A vida não me assusta: para espantar os medos desses tempos

por Roberta AR

O medo tem sido um tema constante nesses tempos. Medo das incertezas do futuro. Da violência contra mulheres, contra negros, homossexuais. Medo de líderes religiosos. Medo em toda a parte. Mas nada como a companhia de uma linda obra de arte para afastar um pouco os fantasmas. Junto com Maya Angelou e Basquiat, eu digo: A vida não me assusta.

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A vida não me assusta é um lindo livro infantil editado por Sara Jane Boyers, que uniu ao poema Life doesn’t frighten me, de Maya Angelou, imagens produzidas por Basquiat durante toda a sua carreira num belo trabalho de curadoria que resultou nessa edição poderosa, que pretende espantar os medos infantis das coisas mais assustadoras. Sombras, cães bravos, monstros, dinossauros, bruxas e até os bullys que puxam os cabelos crespos das meninas são os personagens que não assustam essa nossa criança narradora, que guarda os seus medos para os sonhos noturnos.

O livro chegou ao Brasil pela primeira vez nessa edição comemorativa de 25 anos da publicação, editado pela DarkSide Books no seu selo infantil Caveirinha.

Para entender a grandeza de uma publicação como essa, temos que falar sobre os dois artistas unidos nessa obra:

Maya Angelou Obit.

Maya Angelou (pseudônimo de Marguerite Ann Johnson) viveu de 1928 a 2014. Ativista dos direitos civis, junto a líderes negros como Malcom X e Martin Luther King (era amiga dos dois), ela foi muito atuante não só nos Estados Unidos, como também em diversos países da África, onde trabalhou como jornalista e professora, ajudando movimentos de independência pelo continente. Em sua longa carreira, foi poetisa, escritora, historiadora, entre outras coisas.

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Jean-Michel Basquiat viveu entre 1960 e 1988. Filho de uma porto-riquenha e pai haitiano, começou a ganhar notoriedade com seus grafites, que traziam a assinatura SAMO (same old shit ou “sempre a mesma merda”), trabalho que fazia com o amigo Al Diaz. Também era músico e tocou em diversas casas noturnas importantes de Nova Iorque com sua banda Gray, que lhe rendeu o personagem principal do filme Downtown 81. Após participar de uma exposição numa instituição chamada Colab, seu trabalho como artista plástico foi reconhecido e ele começou a integrar o movimento chamado neoexpressionista. Sua parceria mais conhecida foi com Andy Warhol, com uma extensa produção colaborativa entre os dois.

Para Sara Jane Boyers, “A vida não me assusta é sobre experiência de vida. É sobre perseverança e orgulho, sobre encontrar-se com a história da própria vida, sobre o bom e o mau e sobre utilizar tudo aquilo que que nos influencia e nos afeta – nossas famílias, nossa cultura, o dia a dia do nosso planeta – para nos apoiarmos e nos reinventarmos constantemente”.

 

 

A vida não me assusta
Maya Angelou 
DarkSide Books
R$ 49,90

O livro foi cortesia da editora.

(texto publicado originalmente no site MinasNerds)

Sirlene Barbosa, a primeira indicada ao Jabuti de HQ por Carolina

por Roberta AR 

O primeiro quadrinho da novela gráfica Carolina foi de um impacto imenso para mim. Lembrei imediatamente da chácara que ficava no fim da minha rua, em Parelheiros, que tinha aquela senhora gentil que fazia biscoitos para mim. Eu era muito pequena, possivelmente no mesmo ano que aparece registrado ali. Teria eu conhecido a Carolina?

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Primeiro quadrinho da novela gráfica Carolina

 

A história de Carolina Maria de Jesus, escritora do livro mais vendido em 1960 no Brasil e que foi publicado em dezenas de países, é que faz o roteiro desse quadrinho comovente de Sirlene Barbosa e João Pinheiro. Ela era conhecida como a escritora catadora de papel, que era a forma da elite cultural colocar seu trabalho em uma caixinha de menor valor na produção literária, mas seu trabalho era visceral, um olhar apurado da sordidez e das pequenas felicidades que se alternam na vida dos que estão na extrema pobreza.

Sirlene Barbosa reuniu um grande material de pesquisa sobre vida e obra de Carolina de Jesus, que receberam um roteiro lindamente desenhado por João Pinheiro. Não por acaso, o livro acaba de ser indicado ao Prêmio Jabuti na primeira edição em que se terá uma premiação específica para quadrinhos. Sirlene Barbosa é a primeira autora indicada na categoria, a única mulher nesta edição. Conversamos um pouco com ela sobre esse belo trabalho:

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Sirlene Barbosa

O que levou a escolha de Carolina Maria de Jesus como tema para este quadrinho?

Antes das respostas, quero deixar registrado meus agradecimentos pelo contato.

Bem, estou professora de língua portuguesa da Prefeitura de São Paulo. Por alguns anos, coordenei uma sala de leitura (projeto da Secretaria Municipal de Educação [SME] que, este ano, completa 45 anos e, por conta desse fato, haverá um Seminário para comemorar e refletir sobre este espaço. Eu fui convidada a participar de uma mesa para representar o corpo docente, no papel de escritora) e, principalmente no ano de 2014 (gestão Haddad), a SME tinha um núcleo para propor trabalhos referentes às questões étnico-raciais. Alguns dos membros da equipe fizeram algumas palestras sobre literatura negra, fazendo jus à lei 10.639/2003, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996), colocando como pauta obrigatória os estudos da literatura, história e cultura negras em todos os ambientes educacionais.

Carolina Maria de Jesus já era uma companheira de aulas, há alguns anos, mas ouvir pessoas falando de nomes que não aparecem como referências do cânone (Carolina, por exemplo), que deixam de ser objeto de estudo em livros e passam a ser protagonistas de suas obras me deslumbrou e me fez olhar, com outros olhos, o acervo da sala de leitura que coordenava – observei que diante de uma média de 30.000 livros, havia apenas uma prateleira de livros (algo em torno de 50) que estavam relacionados à literatura negra.

Em 2014, foi comemorado o centenário de Carolina Maria de Jesus e eu recebi, no início do ano, alguns livros para complementar o acervo da sala. Analisei a discrepância de duas caixas com livros de Ferreira Gullar, somando 40 volumes, e dois, sim, apenas dois Quarto de despejo: diário de uma favelada (o grande best-seller de Carolina).

Essas discrepâncias me levaram a refletir sobre a questão do currículo escolar: por que se lê, com muita frequência, pra não dizer sempre, o cânone literário, representado, em grande maioria, por homens e brancas e brancos e ignoram o que os excluídos desta mesma literatura têm a dizer?

Assim, propus uma enquete rápida com os professores orientadores de sala de leitura da Diretoria Regional Educação de Itaquera, onde constatei que de uma média de 40 docentes, apenas cinco conheciam Carolina e NENHUM/A havia lido sua obra em sala de aula.

Esses pontos me obrigaram a apresentar a vida e a importância de Carolina; o gênero textual que acreditei ser mais didático e interessante, principalmente, para as/os estudantes, foi a História em Quadrinhos (HQ). Como meu companheiro é quadrinista (João Pinheiro), resolvemos concretizar o trabalho. Faltava, no entanto, condições financeiras para se dedicar com exclusividade à empreitada. No final de 2014, fomos um dos ganhadores do prêmio ProAC, do governo do Estado de São Paulo, possibilitando, então, concretizar o livro.

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Trecho de Carolina

Mesmo depois de tanto tempo, ainda temos grandes figuras do meio literário tentando diminuir a importância da Carolina de Jesus para a literatura, como no episódio em que ela foi homenageada pela Academia de Letras do Rio. Literatura ainda é uma arte elitista?

Acredito que sim, mas, também, que representantes das literaturas periférica, negra e indígena estão abrindo estas portas, mesmo que a “pontapés”.

Um exemplo importante: em 2014, apareceu um projeto na SME chamado de Leituraço, em que se propunha a leitura de livros que tentavam validar as leis 10.639/2003 e 11.645/2008 (propõe os estudos da história, arte e literatura indígenas). Todas as salas de leitura do município paulista receberam livros com estas temáticas, além de literaturas que abordam a vida na periferia, bem como da América Latina e de alguns países do continente africano – projeto belíssimo, por sinal, muito bem executado, pelo menos, até o final de 2016.

Dessa forma, foi possível apresentar aXs estudantes outras/os autoras/es, narrativas, protagonistas – foi uma tentativa de descolonizar o currículo da rede municipal paulista. Currículo que aborda com muita ênfase nomes e fatos do continente europeu e menospreza nossa realidade. Dizendo isso não significa que se deixará de ensinar o que a Europa e/ou os EUA têm de importante, no contexto histórico mundial e nas suas literaturas etc. Não! Descolonizar para ensinar que não existe apenas a estética europeia como padrão de beleza, nem seus ambientes gelados como cenários da narrativa, mas dizer que negras/os (por conta de um recorte de pesquisa, pois não podemos nos esquecer da importância dos primeiros moradores do que, hoje, chamamos Brasil – OS INDÍGENAS – e que tiveram suas terras INVADIDAS e não ocupadas, foram assassinados,

estupradas/os, enfim, destroçadas/os) também podem ser princesas, que não foram/são preguiçosos, que foram/são protagonistas de suas próprias narrativas, inventores importantes, por fim, mas não somente, SÃO ESCRITORAS/ES – sim, a literatura também é nossa!

Quarto de Despejo vendeu mais que Jorge Amado e Clarice Lispector no ano de seu lançamento e fala da realidade dos excluídos, um tema que tem paralelo em autores como Graciliano Ramos. O que teria levado seu trabalho a não estar presente nos currículos escolares e só recentemente foi pedido em algumas provas de vestibular e virou tema de Enem?

A tentativa de esconder a grandiosidade de negras/os, de mantê-las/os no poço literário.

Você é a primeira mulher indicada ao prêmio de quadrinhos do Jabuti, e única. O espaço das publicações sempre foi um território difícil. Qual o paralelo que você faria entre o cenário vivido por Carolina de Jesus e o que vivemos hoje?

O paralelo que faço é que ainda há muito a caminhar, pois não posso ignorar o fato de que sou a única mulher e NEGRA a ser indicada, mas tenho um homem do meu lado.

Carolina tentava publicar já há alguns anos, bem antes da chegada do jornalista do que hoje conhecemos como Folha de S.Paulo, Audálio Dantas, em maio de 1958, mas só o fez, em 1960, tendo homens como seus editores.

Finalizo afirmando que há muito a se fazer, principalmente para nós mulheres, negras, indígenas, brancas, trans e periféricas, e que, é de suma importância, estarmos na ponta para abrirmos as portas para outras irmãs e isso não significa dizer que pretendemos derrubar os homens, mas que a luta não termina enquanto os direitos por igualdade, em todos os âmbitos, não forem alcançados por nós, mulheres.

É isso e tudo isso!

Um grande abraço a todas as manas e aos manos!

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Capa do quadrinho Carolina

Carolina

Sirlene Barbosa e João Pinheiro

Editora Veneta

Número de páginas: 124

Formato: 17x24cm

R$ 54,90

 

Entrevista publicada originalmente no site MinasNerds em outubro de 2017

Alma não tem cor: uma falsa medida do homem

por Carla Lisboa*

Passadas as “comemorações” sobre o dia em que foi assinada a Lei Áurea, que extingue a escravidão no país (mas não a mentalidade escravista), tudo volta ao “normal”: violência e/ou discriminação racial, racismo, silenciamento, necropolítica… você escolhe, o repertório é vasto. Tudo acaba em extermínio, em invisibilidade social, em uma memória apagada, numa denúncia deslegitimada.

Tá, mas… E daí?

O historiador francês Pierre Norah, propôs um debate importante sobre memória, por ocasião do bicentenário da Revolução Francesa, em 1989, mas também sobre o papel dos arquivos, datas comemorativas, monumentos e do patrimônio do país. O que deve ser preservado, ou esquecido? De qual passado falamos? Quais memórias são dignas de serem levadas adiante? Entre outras questões (e incômodos) levantados por Norah, está a memória como espaço de DISPUTA.

Tá, mas… E daí?

Daí que os debates sobre a desigualdade e a discriminação racial têm data certa no calendário, como se só morressem pretas e pretos no 13 de maio ou no 20 de novembro… É como se afrodescendentes só existissem a partir da perspectiva da miséria, da exclusão social e da violência, e essas duas datas servissem para um mea culpa, mea maxima culpa, mas que, na prática, não muda nada. Mas enfim, Pierre Norah está aí para explicar sobre esse processo de apagamento de memória e como ele acontece. E, apesar de me basear nas reflexões de um historiador europeu e branco, ele ajuda a organizar minhas reflexões sobre o assunto. Em tempo: Isso não quer dizer que não haja outros intelectuais falando sobre isso, mas que é uma escolha minha para falar sobre o tema partir das datas comemorativas, criadas por brancos. É uma discussão longa, válida, necessária, mas que pretendo fazer em outro momento, abordando especificamente intelectuais negros.

Todo lugar de memória é, antes de tudo, um espaço de disputa, não de concessão. Assim como a Lei Áurea não foi uma concessão, mas resultado de uma série de disputas em diversos níveis, seja no aspecto político, econômico e, claro, o social. Para que um grupo social seja lembrado é preciso silenciar o outro, ou “conceder” uma data, monumento, homenagem, para compensar esse silenciamento. Explico: não é uma data para reconhecimento das lutas por liberdade e reconhecimento da humanidade de milhões de pessoas escravizadas, muito menos de seus descendentes. Deveria ser, mas não é. Se houvesse, realmente, uma vontade de reconhecer historicamente a miséria vivida cotidianamente por essas pessoas, hoje, não seria necessário criar essas datas “de reflexão”. Sabe por quê? É simples: porque essas pessoas teriam sido integradas à sociedade depois do glorioso 13 de maio de 1888. Mas quem quer reconhecer que pisou na bola e construiu seu patrimônio financeiro à custa da exploração do trabalho alheio, não é mesmo?

Sem políticas de inserção social, sem acesso à escola e ao aprendizado de outros ofícios (além daqueles que exerceram enquanto escravizados), sem moradia, não haveria muitas alternativas além do alcoolismo, da mendicância, da fome e do subemprego. E nem venha me dizer que alguns conseguiram subir na vida, porque essa exceção só confirma a regra miserável que permanece ainda hoje. E digo mais: estes poucos que “subiram na vida” ou que não são miseráveis, só conseguiram graças ao ocultamento de sua identidade e ancestralidade africana. Só conseguiram o passaporte do sucesso porque se submeteram a uma série de códigos (brancos) de aceitação: modo de vestir, de falar, de se comportar, enfim, se embranquecer como é possível. Uma violência tamanha, que nenhum branco é capaz de imaginar, muito menos de sentir.

Mas, antes que eu me perca, quero evidenciar alguns pontos “nebulosos” sobre o racismo nosso de cada dia. Porque, sim, apesar de não ser branca, eu também cometo erros e tento aprender com eles. É uma luta desgastante, injusta e cheia de armadilhas e devemos estar preparados para elas. É preciso estar atento e forte, já alertava Gal, sob os ventos tropicalistas. E o mundo está cheio de armadilhas, acredite. A primeira delas, quiçá a mais frequente e que me deixa profundamente irritada (e até já adoeci por isso) é o famigerado “Somos todos iguais”. Iguais!? ONDE, alguém me explica?

Agora, neste exato momento de isolamento social, nem todos têm o privilégio de ter uma casa para se isolar, tampouco uma torneira para lavar as mãos. Não deveria ser assim, óbvio que não. Ter empatia e compaixão são indicadores da nobreza das pessoas, mas se esses sentimentos não levam a uma ação efetiva, de pouca valia será a indignação com o racismo. Nossa humanidade nos faz iguais em generosidade, respeito e, até mesmo, na fragilidade com relação às doenças, a solidão e a morte, mas como acreditar nisso com tanta gente dizimada, deslegitimada, desacreditada, calada, presa sem saber por quê? Como acreditar nisso se, quando estamos dizendo que não somos socialmente iguais, embora devêssemos ser, insistem na ideia de vitimismo? Quando vão entender que existe uma história do CONTINENTE AFRICANO anterior à escravidão e que a diáspora negra para o Brasil foi e é cruel porque tira, HOJE, direitos constitucionais dos descendentes de escravizados, porque não têm acesso a eles, como quaisquer outros cidadãos? Como essas pessoas vão ter uma formação e conseguir “ser alguém na vida”, se não conseguem se manter frequentando a escola? Como essas crianças e adolescentes vão se sentir acolhidos e aceitos com TODAS as limitações, traumas e violências sofridas dentro e fora de casa (quando há uma), quando tudo que recebem é julgamento? Se ouvem, desde a mais tenra idade, que são caso perdido, preguiçosos, acomodados, vagabundos?

Somos todos iguais, mesmo? Iguais a quem?

E seu eu te disser que, essa frase contém uma crueldade imensa?

Não somos iguais fisicamente, embora milhares de pessoas maltratem os cabelos para que pareçam lisos; não somos iguais espiritualmente porque muitos de nós têm um sistema de crenças diferente do cristianismo e que cotidianamente é vilipendiado, desprezado, dilapidado e destruído em nome de um Deus (branco) e salvador; não somos iguais filosoficamente porque pensamos o mundo diferentemente, com ênfase no coletivo e em respeito à ancestralidade; Não somos iguais porque ubuntu é muito mais sofisticado, complexo e profundo do que um sistema operacional de computador. Vou ficar por aqui, porque tenho exemplos e cansaço demais para esse espaço.

Numa sociedade extremamente violenta como a brasileira, é curioso observar esse fenômeno: a (falsa) crença de que somos iguais e suas variantes, tais como raça humana, não vejo cor, preto de alma branca, branco de alma negra, ou outra mais espiritual: alma não tem cor. Esta última soa mais cínica aos meus ouvidos. Considerando que há pouco menos de 150 anos, negros não tinham alma, tampouco eram considerados gente, a menos que fossem batizados com um nome cristão, obviamente… isso dói ouvir, sabe? Há quem argumente que se deva superar esse triste passado e buscar uma unidade espiritual, uma unidade branca e cristã, que fique bem entendido.

Então, eu te pergunto: por que deveríamos ser iguais, pasteurizados como um enorme pote de iogurte? Por que AINDA não somos aceitos por ser quem somos, como somos e queremos ser e ainda não podemos ser em plenitude e com dignidade?

Porque existe uma maioria que não quer assumir que tem privilégios. Sim, ser branco no Brasil é privilégio, não porque eu quero, mas porque vivemos num mundo em que aparência é importante. Veja, o código de “normalidade” é ocidental e branco. Não se trata de culpa, mas de responsabilidade social. Dizem que os negros e afrodescendentes não têm educação, são agressivos, irascíveis, histéricos, encrenqueiros, indisciplinados, se vitimizam… Você branco, cristão etc., já questionou sobre o porquê desse comportamento? Se não, deveria. Não estou falando em caridade, mas em fazer autocrítica para ser capaz de aceitar valores, estéticas e formas de expressão artística e religiosa diferentes das suas, para que outras pessoas tenham acesso às oportunidades que você tem. Começa por aí… O primeiro passo é reconhecer os privilégios.

Dói, né? Imagina quando negam o direto de se manifestar sobre a discriminação e violência vividas por causa da cor da pele… Quando um afro-brasileiro diz que determinada postura, fala, brincadeira é racista, não é opinião, nem vitimismo. É uma afirmação que é imediatamente deslegitimada com o mais puro achismo. Racismo não é sobre (sua) opinião, é sobre sua postura com quem é diferente de você, mesmo que você não perceba. Quando alguém lhe disser “isto é racismo”, aceite humildemente e se emende.

Outra coisa: quando acreditamos na ideia de “dar voz às minorias”, na verdade, estamos dizendo que essas pessoas não são capazes de falar por elas mesmas de suas mágoas, frustrações e injustiças sofridas. E isso é silenciá-las mais uma vez. Olha aí, Pierre Norah acenando para mostrar o apagamento simbólico e histórico novamente! Não basta homenagear a cultura negra, exaltar sua beleza e sabedoria ancestral é preciso que ela exista e seja respeitada per se, sem ser esvaziada de significados, tampouco tornado produto. Essa luta é multifacetada e cheia de armadilhas, como já disse. É política, econômica, religiosa, social, semântica, mas também está presente no nível dos afetos, nos ritos cheio de significado e riqueza, nas memórias, histórias e seus múltiplos sentidos. É cruel, porque inviabiliza o discurso de quem mostra o racismo que estrutura nossa sociedade e as redes de relações. É tão grave que foi tornada crime, apesar de banal.

É aqui que nosso compromisso como cidadão deve se reafirmar, principalmente em tempos de terras planas, pistolas e “Zumbi dos Palmares dono de escravos” e outros negacionismos perigosos, do passado e do presente. Esse compromisso, nada fácil de ser mantido, pouco tem a ver com conceder algo que já está previsto na Constituição de 1988. Diz mais sobre como, nas diferenças, todos tenham acesso às mesmas oportunidades e direitos que você tem, desde que nasceu, e muitos nem sabem que existe. É sobre respeitar o ser humano, suas diferenças e, acima de tudo, agir com justiça. Só assim, a diversidade de identidades, credos, cores e crenças farão parte de ser brasileiro verdadeiramente.

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* Carla Lisboa é mestre e doutora em História Social pela Unesp/Assis e professora convidada do Centro Universitário Sagrado Coração. Capricorniana, corinthiana (sem muita convicção), de “de esquerda” e voltou a tricotar na quarentena.

O fracasso em meio ao caos

por Roberta AR

Sonhei que estava no cruzamento de uma grande avenida, um lugar que me foi tão familiar por tanto tempo, mas que não vou há anos. Perguntei para quem estava comigo, uma amiga que se distanciou, coisas da vida, se não tinha problema eu dar um pulinho por lá no meio do isolamento. “Está cheia de gente passeando, não tem problema”. Acordei assustada.

Este ar de normalidade no meio do absurdo é algo que sempre me assusta, não é um sentimento novo. As pessoas naturalizam as piores coisas de um jeito quase sereno, digo quase porque esta serenidade é mantida artificialmente com alguma compulsão, remédios controlados ou drogas. Os que não naturalizam, viram esses seres estranhos inadaptados que precisam ser consertados. 

Eu tenho sido essa pessoa quebrada faz uns anos já. Em isolamento, sem conseguir ser funcional nas condições que o mundo quer. Não sou mais produtiva, pois não gero riqueza. Estou aqui dedicada a manter uma criança mentalmente, emocionalmente e fisicamente saudável no meio da violência emocional e patrimonial que vem de todo o lado. E minha energia tem sido toda consumida por isso e pela feridas emocionais de uma vida de abandonos. Esteja materialmente vulnerável e se veja ser tratada como incapaz, com condescendência e até tentarem tirar seu poder familiar. 

É difícil e pesado viver neste mundo. Para todo mundo. Este é um mundo violento e nós, pobres, dividimos entres nós metade da riqueza do planeta, a outra metade está na mão dos 1%. Esse valor deve ter aumentado depois que esta marca foi atingida há quatro anos (pros mais ricos). E são esses 1% que dizem quem vai mandar em cada canto do mundo, ou você acha que foi o porteiro com seu voto que escolheu este presidente?

Acho interessante como se gasta tempo falando mal do pobre de direita e não se fala nunca destes ultra-ricos. Será que é porque as fundações deles dão uns troco para as artes, bancam políticos “de esquerda”? Usam até os mortos desta epidemia para chamar pobres de burros: “a maioria desta cidade votou em…”. Merecemos morrer por isso. Mas falar da fundação lá do cara mais rico do país, que tem aquela fast food das propagandas descoladas, junto com aquele apresentador que quer ser presidente nem pensar. E eles se juntaram para eleger muita gente no parlamento. Normal, né? Dinheiro bem gasto que vai nos beneficiar… Aqui eu acordo assustada, de novo, mas desta vez não estava nem dormindo. 

Precisamos buscar o sucesso. Pensar em sucesso traz o sucesso até você. Mentalize a riqueza, o que você quer ter, onde você quer estar. Mesmo sabendo que tem que dividir metade da riqueza do mundo com quase sete bilhões de pessoas, porque a outra metade tá na mão de umas duas mil. Alguém sugeriu que eu monte meu negócio agora. Acordo já acordada de novo. Mas assustada. “Fulano doou um milhão para pesquisa do corona vírus”. Dinheiro do papel higiênico, né? Cês me poupem. 

Eu vejo muita gente sem conseguir se encaixar neste mundo. Estou assim faz pouco tempo, focando minha energia em sobrevivência primária, mas sinto essa dor de todos como a minha. Pessoas que sentem o peso de ter que levantar de manhã para exercer atividades absolutamente inúteis e dispensáveis no meio de gente abusiva e que se dá um valor maior do que lhe é de direito. Nunca tinha chegado neste estado em que o peso é maior que a minha força, mas sempre tive que lidar com ele. E ainda temos que ouvir que isto é fracasso.

O sucesso do 1% é o total desprezo ao resto do planeta. Estamos neste caos sanitário porque tem gente sugando nossa existência (nossa como parte da natureza, somos todos uma coisa só) e a transformando em moeda corrente. Lidar com o fracasso não pode ser um problema, neste contexto. Somos todos fracassados, nesta perspectiva. O fato de alguém ter um salário um pouco maior não o torna uma pessoa de sucesso, porque o salário pode sumir a qualquer momento. Aquela empresa de sucesso também não sobreviveu agora.

Hoje, me sinto reconectada ao mundo. A minha dor agora tem legitimidade. O absurdo está bem visível, para quem quiser enxergar. Não é uma sensação boa, este pertencimento. Mas me tira do lugar da louca que se nega a cair na real. O que é real?

Ontem, li um artigo, que tava numa fila pra ler faz tempo (você está sendo produtivo na pandemia? eu não). Ele falava de moda, mas veja este trecho: “O tempo urge. Defendo a cura pelo respeito ao coletivo, às pessoas. Acredito que vamos precisar nos preparar para organizar uma nova ordem feita de variações mínimas (…) com respeito irrestrito ao planeta. Será preciso o indivíduo desprender-se das normas antigas e apreciar cada vez mais o coletivo, para aí sim conseguir afirmar um gosto mais pessoal.” (o texto do Jackson Araújo está completo aqui

Ele fala de coletivo, mas não como estes grupos contemporâneos que pretendem ser vanguarda, mas têm essa cara de empreendedorismo meritocrático. Coletivo como estar junto, de verdade. Precisamos nos ver a partir do outro, da troca, não do julgamento. E eu pensei aqui nas tantas vezes que estive com amigues e até em coletivos, mais de um, pessoas incapazes de pensar a troca de potencialidades sem isso virar recurso financeiro. Pessoas que não aceitam que você faça algo que é sua especialidade sem pagar por isso, provavelmente por não querer “ficar devendo”. Ou que acha que qualquer coisa que ela faça tem preço. A impensável, para elas, gratuidade nos gestos. Eu faço parte de um núcleo da Comunidade que Sustenta a Agricultura (saiba mais o que é clicando aqui) e um dos lemas desse grupo é substituição da “cultura do preço pela cultura do apreço”. Agora é tempo de pensarmos estas relações sociais. Isso é muito sério.

Vejo iniciativas como Artistas em Quarentena, da Lila Cruz, que pensa concreto e pontual, neste momento difícil, para citar uma de um grupo com que tenho trabalhado nos últimos anos. Como esta, temos milhares de ações em todo o país, indígenas, periferia, catadores, artesãos, quilombolas, estão todos se articulando para sobreviver apesar de. Mas, mais do que doar, precisamos criar nossas próprias redes de apoio. Material e emocional. Gente com a qual você possa estar nas vacas gordas e vacas magras te olhando do mesmo jeito, com respeito, amor e carinho. Que a gratuidade do gesto seja recíproca. Que o cuidado seja sincero e te deixe tranquila por ter um colo no meio do caos. Precisamos sobreviver para o depois.

Está difícil, mas eu tenho o sonho com um abraço apertado na amiga querida que nunca vi pessoalmente. Tenho a mensagem de quem sempre esteve aqui do meu lado quando eu quebrei de verdade. O carinho de quem me ajuda a descobrir quem eu sou. O amigo que divide minhas iniciativas de conteúdo gratuito “creative commons”. O companheiro que está aqui, mesmo sendo tudo tão difícil. A criança que me ama. Somos coletivo. Comunidade, porque acho mais bonito. 

Facada 72 – Cathedral (Boardgames)

Dorimeeeeeeeeeee… Em Catehdral, os jogadores competem por espaço. As belíssimas peças de madeira se encaixam para bloquear territórios. Ganha quem ficar com menos pedras fora!

Mas ele diz que me ama – graphic novel de uma relação violenta

por Roberta AR

Uma das coisas mais difíceis para quem está num relacionamento afetivo é admitir que vive uma relação abusiva. Para as mulheres isso é ainda mais complicado, pois somos educadas a encarar a brutalidade dos parceiros como um tipo de amor. Por esses dias, rodou nas redes sociais a foto de uma menina de quatro anos que foi agredida por um colega de escola e teve que levar quatro pontos no rosto. Seria apenas mais uma história de briga entre colegas, se não fosse o comentário do enfermeiro que atendeu o caso e disse para a garotinha que o menino que a agrediu provavelmente tem uma “quedinha” por ela. Desde crianças somos educadas a acreditar que homens amam com violência.

Essa longa introdução é para justificar a resenha desta novela gráfica que já tem quase dez anos de publicação no Brasil, mas acredito ser uma leitura obrigatória: Mas ele diz que me ama – Graphic novel de uma relação violenta, de Rosalind B. Penfold.

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Rosalind, na verdade, é um pseudônimo usado pela autora que decidiu preservar sua privacidade, mas achou fundamental expor passo a passo o desenrolar de uma relação abusiva, a sua própria, como forma de alerta para as mulheres.

Uma publicitária de sucesso, Roz, que tinha sua empresa, um apartamento, entre outras coisas, com apenas 35 anos de idade, começa a se relacionar com Brian, um homem recém viúvo, com quatro filhos pequenos. Uma relação intensa, irresistível, com muitas flores e bilhetes românticos. Os episódios abusivos começam a aparecer já no início da relação, mas ela se recusa a ver, pois o ama e acredita que é um exagero de sua parte, pois ele sempre se desculpa e a “compensa” de alguma forma.

Segundo Rosalind, um relacionamento abusivo é assim: “ Quando conheci Brian, me apaixonei profundamente. Imaginei que viveríamos um romance de conto de fadas. E vivemos… por algum tempo… ATÉ QUE AS COISAS COMEÇARAM A MUDAR. Ignorei as primeiras frustrações, os joguinhos sutis e me recusei a acreditar no que acontecia até perceber que estava afundando em uma areia movediça de ABUSOS VERBAIS, EMOCIONAIS, SEXUAIS e, por fim, FÍSICOS”.

Com um traço simples, direto, fruto dos diários de Roz durante a relação, esse quadrinho vai relatando ao longo das suas mais de duzentas páginas, como podemos nos recusar a ver que estamos numa relação abusiva e como essas feridas vão se intensificando, tornando cada vez mais difícil nos desvencilhar e encerrar o ciclo.

Roz também deixa claro que é fundamental o apoio de pessoas queridas, amigas, amigos e de profissionais, que uma mulher dificilmente consegue sair disso sozinha.
Fruto desse livro, está no ar o site Dragonslippers (o nome original do livro) – Friends of Rosalind, que disponibiliza para impressão uma lista de alertas para quem quiser saber se está vivendo uma relação abusiva ou não (em inglês) e indica instituições de apoio a mulheres que sofrem violência doméstica em várias partes do mundo.

O livro está disponível em nove línguas e ainda está à venda no Brasil, já presenteei algumas amigas com ele recentemente (possivelmente assustei alguma com a HQ, mas achei importante dar).

Acompanhar a história de Rosalind nos faz perceber o como é comum e o quanto é difícil se perceber como protagonista de uma história como essa. No meu caso a coisa é bem estranha, porque ganhei meu exemplar deste livro de um namorado que estava todo empolgado com essa HQ que poderia ajudar tantas mulheres a poupar um longo período de sofrimento, mas que ao mesmo tempo fazia gaslighting comigo, o que demonstra que precisamos estar sempre alerta, pois o machismo é algo que se pratica (ou se reproduz, no caso das mulheres) no piloto automático e muitas vezes não nos damos conta.

 

Mas ele diz que me ama – Graphic novel de uma relação violenta
Rosalind B. Penfold
Ediouro
264 páginas
http://www.dragonslippers.com/

Vamos falar de zines

por Roberta AR

Eu sou da geração pré internet, um tempo que parece um universo paralelo ao que vivemos hoje. Uma coisa que me incomodava bastante naquele tempo (antes da internet) era a ideia bastante difundida por quem trabalhava com produção cultural de diversas áreas de que era impossível para qualquer um fazer um livro, um filme, um disco sozinho. Para quem faz quadrinhos ou escreve, sempre existiu o zine, ou fanzine como era conhecido nos seus primórdios, mas ele era uma publicação menor, de baixa qualidade, nunca teria o mesmo prestígio de uma revista ou seria considerado nas rodas literárias.

Quando a internet se popularizou, esse discurso se inverteu. O que aconteceria a partir de então seria o fim das revistas, livros, filmes, discos. Tudo seria online. Essa previsão apocalíptica fez muitas revistas saírem do mercado, sumiu com os discos de vinil durante um bom tempo, fez com que todo mundo tivesse blogs, fotologs, depois entrar nas redes sociais, e ninguém achou que o zines seriam úteis de novo.

Mas eis que a febre do analógico retorna aos corações e vemos por aí vinis, lomos e, claro, zines também.

Mas o que é zine?

Vamos com a clássica definição da wikipedia: “Fanzine é uma abreviação de fanatic magazine, mais propriamente da aglutinação da última sílaba da palavra magazine (revista) com a sílaba inicial de fanatic. Fanzine é portanto, uma revista editada por um fan (fã, em português). Trata-se de uma publicação despretensiosa, eventualmente sofisticada no aspecto gráfico, podendo enfocar histórias em quadrinhos (banda desenhada), ficção científica, poesia, música, feminismo, vegetarianismo, veganismo, cinema, jogos de computador e videogames, em padrões experimentais.”

O zine mais antigo conhecido no mundo é a ficção científica Cosmic Stories, publicada por Jerry Siegel, com apenas 14 anos de idade. No Brasil, o primeiro zine conhecido é o O Cobra, “Órgão Interno da 1.ª Convenção Brasileira de Ficção Científica” realizada entre 12 e 18 de Setembro de 1965, em São Paulo. No mesmo ano saiu o zine Ficção, publicado em 12 de outubro por Edson Rontani, e foi o primeiro dedicado a quadrinhos.

Primeiro fanzine brasileiro de quadrinhos: Ficção, de 1965

Mas o formato só ficou popular por aqui nos anos 80, com a onda punk e o seu lema Do It Yourself (Faça Você Mesmo), ou apenas DIY. Nesse tempo, o zine era a principal forma de divulgar shows e discos, de distribuir poesias, discussões políticas, fotos e quadrinhos. Com a popularização da internet, surgiu o e-zine, que são publicações distribuídas online. Hoje, muitos zines impressos acabam sendo publicados também na internet.

 

Por que fazer?

Se temos blogs, redes sociais, email, para que fazer um zine hoje em dia? Porque é muito legal poder ter um trabalho impresso, feito do jeito que eu quero, de maneira artesanal. Pode até ser que o que originou os zines fosse a praticidade e o baixo custo para difundir ideias e trabalhos por aí, mas hoje a coisa está bem além disso. Essas publicações se tornaram também objetos de arte e, muitas vezes, a maneira de manipular seu conteúdo também faz parte da brincadeira.

Muitas editoras independentes têm se especializado em fazer zines com impressão de ótima qualidade, em tiragens pequenas, em papéis especiais e montagem artesanal. Aqui vou citar uma com a qual trabalhei e que é conduzida por mulheres. A Pingado-Prés, levada a cabo por Beeanca Muto e Ivy Folha, faz edições com tiragem a partir de quarenta exemplares, encadernadas com todo o cuidado. São publicações com textos, ilustrações e fotografia.

Ainda há espaço para o DIY, mas dá para perceber que tem gente se profissionalizando na edição e publicação de livros artesanais. Já são muitas feiras dedicadas às publicações independentes, que incluem também pequenas editoras de literatura e quadrinhos, como a Feira Plana, Feira Miolos, Feira Dente, MOTIM, Parada Gráfica, e por aí vai.

 

Como fazer?

Como fazer um zine dobrando uma folha de sulfite

Para fazer um zine é preciso primeiro ter a vontade, escolher um tema, que tipo de material usar e o formato. É possível fazer tudo a mão e xerocar depois, ou fazer no computador e imprimir. Cada um escolhe seu caminho.

Separei aqui dois tutoriais simples: um da revista Capitolina e outro da WikiHow. Mas tem muitos mais disponíveis na internet

Um zine em oito passos

O que ler por aí?

Esta é uma introdução sobre o tema aqui no site, porque devemos falar sobre ele mais vezes, sobre gente que faz e sobre publicações. Eu tenho quatro publicações do tipo disponíveis online aqui no Facada X: Uma pessoa asquerosa; Por acaso?, que fiz com a Luda LimaPés – Volume I; e Cabelos – Volume II. A Laura, minha parceira aqui no Minas Nerds, também tem publicações online: Delirium e O mundo é um jogo e eu só tenho mais uma vida. Tem muita coisa na internet, então separamos mais algumas publicações de minas:

Coletivo Girl Gang – zine #1, gangue de 24 artistas

4 x amor,  a junção das inspirações, devaneios e ideias de quatro amigas.

Indigo, de Suzana Maria

Gata Pirata, de Maiara Moreira

SELVÁTIK, colagens de Laíza Ferreira Desenhos e poemas de Jane Gomes

A Ética do Tesão na Pós-Modernidade vol.1   e A Ética do Tesão na Pós-Modernidade vol.2, de Lovelove6

 

Quanto mais gente fizer, mais coisas interessantes teremos para ler. Então, mão à obra.

(publicado originalmente no site MinasNerds)