Tânia solitária

por Biu*

Então só de raiva eu vou enfiar o dedo no cu e rasgar um talho até o bucho. Eu quero que minhas tripas caiam e se espalhem pelo chão misturadas às minhas fezes e que não reste nada de mim, eu quero que o que restar seja atirado aos porcos e os porcos mortos a pauladas e comidos malpassados por você, que curte tanto uma cabidela. Eu quero me acabar em você, conhecer você por dentro enquanto suas enziminhas fazem a festa em mim até eu ser só uma intoxicação, uma cisticercose de rolé me espalhando em oncosferas por tuas mucosas, que lindo… Nem praziquantel nem mebendazole, nem os antiepilépticos, porra nenhuma vai evitar que eu te impreguine, seu filho da puta. Você sabe que não e você sabe porquê. Eletroencefalografia, eletrofisiologia, tomografia axial computadorizada, uma dor de cabeça idiopática do caralho que vai te dar vontade de ficar batendo a cabeça contra a parede, uma que não te deixe dormir, uma que não te deixe pensar, uma que te deixe integralmente chapado de fenobarbital e num estado tão foda que tu pire, babe, estrebuche e mate por muito pouco.

Mas eu espero que te peguem antes, com a mão na guela de quem tu mais ame – mas tu não ama ninguém – então de quem mais te ame, porque eu quero que no fim não te reste outro cu que não o teu. Aí eu quero ver tu ser homem.

Coragem! Tuas unhas tão crescidinhas. Seria vergonhoso desistir agora que falta tão pouco…

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*Biu é paraibano, farmacêutico e faz quadrinhos.

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