carro e saí queimando de fogo a estrada até chegar na entrada da fábrica. Parei na entrada o vigilante veio, me identifiquei, ele disse que já tinha ouvido falar em mim, que era um prazer me conhecer e que eu desse as ordens. Disse pra mim mesmo: Êita porra! Fiquei totalmente tranqüilo, a partir dali, mas depois de agradecer a gentileza, perguntei-lhe apenas se podia dar um telefonema pra casa. Ele disse que a casa era minha, liguei pra casa e o telefone só chamava. Uma, duas… dez vezes, fui ficando louco outra vez, e me lembrei que a merda do telefone fazia dois dias, que estava com um problema, de chamar, mas ninguém ouvir a campainha. Deduzi que logo após me salvar, minha santa (Que tá ali gritando com os anjos!) foi dormir. Conversei algumas banalidades com o senhor da fábrica, alheio, vagamente concentrado no que o mesmo falava e maquinando qual seria minha saída. Nesta época não tínhamos celular, como morávamos naquele lugar pequeno, achávamos que não precisaríamos. Pois é precisei e não tinha, entrou nos planos imediatamente. Pensei cinco minutos, olhei pro relógio: 00h20. Me despedi do homem, que relutou pra que eu ficasse, mas eu, Damien que era, me danei no mundo.

A estrada era um breu só e não se via uma alma, nem eu me esforcei para isso, até para não tornar meu intento mais mal-assombrado do que já estava. Acendi o cigarro, santo anjo e minha mãezinha na cabeça (não me importo de ser esse regredido, essa anti-sublimação!) e pé no mundo, havia até me esquecido de umas coisas que vi. Andava contando os passos, no sertão sem fim, nada era referência, apenas a caatinga e a estrada, ou mais uma ou outra casinha distante umas léguas umas das outras, onde só se avistavam as luzezinhas ao longe, e o preto do infinito, o coaxar dos sapos e as cantigas dos grilos. Os passos não atingiam números muito altos, pois andando, pensando e falando sozinho, eu me perdia nas contas e além do mais todo de preto, um casaco preto e uma cara bem carregadinha, e não era pra menos, não parava carro nenhum para dar carona claro. Doido só eu!

Olhando pro chão para não está referenciando, árvores perdidas ou postes de energia elétrica, fui surpreendido por um barulho de passos, vou erguendo a cabeça e olhando, quando vejo que é uma pessoa, fico totalmente absorto, a silhueta vinha em alta velocidade caminhante na minha direção, aliás, só tinha aquela direção e a oposta, pois é sempre isso. Continuei andando,quando vou conseguindo visualizar melhor,a figura já estava muito perto, porque estava nublado, perigando chover, que era só o que me faltava para melhorar mais ainda essa moda, e o campo de visão era mais estreito ainda. Parou me olhou nos olhos, e me pediu um cigarro. Disse comigo mesmo, putz grila, don’t “believo” nisso! Tirei o cigarro do bolso e fui logo perguntando: – Ôxente, Damien, tu ia pra onde? E ele: – Sei lá? Tava só andando! E tu, o que é que tu faz a essa hora por aqui e a pé, porque eu jurava que tinha te visto passar de carro? Pensei que filho da mãe de cego pra ver bem que só a porra, e disse: – Pois é, estourou dois pneus do meu carro e eu tive que deixá-lo lá na cerâmica. Ele foi dizendo que era muito azar meu, me contou umas três histórias apavorantes sobre aquele pedaço de estrada, mas que ia me ajudar. Conversei com ele um pouco, ele parecia elétrico também, e me disse: – Olha tu anda muito devagar, e eu muito depressa, assim eu não vou ficar o tempo todo parando e te esperando, não. Vou na frente e peço a um taxista daqueles do posto para vir te pegar. Gostei da idéia, além do mais não ia ter saco de ouvir Damien conversando certas filosofias cabulosas, estando ali e tentando chegar em casa. Tive o disparate de pensar, assim, naquela circunstância, mas eu ia fazer o quê? Deixei ele ir na frente e fui diminuindo o passo, porque já tinha andado pra jumento nenhum botar defeito e porque jurava que logo mais o táxi apontaria na pista. Como eu disse Damien, andava pra caralho e rápido, num piscar de olhos ele desapareceu no negro da noite. Ledo engano, a coisa foi demorando muito, meu relógio já marcava uma e meia da madruga e eu voltei a ter esperança de novo somente nas minhas cambitas finas. Apressei o passo, meia hora depois, totalmente exausto, suando muito, com aquele frio do suor me queimando do gelo do vento, fui vendo o posto, na beira da estrada, batia os dentes e caía uma garoazinha bem fininha daquelas que bate e espeta. Pensei, pronto chegou quem eu mais temia. E apressando o passo, uma vez que o que eu mais queria era chegar na santa casa. Quando ia passando na rua em que entro para ir rumo ao meu destino, vejo Damien de novo. Ele vem em minha direção e diz: – Oxente, vem de onde? E eu: “Vai te lascar cara!”, porque tu não fizesse o que dissesse que ia fazer? E ele: – E eu te vi, aonde? Eu já tava irado, peguei ele pelo gogó e disse: – Tu num ta brincando comigo não, né? E ele: Não me lembro de ter lhe visto! E eu: -Damien, você não disse que vinha chamar um táxi? Ele disse algo e foi puxando a roupa, que rasgou, agora com água naqueles olhos redondos e assustados de criança amedrontado. Aí eu soltei, e ele saiu chorando e gritando: – Eu sou cego, eu não vi ninguém! Novamente me coloquei no caminho de casa, quando vou chegando na rua dos pioneiros, coloco a mão no bolso para puxar um branco e dar umas baforadas finais, para pensar no que dizer e o que fazer no outro dia, só que não tinha mais nenhum e aquela hora tudo estava fechado, não havia como comprar. Entrei em silêncio, para não acordar ninguém, quando vou passando da sala pro quarto, tropeço num colchão que está ali no meio do caminho, agora dentro de casa. A Santa se levanta com os olhos nas mãos e diz: – Ôxente, tá cego meu filhinho? E eu imaginando um sacrilégio ali mesmo, depois de tudo aquilo, digo: – Minha Santa Idolatrada, não me faça caridades e nem me fale, pelo amor de Deus, em cego e nem em cegueira nenhuma por um bom tempo! Caí na cama, exausto, fiquei cego de tanta loucura, mudo de tanto cansaço e surdo de fome. No outro dia acordei meio ruim da visão! Passei um tempão sem ver ou ouvir, Damien!

O Viés da Contradição
por Rá

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* Fernando “Rá” Vasconcelos é paraibano, médico, pirado, sem noção, que ainda vai morrer do coração. Mora em Recife.

Damien Song (parte I)

por Fernando “Rá” Vasconcelos*

Poderia iniciar essa história falando de como a vida é cruel e de como o sistema provê o inferno de boas almas que desandam no espaço sem fim, até o desabar certeiro final rumo ao abismo insolucionável a sete palmos da terra. Ou poderia discorrer sobre mais um caso clínico, iniciar descrevendo de forma técnica e concisa como era o tipo físico e o perfil psíquico, porque Damien não era uma doença ou mais uma aberração da natureza perfeita e sim uma pessoa que insistia em ter opinião própria. Só sei que ele, desde que nos conhecera, não nos esquecera, ia todos os dias em nossa casa e por vezes tivemos que ser grosseiros. Além do mais Damien fumava, e o que é pior de tudo, do meu cigarro, e pedia café e comida o tempo inteiro, aliás ia nas panelas ver o que tinha e abria a geladeira, o que só fez uma vez, porque eu vi e dei-lhe uma comida de rabo do tamanho do mundo, que em outras circunstâncias ele adoraria, porém Damien era um menino desses excluídos e sua mãe, uma mulher muito conversadeira, metida a sabida, porém muito conversadeira e dominadora, apesar de aparentar aquela humildade sorrateira, que pessoas de cor que não se tocam de que cores não importam da forma que se pensa por aí e além do mais se esquecem ou desconhecem que dependem totalmente da luz. Porque eu, se tiver no escuro desapareço, e se a luz for muito intensa, fico mais amarelado que o sol, logo essa pseudo-humildade, que mais se parece com a capacidade mutante de escapar escorregando, nunca me enganara. Apanhara tanto do padastro, pai dos outros três irmãos, que adquirira uma rara alteração na conformação da córnea, aliás ele e a mãe sempre atribuíam o problema ao monstro do padastro, como quem transfere toda a responsabilidade do dolo ao agressor, justificando daí toda a sorte de desventuras que o destino lhe traria. Aquela senhora não dissera àquele menino os reais motivos daquela agressividade do seu padastro, mas Damien sabia porque ele vira e ouvira certas coisas que não se devem ver ou ouvir, mas traumatizado e excitado que ficou com a cena, guardou aquilo. Sua mãe sempre que queria que o filho fosse mendigar na rua por um pedaço de pão ou um parceiro para ela, era uma doçura, porém quando estava naqueles tempos que precedem a descida do fluxo ou quando estava bicada, sim bicada, e é porque se dizia crente e tementíssima ao Senhor de Todos os Senhores, ficava uma vaca de safadeza e maltratava o “coitadinho do ceguinho” como era hábito chamar-lhe todas as vezes que queria sangrar um pouquinho o coração de Damien, e muitas vezes ele saiu correndo para escapar da luxúria daquela mulher que era mais uma dessas que transformam-se em monstras para poderem suportar o resto de suas vidas.Esse tipo de gente sabe que vai direto pedir a benção do cão quando morrer, mas enquanto não morrem…

Damien foi percebendo que tinha uma dificuldade visual, caía muito, batia nas coisas e nas pessoas, era um completo pateta (Stooge) e além do mais com o tempo e com a fama já conseguia fazer uma graninha na feira e na igreja. A casa em que viviam tinha dois vãos pequenos, o primeiro era dividido ao meio por um guarda-roupa aos pedaços, das costas do guarda-roupa para a parede ficava um espaço que servia de corredor de entrada, onde duas poltronas também aos pedaços, ficavam. A irmã criava um rato,nada mais asqueroso que criar um rato, mesmo de laboratório, e ele odiava isso. Como sua mãe não se importava e dizia sempre que se a menina adoecesse, Deus cuidaria, uma vez mais tirando o corpo da responsa de fora e delegando ao Criador os poderes que lhes são pertinentes, jogando nas mãos do Cansado Senhor das Criaturas a batata quente de volta, e daí o resultado que for conformará a todos, afinal assim foi o que Deus quis. Damien sangrava e muito, via aquilo no seu olhar, e muitas vezes fui eu quem lhe fiz jorrar sangue. Mas ele parecia já ter se acostumado a ver seus pedaços pelo meio do caminho por onde andava, Damien andava pra caralho.

O Calibre do Maquinário Hidráulico Novo
por Rá

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* Fernando “Rá” Vasconcelos é paraibano, médico, pirado, sem noção, que ainda vai morrer do coração. Mora em Recife.

No banheiro do necrotério I

por Fernando “Rá” Vasconcelos*

Ah! Castanhas do Pará açucaradas são uma beleza! São arredondadas, com a pele áspera do doce e crocantes como amendoim. Mas além do sabor adocicado do açúcar, têm o sabor da sua carne e que sabor meu sinhô! Às três da manhã, elas apuram o gosto, ficam vistosas, exalam cheiro e tremem só em pensar no canino que virá lhe cortar em pedaços. Primeiro, após lhes tirar as vestes de alumínio que devem ser retiradas vagarosamente, pede-se sugá-las durante algum tempo e depois fincar-lhes os dentes, claro, carinhosamente. Há um momento em que após a pele ficar totalmente arrepiada, fica a alma em seguida eriçada, procurando se esconder confusa em pensamentos vãos.

Não são almas más que habitam o banheiro do necrotério, ou então elas gostam do cheiro e do gosto daquele fruto, pois permitem sentir prazer e querência sem interferências fantasmagóricas. É muita coragem sorvê-las naquele espaço tão maculado pela violência da morte violenta. Será possível que terei que enfrentar a maldição desta terrível forma de morrer, o coração na mão de um fantasma sofrido da morte horrível. Não! Vixe! Figuinha meu brother! Omolú e Oxumaré que me protejam! Amém!

Quem nunca cometeu um raio de loucura que me atire a primeira pedra, quem nunca imaginou um triz de insanidade que a segunda me atire e assim por diante, sabendo que o nível de satisfação do usuário é inversamente proporcional à satisfação dos gerais, dos morais e usuais. Não havia água, a não ser a do vaso, que não tinha descarga. Mas ali, curtindo um fruto do Pará, não precisaríamos de água, pelo menos até certo ponto. Depois pensaria na sede, nos azulejos brancos, e sabe-se lá naqueles barulhinhos curiosos ronronando ali no pé do morto, limpos havia já algum tempo, como se o pessoal dos serviços gerais congelasse a nuca de medo e assim, diminuindo a amplitude do movimento, limitavam o alcance da limpeza e tínhamos claramente que já fazia bastante tempo que não davam uma geral ali. Também quem era que ia comer umas deliciosas castanhas do Pará daquelas, à toa, por aí?

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* Fernando “Rá” Vasconcelos é paraibano, médico, pirado, sem noção, que ainda vai morrer do coração. Mora em Recife.

No banheiro do necrotério II

por Fernando “Rá” Vasconcelos*

Tinha que ser num lugar marcante, mesmo que funesto, o que valia era a claridade que refletia no papel metálico, e também nos branquileijos que davam um aspecto bastante claro ao local, e duas almas bastante limpas resplandecendo da alegria de se dar no eterno sempre agora mesmo. Nem que seja um naco da fruta, deve-se oferecer ao faminto para que depois não venha a própria fome lhe cobrar o naco negado. Assim como a água, não se deve negar calor. Não que se saia por aí como um cano de fonte dando água a quem tem sede e calor a quem tem frio, mas que pelo menos não torne-se gelo, não fale sobre ou desvie o sedento para outras fontes.

O canino claro era o monstro, que parecia um tanto desnorteado, ele ainda teimava em se aventurar. Porém se não houverem momentos em que os monstros se apoderem da coisa humana, a coisa humana fica essa negação moral, clerical, modal, fetal, mortal. Tais, totais e fatais, devem-se evitar também, porém “Castanhas do Pará” às 3 horas, aconselho. Aproveitar para sentir bem o gosto, mesmo que logo mais fique só o gosto da boca tão sugada, aí você começará a procurar outras fontes de mel, naquela angústia do tempo, do tempo tão pouco da safra, e acha na raiz o pote de mel. Descobri que após o mel, logo depois das entranhas, pode vir a omissão do mel doado. Tenho a impressão de já ter vivido isso antes. Déjà vu? Não, não, esse fruto do Litoral Norte não fazia parte das outras também tão saborosas dantes sorvidas.

Tenho medo da omissão, que nem sempre é um pecado, porém é sempre uma omissão. Sou mais adepto da mentira mesmo, uma vez que essa depende de quem foi receptor, a outra, como um silêncio, é o prólogo da mentira verdadeira. Quero saber de tudo, de onde vem para onde vai? Onde nasceu? Se o solo era fértil ou árido? Se foi difícil enfrentar a seca do semi-árido das terras anteriores? Se aridez se parece com umidade, de que vale a diferença? Portanto o fruto do Pará, que nem de lá é, mas de cá mesmo, depois de algum tempo começou a me trazer as apreensões da dúvida, do desespero, da solidão. E eu que pensava que aquela maturidade da casca também penetrava o íntimo do ser.

Sou um admirador de fruto bem maduro, onde desde o pericarpo mergulha-se num dulcíssimo carpo carnudo e delicioso. E mesmo que a omissão da casca adquirida, com a vivência, te devolva o silêncio de outrora, deves procurar o meio, o caroço, a verdade, a certeza. Detesto a vulnerabilidade do terreno movediço, e amo a dureza do solo batido, nesse pelo menos o fruto imaturo caído das alturas do céu, tem uma certeza de que do chão ele não passa. E no outro, não tarda e invariavelmente afundará.

– Hum! “Castanhas do Pará” às 3 horas da manhã, são deliciosas! – pensei cá comigo.

Saí dali tranqüilo na certeza de que o único ser que viu aquele sonho delicioso foi a curiosidade, que claro saiu correndo cheia de imaginação na cabeça e a barriga roncando de nunca ter tido coragem de comer aquelas castanhas deliciosas no banheiro mais próximo.

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* Fernando “Rá” Vasconcelos é paraibano, médico, pirado, sem noção, que ainda vai morrer do coração. Mora em Recife.