Pinturas de Anna Ancher

por Anna Ancher*

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En Vaccination, 1899
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Per Bollerhus Walking with His Bundle of Sticks, 1878-79
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En Begravelse, 1891
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Solskin i den blå Stue, 1891
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Syende Fiskerpige, 1890
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Ved Frokosten, 1890s
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Hos Hårskæreren, 1886
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Fisherman Kræn Wollesen Mending the Net, 1886
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Portrait of Ane Hedvig Brøndum and Her Daughter Hulda, 1885-1900
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Lektien Gennemgåes, 1885
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Sunshine in the Blind Woman’s Room, 1885
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Pigen i køkkenet, 1883-86
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A Blind Woman in Her Room, 1883
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Two Oldsters Plucking Gulls, ca. 1883

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*Anna Ancher (1859 – 1935) foi uma artista dinamarquesa associada à Skagen Painters, uma colônia de artistas no extremo norte da Jutlândia, na Dinamarca. Ela é considerada uma das maiores artistas visuais da Dinamarca.

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Decapitada!

por Delminda Silveira*

— Era linda aquela borboleta azul com suas grandes asas cetinosas, iriadas como conchas de madrepérola!

A trombazinha graciosamente enroscada como um estame de flor, os olhos salientes, amarelos, diáfanos como contas de cristal raiado de ouro.

Pousada sobre o verde, levemente agitando as asas brilhantes, semelhava uma rara flor azul a desabrochar!

Oh! Quanto era linda aquela flor do espaço a repousar na terra!

Por uma tarde estiva, eu a vi a debater-se de encontro aos vidros da minha janela que dá para o jardim. Por cima, a trepadeira em flores estendida pelo telhado, debruçava-se em vergônteas floridas. Sem dúvida a borboleta viera ali atraída pelo aroma das flores. Tentei prendê-la para que não estragasse o maravilhoso tecido daquelas asas ideais, porém, tão desastradamente o fiz, que se desarmando a vidraça, quase decepou a graciosa cabecinha a falena gentil!

Ai! dor!… a pobrezinha caiu moribunda a meus pés!

Segurei-a… e senti ainda palpitantes aquelas brandas asas tão lindas, — multicores como as conchas de madrepérola; mas as cabecinhas aonde brilhavam os diáfanos olhos de cristal raiado de ouro, prendia, apenas presa por um delgado fio que a brisa para logo quebrou!

Desci ao jardim: ali, sob um arbusto coberto de flores, depositei, em um pequenino jazido, a desventurada borboleta azul, e no plácido recinto, desfolhei rosas e saudades, cercando-o de “boas noites”, expressivo emblema do meu pesaroso adeus.

O último raio do sol poente foi beijar o tumulozinho da pobre “decapitada”, e a brisa que dali vinha trazia-me, depois, como um farfalhar suave de finas asas que se debatessem…
Porém o meu coração doído suspirou: – nunca mais!

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*Delminda Silveira de Sousa (1854 – 1932) foi uma professora e escritora brasileira. Foi membro da Academia Catarinense de Letras (ACL). Foi a primeira mulher da ACL, titular da cadeira 10, a qual assumiu com 77 anos de idade.

Esculturas de Camille Claudel

Por Camille Claudel*

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L’Implorante, modeled 1898, cast ca. 1905
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Vertumnus and Pomona, 1905
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L’Âge mûr, 1899
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La Valse, L’Implorante, modeled 1889, cast ca. 1905

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*Camille Claudel, nome artístico de Camille Athanaïse Cécile Cerveaux Prosper (1864  – 1943) foi uma escultora e artista gráfica francesa. Faleceu na obscuridade, mas sua obra ganhou reconhecimento por sua originalidade décadas após a morte. Era irmã mais velha do poeta e diplomata Paul Claudel.

Fotos de Imogen Cunningham

por Imogen Cunningham*

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Dream Imogen Cunningham 1910
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“Edward Weston and Marguerite Mather,” photographic portrait
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In Moonligh, 1911
My_Mother_Peeling_Apples
My mother Peeling Apples
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Succulent

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*Imogen Cunningham (1883 – 1976) foi uma fotógrafa dos Estados Unidos da América, conhecida pelas suas fotografias de temas botânicos, de nus e de cenas urbanas e industriais.

Retratos de Paula Modersohn-Becker

por Paula Modersohn-Becker*

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Old Peasant Woman, ca. 1905
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Mädchenbildnis mit gespreizter Hand vor der Brust, 1905
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Selbstbildnis, ca. 1903
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Mutter mit Kind, ca. 1903
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Sitzendes Mädchen mit verschränkten Armen, 1903
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Meisje met Kind, 1902
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Brustbild einer alten Bäuerin mit Hut vor Landschaft, ca, 1901

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Zittend Boerenmeisje, 1899
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Autorretrato III, 1897
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Kinderkopf mit weißem Kopftuch, ca. 1897
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Autorretrato II, 1897
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Autorretrato, 1897
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Selbstbildnis am 6. Hochzeitstag, 1906

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*Paula Modersohn-Becker (1876 – 1907) foi uma pintora alemã, e uma das representantes mais precoces do movimento expressionista no seu país.

Maio

por Lima Barreto*

Estamos em maio, o mês das flores, o mês sagrado pela poesia. Não é sem emoção que o vejo entrar. Há em minha alma um renovamento; as ambições desabrocham de novo e, de novo, me chegam revoadas de sonhos. Nasci sob o seu signo, a treze, e creio que em sexta-feira; e, por isso, também à emoção que o mês sagrado me traz, se misturam recordações da minha meninice.

Agora mesmo estou a lembrar-me que, em 1888, dias antes da data áurea, meu pai chegou em casa e disse-me: a lei da abolição vai passar no dia de teus anos. E de fato passou; e nós fomos esperar a assinatura no largo do Paço.

– Na minha lembrança desses acontecimentos, o edifício do antigo paço, hoje repartição dos Telégrafos, fica muito alto, um sky-scraper; e lá de uma das janelas eu vejo um homem que acena para o povo.

Não me recordo bem se ele falou e não sou capaz de afirmar se era mesmo o grande Patrocínio.

Havia uma imensa multidão ansiosa, com o olhar preso às janelas do velho casarão. Afinal a lei foi assinada e, num segundo, todos aqueles milhares de pessoas o souberam. A princesa veio à janela. Foi uma ovação: palmas, acenos com lenço, vivas…

Fazia sol e o dia estava claro. Jamais, na .minha vida, vi tanta alegria. Era geral, era total; e os dias que se seguiram, dias de folganças e satisfação, deram-me uma visão da vida inteiramente festa e harmonia.

Houve missa campal, no Campo de São Cristóvão. Eu fui também com meu pai; mas pouco me recordo dela, a não ser lembrar-me que, ao assisti-la, me vinha aos olhos a Primeira missa, de Vitor Meireles. Era como se o Brasil tivesse sido descoberto outra vez… Houve o barulho de bandas de músicas, de bombas e girândolas, indispensável aos nossos regozijos; e houve também préstitos cívicos. Anjos despedaçando grilhões, alegrias toscas passaram lentamente pelas ruas. Construíram-se estrados para bailes populares; houve desfile de batalhões escolares e eu me lembro que vi a princesa imperial, na porta da atual Prefeitura, cercada de filhos, assistindo àquela fieira de numerosos soldados desfiar devagar. Devia ser de tarde, ao anoitecer.

Ela me parecia loura, muito loura, maternal, com um olhar doce e apiedado. Nunca mais a vi e o imperador nunca vi, mas me lembro dos seus carros, aqueles enormes carros dourados, puxados por quatro cavalos, com cocheiros montados e um criado à traseira.

Eu tinha então sete anos e o cativeiro não me impressionava. Não lhe imaginava o horror; não conhecia a sua injustiça. Eu me recordo, nunca conheci uma pessoa escrava. Criado no Rio de Janeiro, na cidade, onde já os escravos rareavam, faltava-me o conhecimento direto da vexatória instituição, para lhe sentir bem os aspectos hediondos.

Era bom-saber se a alegria que trouxe à cidade a lei da abolição foi geral pelo país. Havia de ser, porque já tinha entrado na consciência de todos a injustiça originária da escravidão.

Quando fui para o colégio, um colégio público, à rua do Resende, a alegria entre a criançada era grande. Nós não sabíamos o alcance da lei, mas a alegria ambiente nos tinha tomado.

A professora, Dona Teresa Pimentel do Amaral, uma senhora muito inteligente, a quem muito deve o meu espírito, creio que nos explicou a significação da coisa; mas com aquele feitio mental de criança, só uma coisa me ficou: livre! livre!

Julgava que podíamos fazer tudo que quiséssemos; que dali em diante não havia mais limitação aos propósitos da nossa fantasia.

Parece que essa convicção era geral na meninada, porquanto um colega meu, depois de um castigo, me disse: “Vou dizer a papai que não quero voltar mais ao colégio. Não somos todos livres?”

Mas como ainda estamos longe de ser livres! Como ainda nos enleamos nas teias dos preceitos, das regras e das leis!

Dos jornais e folhetos distribuídos por aquela ocasião, eu me lembro de um pequeno jornal, publicado pelos tipógrafos da Casa Lombaerts. Estava bem impresso, tinha umas vinhetas elzevirianas, pequenos artigos e sonetos. Desses, dois eram dedicados a José do Patrocínio e o outro à princesa. Eu me lembro, foi a minha primeira emoção poética a leitura dele. Intitulava-se “Princesa e Mãe” e ainda tenho de memória um dos versos:

“Houve um tempo, senhora, há muito já passado…”

São boas essas recordações; elas têm um perfume de saudade e fazem com que sintamos a eternidade do tempo.

Oh! O tempo! O inflexível tempo, que como o Amor, é também irmão da Morte, vai ceifando aspirações, tirando presunções, trazendo desalentos, e só nos deixa na uma essa saudade do passado às vezes composta de coisas fúteis, cujo relembrar, porém, traz sempre prazer.

Quanta ambição ele não mata! Primeiro são os sonhos de posição: com os dias e as horas e, a pouco e pouco, a gente vai descendo de ministro a amanuense; depois são os do Amor – oh! como se desce nesses! Os de saber, de erudição, vão caindo até ficarem reduzidos ao bondoso Larousse. Viagens… Oh! As viagens! Ficamos a fazê-las nos nossos pobres quartos, com auxílio do Baedecker e outros livros complacentes.

Obras, satisfações, glórias, tudo se esvai e se esbate. Pelos trinta anos, a gente que se julgava Shakespeare, está rente que não passa de um “Mal das Vinhas” qualquer; tenazmente, porém, ficamos a viver, -esperando, esperando… o quê? O imprevisto, o que pode acontecer amanhã ou depois. Esperando os milagres do tempo e olhando o céu vazio de Deus ou Deuses, mas sempre olhando para ele, como o filósofo Guyau.

Esperando, quem sabe se a sorte grande ou um tesouro oculto no quintal?

E maio volta… Há pelo ar blandícias e afagos; as coisas ligeiras têm mais poesia; os pássaros como que cantam melhor; o verde das encostas é mais macio; um forte flux de vida percorre e anima tudo…

O mês augusto e sagrado pela poesia e pela arte, jungido eternamente à marcha da Terra, volta; e os galhos da nossa alma que tinham sido amputados – os sonhos, enchem-se de brotos muito verdes, de um claro e macio verde de pelúcia, reverdecem mais uma vez, para de novo perderem as folhas, secarem, antes mesmo de chegar o tórrido dezembro.

E assim se faz a vida, com desalentos e esperanças, com recordações e saudades, com tolices e coisas sensatas, com baixezas e grandezas, à espera da morte, da doce morte, padroeira dos aflitos e desesperados…

Feiras e mafuás, 4-5-1911

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* Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13 de maio de 1881 – Rio de Janeiro, 1 de Novembro de 1922), mais conhecido apenas como Lima Barreto, foi um jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileiros.

Vistas aéreas de Margaret Bourke-White

por Margaret Bourke-White*

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Hamburg, from right to left: subway station “Rödingsmarkt”, Officebuilding of the “Oberfinanzdirektion”, Bridge “Heiligengeistbrücke” crossing the river Alster
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Hannover inner city

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destroyed mineral oil plants at Harburg harbor
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Aerial photo of the inner city of the destroyed Würzburg in autumn 1945
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Hannover main station in autumn 1945

*Margaret Bourke-White (1904 – 1971) foi uma fotógrafa documental americana. Ela é mais conhecida como a primeira fotógrafa estrangeira autorizada a tirar fotos da indústria soviética, a primeira fotojornalista de guerra feminina americana e a primeira fotógrafa da revista Life, onde sua fotografia apareceu na primeira capa.