Larissa Star

por Túlio Flávio*

Ficha Técnica:
Zackarias Nepomuceno
Túlio Flávio – Voz e Guitarra
Ciba – Baixo
Jubaléo – Bateria
Direção: Sabrina Bitencourt e Igor Cabral
Atriz Convidada: Paula Sanmartín
Fotografia: Igor Cabral
Arte: Sabrina Bitencourt
Figurino: Camila Ferza e Fabíola Trinca
Still: Érica Rocha
Telas: Maria Lídia Magliani
Colaboração: Bruno Carneiro, Bruna Spaniol, Júlio Castro e Maurício Chiari

Rio de Janeiro – Brasil – 2008

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*Túlio Flávio é paraibano, músico, gosta de ouvir Zackarias Nepomuceno e A Mãe de Quem?. Mora no Rio de Janeiro.
http://www.zackarias.cjb.net

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Quero Sangrar em Cima de Você

por Túlio Flávio*


Música de Zackarias Nepomuceno

Direção: Marcelo Villanova
Realização: vaporfilmes

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*Túlio Flávio é paraibano, músico, gosta de ouvir Zackarias Nepomuceno e A Mãe de Quem?. Mora no Rio de Janeiro.

A viagem só de ida para Júpiter


Novo compacto do Júpiter Maçã

por Túlio Flávio*

Jamile reforçava de duas semanas pra cá que eu ia tomar conta dessa galera. Tu acha? Tomar conta fazendo o quê? Me perguntava, portanto, que diabos iria fazer: “Ei, não! Não ofereça pó pra ele não, porque ele tá nas últimas! nan nan nin nan nan, você não pode beber Flavinho!!!!” O que acontece na verdade é que os caras são muito diferentes do que imaginávamos. Ray-z tava me dizendo que em Aracajú o episódio ‘eles são os deuses das drogas’ já começou quando a produção de lá foi buscá-los na rodoviária. Foram dois caras embriagados de carro pegar a galera e foram em direção a uma casa – supostamente a casa em que eles iriam descansar em paz. Chegando lá tinha umas 20 pessoas: fãs, freaks, curiosos e um leque de drogas extremamente cavalar. E tudo o que eles queriam era um planeta vizinho, hostil e desabitado para um bom cochilo. Tocaram em Aracajú e se mandaram pra Salvador. A banda é muito tranqüila, já o Flávio é estranho pra porra, achei ele um pouquinho gay também. Os caras da banda dizem que em Porto Alegre todos têm esse jeitinho de ovelhinha afetada. É a velha richa da capital versus interior. O baixista e o baterista são do interior e têm uma banda alá cachorro grande que se chama ‘identidade’. Não gostei. Achei o vocal do cara fraco, embora seja gritado e nervoso. Nada demais.

Levamos a banda para almoçar numa churrascaria (sacanagem, né? mas acho que bateu saudade de uma boa maminha na estrada). Se eles fossem pra um restaurante de comida baiana mais nunca eles teriam cu, por isso a escolha. Blá, blá, blá, visita ao local do show, depois hotel. Quando uma banda daqui de Salvador começou a tocar fomos pegar a galera. Chegando lá desce Flávio e me pergunta se a gente tinha se conhecido em Aracajú. Disse a ele que nunca tinha visto ele mais gordo se não naquele mesmo dia e que compreendia o porquê da pergunta tratando-se de que depois de uma boa dormida o dia de hoje é sempre o dia seguinte. Fiz de conta que seqüela é uma coisa normal, mas o cara é esquisito mesmo.

Já Ray-z(guitarra) tocou no RPM, os ostras, e uma porrada de banda por aí… é o único paulista da banda. Tirei pouca onda dele por causa de Paulo Ricardo. E foi por causa do ego deste último que Ray resolveu se picar pra Porto Alegre. O porquê dessa intriga você descobre na revista contigo de maio de 2003.

O lugar do show aqui em Salvador tinha umas 150 pessoas, não era o esperado. Mas considerando que nesse dia teve Tom Zé por 5 contos, parada gay, e um monte de outros eventos, já considerei uma platéia bem representativa. Aliás, foi isso que Flavio me perguntou: “o público é interessante?”. Respondi que nunca tinha visto um público tão problemático, esquizofrênico e perturbado no mesmo evento em um ano que moro aqui. Ele sorriu com o canto da boca. Só. Quem mais sorria na banda e tinha uma carteirinha de jupiteriana era Talitha, a backing vocal. Ela só sorria. Não dizia uma palavra. Mas nem precisava porque ela era bastante expressiva e conseguia telepaticamente conquistar o seu território.

No show tinha uma menina com um vinil da “nega bombom” cantando as músicas da Júpiter Maçã e uma corja de bêbados levando seus drinks à boca do Flávio (ele não bebia, hu-hu!). Afe Maria, a galera não perdoa. O show deles foi foda, catártico, instigado. As músicas novas do disco que vai sair pelo selo espanhol ‘elefant’ também fizeram a cabeça da galera, numa mistura dessa cena hype com “sou doidão, mas topo tocar na rádio”. Dançante, rock e com uma característica ‘parei de beber’ em evidência.

Já eu não parei de dançar um segundo… e nem parei com o uísque. Acabou o show e levamos os meninos pra o mercado do peixe, um lugar fim de noite onde costumamos apreciar iguarias baianas como manissoba, pititinga, feijoada baiana e um tradicional arrumadinho, e não ‘enroladinho’ como Lucas (baixo) imaginava. Os caras sem dúvida têm um lugar garantido na música brasileira tanto pelos discos, pelo show visceral, quanto pela genialidade do vocalista Flávio Basso. Acho que agora elas não param. E se pararem já sabem o que foi que aconteceu, né?! Portanto vamos fazer dos 80 litros mensais antes consumidos pelo doutor Júpiter por 200 shows em todo o Brasil, porque todos nós precisamos ter essa experiência que transcende a música pela música, a freqüência pela freqüência, a diversão pela diversão. Somos os seres que povoam esse planeta esquizofreak e o Júpiter Maçã a melhor trilha sonora.

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*Túlio Flávio é paraibano, músico, gosta de ouvir Zackarias Nepomuceno e A Mãe de Quem?. Mora no Rio de Janeiro.

Plástica do caminho cool: para onde fica o lado?

por Túlio Flávio*

Cheguei à conclusão que os “cools” merecem morrer. Os que sobraram, claro. Essa herança coolística dos nossos membros originais de décadas, séculos atrás, – citarei apenas o menor dos seus problemas -, faz do mero produtor o ‘artista’ dos artistas. E o artista tendo um produtor assim evolui gradativamente para uma raça que nem os pokémons são capazes de alcançar. Como eu estava falando, os seres que já mudaram de plano conseguiram fincar profundamente um reinado árduo e espinhoso que não é pra todo mundo não. Se você pensa que o tridente ou a coroa foi deixado por aí pra quem quiser pegar, pra quem chegar primeiro, está profundamente enganado, principalmente se acha que atitude e “coolidez” é comprada em lojas de discos, livros, encontradas em jogos de xadrez, em bares exóticos… Se nunca pensou em ganhar um abacaxi num desses programas de tv perto da sua casa, nem ser chamado para um vernissage do alemão que foi abusado sexualmente quando criança e pinta pior do que o seu sobrinho de 4 anos de idade,- porém sabe investir em conceitos ultra cabeça -, nem passou um ano estudando em Paris e voltou achando que tem um pau estilo Torre Eiffel e anda falando carioca porque morou com um gaúcho… sem dúvida estarás num caminho de muita luz irmão, longe dos cools e da sua mediocridade pseudointelectual.

Imaginei nesse instante um amigo lendo isso aqui e querendo discutir sobre hermafroditas, androginia, suicídio coletivo, sexo a cavalos…Ah! Leia amigo cool, saboreie e odeie o seu amigo aqui, sem mas. Ta achando ruim?Ta a fim de ser cool? Então se mata e vai perguntar a Hendrix, Cobain, Wilde, Mozart – todos que semeiam aquela competição sem fim na prática pós-vida da coolidez permanente -, qual é o segredo da percepção extra-informal da dádiva cool dos seres de luz do universo. Mas pra saber a resposta sabe o que tem que fazer, né?

Se eu fosse listar as pessoas que se consideram do meio, e que ainda estão vivas… hum… Com certeza teria um problemão. Mas como amigo é pra essas coisas citarei apenas alguns nomes que eu conheço e que gostaria de vê-los embaixo da terra. Calma! não lhes desejo mal, muito pelo contrário, quero é encorajá-los ao encontro rumo a felicidade, ou acha que eles gostam de ser assim? Morrer não é tão ruim, não é Jason? Apesar de cools, também são seres humanos como quaisquer outros: Já jogaram vôlei em frente a sua casa, compraram o leite de manhã cedo, são adeptos das revistas pornôs, e na maioria das vezes se sentem os últimos dos seres. Mas quem não se sente? Bom, acho que os baianos do axé nunca se sentiram. Porque eles sofrem de auto-estima elevado, e por isso acham que são os donos da Bahia e da cultura afro-cult-iemanjá! É uma pena, mas não é um problema, como diria nosso amigo don Juan.

A minha lista dos que deveriam morrer este ano estão em 7 amigos. Mataria dois em São Paulo, um em Brasília, e um no Rio de Janeiro… Só em João Pessoa mataria uns 23. No entanto, não posso aniquilar uma porção tão grande de uma vez só, pois haveria um certo desequilíbrio para a formação da próxima geração. Deixarei em 3 nesta localidade, certo? Abaixo descreverei algumas características inspiradas em alguns seres desta facção que insistem em auto intitular-se os líderes dotados de atitude, bate-papos cabeções-mutante e muita, mas muita vontade de ser alguém importante:

Ser cool é:

… ir para uma festa e detestar quando são abordados por mais de duas pessoas ao mesmo tempo. Eles fingem odiar, mas por dentro estão se coçando para que todos, sem exceção, os vejam e notem sua presença.

… é ser muito discreto e sempre manter uma fala pausada e um tom aveludado de voz. Converse com alguns integrantes de bandas de Recife e note suas performances fora do tablado. Eles odeiam abordagens em tons altos de voz como: diga aí cara, tudo massa meu irmão? Anda fazendo o quê da vida? Isso é o fim. Muitas vezes costumam reagir virando-se lentamente e pedindo uma dose de vodka com suco de laranja com manga bem gelado.

… dizer que está ouvindo um grupo da Finlândia que bebe nas tradições arcaicas do experimentalismo neo-medieval das andorinhas anglicanas do início do século XVIII. O ser cool é muito competitivo. Por exemplo, jamais dirá que ouve um artista que está na boca das pessoas. Só eles conhecem tudo, e quanto mais conhecerem, mais seletos e ousados serão os papos.

… beber saquê com suco de pêssego e dizer que merece tudo do bom e do melhor, pois já viveram o suficiente. Apreciam cigarros fabricados por escravos tailandeses com menos de 9 anos de idade; muitas vezes fumam o famoso derby mesmo. Há essa coisa de ou oito ou oitenta.

… sair de casa apenas nos grandes eventos, pois não perderiam tempo com qualquer bobagem. Pois há muita literatura, discussões intelectuais na casa de amigos, pintura ou composições para serem estudadas, apreciadas, e trabalhadas na sua toca (sempre haverá qualquer coisa, ele sempre diz que está ocupado).

… ter muito orgulho de quem é ou do que já fez, seja ter participado de uma grande convenção internacional, resolvido uma grande equação matemática, ou ter lido embriagado um poeminha escrito no fim de uma noite de revolta e rancor. Qualquer status é digno de profundo orgulho e empinação,- narigásticamente falando, óbvio.

(No final, Zackarias, pra variar, perde completamente o rumo da prosa e dá uma de cigano Igor fingindo omitir os sentimentos mundanos de sua alma, mas não hesita em soluçar desespero e compaixão quando lembra do finado Mussum, e Tatu, da ilha da fantasia).

(o mata leão)

Eu já fui cool, confesso. Não quero mais. Segundo Buda, a causa de todo sofrimento está no desejo. E essa competição não está mais para mim assim como não está o devaneio e a sinceridade caótica de fazer o que nos foi resignado desde que nos entendemos por cria. Acredito que a próxima raça virá com toda. E não restará um cool sequer. Talvez seja saudável ler os livros de Paulo Coelho, Lair Ribeiro, Sidney Sheldon, fazer parte do todo e parar de consumir a literatura da instigação. Deixar um pouco Terence Mackena de lado.

Milhões e milhões de combustível são injetados em todo o planeta, porém canalizados por pessoas que sentem o medo e recuam logo ao sentir o primeiro gostinho. No dia que elas resolverem ir em frente, será tarde demais. Se o próximo passo é viver como os Morlocks (raça mutante que vive em baixo da terra), acho melhor desligar a luz do sol agora, porque se brilhar demais pode cegar. E cu de cego não tem dono: na plástica do caminho cool, tatu caminha dentro?

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*Túlio Flávio é paraibano, músico, gosta de ouvir Zackarias Nepomuceno e A Mãe de Quem?. Mora no Rio de Janeiro.

A ponta do durex

por Túlio Flávio*

Velho, puta que o pariu! Não foi menos de 37 minutos pra achar a porra da ponta do durex não. Raiva do caralho! E o pior é que só consegui tirar 4 centímetros de rolo e depois a porra voltou a se perder. Por que não fazem um durex de 30 reais? Eu compro. Faço um estoque em casa numa boa, contanto que ele seja bom pra mim, tudo pra não me encher de ódio e derrubar todos os meus conceitos vega-orientais que sofri tanto pra adquirir durante esses longos anos. Não me importo de repetir essa palavra tantas vezes porque é somente sobre isso que eu quero falar: durex, durex, durex…A ponta do durex? Ah, meu jovem, procure a cura da AIDS, descobrir sobre o porquê das mulheres ficarem tão estranhas-loucas-deprês quando estão perto de menstruar. E tem ainda o mal humor-porra-louquice depois que elas menstruam…Outro dia levei três pontos no dedo por causa de quem? Isso mesmo. Aquela porra que quando serve só gruda por dois dias e depois você tem que reforçar porque se não a tampa de plástico do biscoito volta ao estado de quebrado: xerud, xerud, xerud!

Que besteira essa a minha. É quase a mesma perda de tempo de antes, o mesmo ponto ao qual me referi: o quê, o tempo? O esforço inútil? O orgulho infernal brigando com o reality show que só Deus sabe o canal? Quanto tempo você já ficou sem fazer nada? Digo consciente de que não estava fazendo nada, sabendo exatamente o que estava fazendo, ou melhor, do que não estava fazendo? Mas se não fazer nada é fazer alguma coisa, porque alguma coisa acontece no meu coração… mesmo não acontecendo da maneira que…Deixe pra lá. Numa dessas de ficar sem fazer nada eu pensei em me matar. Ohhhhhhhhhhh! Que original! Que drama absurdo, que pena de você pobre criaturinha vítima dos monstros da sociedade imperialista e cristã; agora você me comoveu. Chovia… pensei em acabar com tudo e logo desisti. Quanto tempo levei pra ter essa brilhante idéia? Sei lá! Isso não importa. Quando a gente tá sem fazer nada a gente não conta, não força a barra tentando entender coisas… Agora quando a gente tá sem fazer nada e quer fazer um monte de coisa, parado e absorto em pensamentos mundanos, existenciais, românticos, acho melhor fazer outra coisa como, por exemplo achar a ponta do durex do próximo. A questão aqui é essa mesmo, é não fechar as questões. Porque eu estou tranqüilo quanto ao meu papel agora que é o de não fazer nada bem tranqüilo, perder todo o tempo que tiver para abobrinhar coisas e mais coisas da forma que eu bem entender. Respeite ok? “Eu não estou fazendo nada nem você também…”

Minha vontade agora é gozar esse jazz-cool-mega-in bem gostoso apreciando cada choque que percorre os músculos da minha panturrilha. Passou, ôxi! Foi só falar. Sinto muito, pessoas. Sinto mesmo por tudo. Se você não consegue não é culpa de ninguém. A culpa é só sua e admita isso, seja homem! Vá em frente! Go for it! Não tenha vergonha de menstruar não cara, seja chato e brinque de trocar apelidinhos infantis com o seu par, admita, você é careta, meu bem. Meu bem, sim, “eu tô pagando”. Um beijo e se achou muito difícil encontrar a ponta, faça como Michael Jackson fez naquele vídeo clip bem oitenta, vire uma fera.

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*Túlio Flávio é paraibano, músico, gosta de ouvir Zackarias Nepomuceno e A Mãe de Quem?. Mora no Rio de Janeiro.