Facada 38 – CCXP 2016

Fim de férias! Mãos à obra! No retorno do videocast, compartilho um pouco da experiência e das aquisições da Comic Con Experience 2016!

À nuvem

por Júlia da Costa*

Clara nuvem que corres no espaço
Entre um tíbio, mentido esplendor,
Onde vais desvairada e sem norte
Já perdendo o nativo candor?
Qual a ave fugida do ninho,
Qual um beijo ligeiro de amor?

P’ra que climas longínquos te volves
Com tão diva e gentil formosura?
Sobre as asas da brisa levada,
Tão serena, tão lépida e pura?
Inconstante, volúvel, sem pena
De deixar de teu céu a lisura?

Ai! Não corras sem tanto na esfera,
Não despreses teu leito dourado!
Não te atires louquinha nos ares
A seguir esse bafo encantado,
Que de brisa fingindo a doçura
Pode em euro tornar-se enraivado!

Ai! Não queiras subir mais distante,
Que bem alta, bem longe, já estás!
Renegando teu berço, qu’é a terra,
Sobre o berço do céu brincarás!
Mas querendo escolher outro leito
Tênue fumo decerto serás!

Tu celeste não és, és serena,
E portanto não queiras subir!
Vê que quanto mais alto se sobe
Mais se deve temer o cair!
Deixa a louca vaidade, não ouses
Condição mais brilhante exigir!

Não te afunes co’as lúcidas cores
Que te empresta d’aurora o albor!
Ai não julgues que és d’ouro formada,
Que sem raios do sol és vapor:
E tu vales fulgindo no espaço
Quanto vale na terra uma flor!

Ai! Não corras sem tento no espaço!
Não te prenda d’arage’ a fragrância!
Vê que é ela inconstante e traidora
Como os seus companheiros d’infância!
Não desprezes teu leito macio,
Não te atires nos ares com ânsia!

.

*Júlia Maria da Costa (1844 – 1911) foi poetisa e escritora de crônicas-folhetins brasileira. Este poema foi extraído do livro Flores Dispersas – 1ª série.

Gravuras de Käthe Kollwitz

por Käthe Kollwitz*

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Losbruch, 1924

 

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Zwei Schwatzende Frauen mit Zwei Kindern, 1930

 

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Not, 1897

 

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Anklopfende, 1909

 

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Self-Portrait, 1898

 

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Arbeiterfrau, 1910

 

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Bildnis Hans Kollwitz, 1893

 

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Frau mit totem Kind, 1903 etching

 

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Gefallen, 1921

 

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Bauernkrieg, 1908

 

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Tod und Frau, 1910

 

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Tod, Frau und Kind, 1910

 

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Junges Paar, 1904

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*Käthe Kollwitz (1867 – 1945) foi uma importante desenhista, pintora, gravurista e escultora alemã, cuja obra reflete uma eloquente visão das condições humanas na primeira metade do século XX. Com traços de Naturalismo e Expressionismo, Kollwitz traz a classe operária, fome, guerra e pobreza como temas recorrentes em seu trabalho.

Cabelos – volume II

por Roberta AR e Clara do Prado*

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Para ler o zine, clique na imagem.

O zine Cabelos – volume II foi lançado na Feira Plana 2015 pelo selo Rabanete, da designer Clara do Prado.
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*Clara do Prado é brasiliense, designer gráfica e a mulher por trás do Selo Rabanete.

Bacante

por Yde* 

Ergue nas mãos a taça transbordante
do vinho capitoso; em desalinho,
desata a cabeleira luxuriante
sobre o seu corpo nu, de rosa e arminho.

Um perfume oriental, sensualizam-te,
vai-se impregnando no ar, devagarinho . . .
E, lasciva e pagã, dança a bacante
embriagada de música e de vinho!

Torcendo os rins em lânguidos meneios
derrama sobre os pequeninos seios
a sua taça de cristal boêmia.

E há na volúpia estranha dos seus passos
e nas serpentes brancas dos seus braços
a eterna sedução da eterna fêmea!

*Adelaide Schloenbach Blumenschein (Yde)(1882 – 1963), conhecida como Colombina, foi uma poeta parnasiana brasileira. Estudou na Alemanha durante a infância. Aprendeu piano e canto. Começou a escrever aos 13 anos. Seus primeiros poemas foram publicados no jornal santista A Tribuna, além de revistas como O Malho, Fon-Fon e Careta. Assinava com os pseudônimos de Colombina e Paula Brasil. Fundou em 1932 a Casa do Poeta Lampião de Gás, ponto de encontro de escritores e literatos, que inicialmente funcionava na sua própria casa. Editou o jornal mensal O Fanal, publicação da Casa do Poeta Lampião de Gás. Era chamada de Cigarra do Planalto e Poetisa do Amor. Em sua homenagem, uma rua no bairro do Butantã, em São Paulo, recebeu o nome de Rua Poetisa Colombina. É a patrona da cadeira número 37 da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul.

Retratos de Mia Arnesby Brown

por Mia Arnesby Brown*

Child with Daisies

Child with Daisies

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Sleeping Girl (1931)

Sleeping Girl (1931)

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Country Girl

Country Girl

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Girl Fishing(1918)

Girl Fishing(1918)

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Thomas South Mack as a Small Boy

Thomas South Mack as a Small Boy

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The Story (1900)

The Story (1900)

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Shirley Poppies

Shirley Poppies

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*Mia Arnesby Brown, nascida Mia Edwards (1867-1931) foi um pintor Galês. Ela foi especialmente conhecida pela sua seus retratos de crianças.

Pobre Coração

por Delminda Silveira*

Ele tinha os olhos garços; o olhar desses olhos falava… Ora meigo, de indizível e
sedutora ternura, ora lampejante, imperioso, irresistível no seu brilho
dominador.

Pálido como poeta, o seu coração seria o de um poeta também?… não possuiria
ele uma alma terna e sensível?…

Os cabelos lindos de um acastanhado leve, ondeavam graciosamente; o porte
elegante e distinto… era um mancebo encantador!…

Fraca e pálida como a flor abandonada, ele encontrou-a; definhada qual a folha
mimosa no arrefecer do Outono.

Ele examinou-a … Seus olhos belos, meigos e compassivos se quedaram fitos
nos olhos escuros dela; o que leria ele ali?…

Depois, sua formosa cabeça inclinou-se sobre o brando seio da doente;
auscultava-a … escutava-lhe o coração; — o que ouviria ele?…

Um suspiro débil, penso que fugia, — avezinha errante em busca do abrigo
onde repousar; — e a formosa cabeça comprimiu terna, suavemente o seio que
ficava por sobre o coração.

Ai! pobre coração! o que sentiste?…

Que sensação indefinível! que inexplicável anseio te fez assim tanto palpitar?
Foi bem a terna saudade, a doce recordação, talvez, de um passado desfeito o
que sentiste?

Ai! Pobre coração!…

A palma mimosa da sensitiva se retrai ao contato de mão; coração, coração!
porque te confrangeste assim? Oh! folha mimosa! porque te retraíste?…

A avezinha livre do deserto, por vezes tem sede; — ai! se avistar a cristalina
veia, quem a condenará porque vai sôfrega beber?

Se a gota de orvalho que o Céu mandou, tremulando fica na pétala desprendida
da magnólia branca, quem há de criminar a borboleta que pela tarde estiva e vai
sorver?

A cândida açucena tem doçura no seio; foi Deus que lha depositou ali; — que
mal há pois que o beija-flor sequioso procure o doce mel naquele seio
perfumado?

E se da luz criadora do sol benefício, acaso a violeta que na sombra pende,
sentir o almo calor e amoroso o acolheu no seio em que ele docemente
penetrou, se deve, porventura, censurar a misérrima que, de frio, se finava no
isolamento?

E Deus criminaria a inocente imbele para resistir e mui sensível para ser
ingrata?!

O orvalho do Céu caía gota a gota, em cada manhã, sobre a planta que
desfalecia; o sol aqueceu-a, cuidou-a o floricultor, e cada dia ela sentia o
extremo desvelo com que a trataria. Oh! revivessem, abrindo-se em flores bem
mimosas!… Que culpa tem as flores que se abrem agradecidas?

A flor encerra o gérmen, o perfume, a doçura; o coração encerra a vida, o amor,
a ternura; a flor desabotoa, entornando aroma se o sol a aqueceu; o coração é
como a flor: expande-se derramando a ternura se amor feriu…

Que culpa tem a flor? Que culpa tem o coração?…

Ai! pobre flor abandonada!

Ai! pobre coração!

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*Delminda Silveira de Sousa (1854 – 1932) foi uma professora e escritora brasileira. Foi membro da Academia Catarinense de Letras (ACL). Foi a primeira mulher da ACL, titular da cadeira 10, a qual assumiu com 77 anos de idade.

 

Retratos de Laura Muntz Lyall

por Laura Muntz Lyall*

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Oriental Poppies

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Portrait of a Young Woman (1894)

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Young Girl Holding Daffodils (1894)

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The Little Red Hair (1900)

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Interesting Story (1898)

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*Laura Muntz Lyall ( 1860 – 1930). Foi um pintor impressionista canadense, conhecida por seus retratos de mães e crianças

Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande

por Alberto Caeiro*

Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande,
Fui verdadeiro e leal ao que vi e ouvi.

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* Alberto Caeiro é um heterônimo do poeta português Fernando Pessoa, considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa e da Literatura Universal.

Resignação

por Narcisa Amália*

No silêncio das noites perfumosas,
Quando a vaga chorando beija a praia,
Aos trêmulos rutilos das estrelas,
Inclino a triste fronte que desmaia.
E vejo o perpassar das sombras castas
Dos delírios da leda mocidade;
Comprimo o coração despedaçado
Pela garra cruenta da saudade.
Como é doce a lembrança desse tempo
Em que o chão da existência era de flores,
Quando entoava o múrmur das esferas
A copla tentadora dos amores!
Eu voava feliz nos ínvios serros
Empós das borboletas matizadas…
Era tão pura a abóbada do elísio
Pendida sobre as veigas rociadas!…
Hoje escalda-me os lábios riso insano,
É febre o brilho ardente de meus olhos:
Minha voz só retumba em ai plangente,
Só juncam minha senda agros abrolhos.
Mas que importa esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
Se nas asas gentis da poesia
Eleva-me a outros mundos mais formosos?!…
Do céu azul, da flor, da névoa errante,
De fantásticos seres, de perfumes,
Criou-me regiões cheias de encanto,
Que a luz doura de suaves lumes!
No silêncio das noites perfumosas
Quando a vaga chorando beija a praia,
Ela ensina-me a orar, tímida e crente,
Aquece-me a esperança que desmaia.
Oh! Bendita esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
De longe vejo as turbas que deliram,
E perdem-se em desvios tortuosos!…

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*Narcisa Amália ( 1856 — 1924) foi uma poetisa brasileira. Foi a primeira jornalista profissional do Brasil. Movida por forte sensibilidade social, combateu a opressão da mulher, o regime escravista, segundo Sílvia Paixão, “um dos raros nomes femininos que falam de identidade nacional” e busca sua própria identidade “numa poética uterina que imprime o retorno ao lugar de origem”. Colaborou na revista A leitura (1894-1896)

Facada 37 – Season finale – BSB

A primeira temporada do nosso videocast tem seu apoteótico fim! Okay… poderia ser mais apoteótico! Aqui conto (e mostro um pouco) sobre nossa viagem a Brasília para a reunião da Família Facada! Aproveito para deixar aqui meu amor à essa patota encapetada e corrigir uma injustiça: me esqueci de destacar no vídeo sobre o prazer de encontrar pessoalmente a Luda, brilhante artista das aquarelas! O que você está fazendo aí que ainda não foi atrás das ilustrações dela?

Pinturas de Abigail de Andrade

por Abigail de Andrade*

Abigail_de_Andrade_-_Trecho_de_paisagem

 

Abigail_de_Andrade_-_Um_canto_no_meu_ateliê,_1884

 

Abigail_de_Andrade,_1885,_Niterói

 

Abigail_de_Andrade,_1888,_Estrada_do_Mundo_Novo_com_Pão_de_Açúcar_ao_Fundo

 

Abigail_de_Andrade,_1889,_Zeit_für_Brot

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*Abigail de Andrade ( 1864 —  ?) foi uma pintora e desenhista brasileira, premiada com a medalha de ouro por trabalhos expostos no Salão Imperial de 1884.

Facada 36 – Jogos de tabuleiro – Bang!

Se você caiu aqui procurando o clip da Anitta… pode clicar… estamos precisando de views – rs… Brincadeiras à parte, Bang! é um jogo de faroeste, com tudo o que tem direito: tiros, índios, saloon, xerife e bandidos da pior espécie!

Com apoio: Caixinha Boardgames, Tortuga Jogos e Encontro Boardgames SP.