“O diabo mora aqui”, ou “Ó o bixo vino mulek”

por André Rafaini Lopes

(Aviso: o texto contém spoilers sinalizados no penúltimo parágrafo)

Tínhamos tirado o sábado para descansar quando o amigo Reinaldo Cardenuto (ele já participou do finado podcast, lembra?) chama para um jantar seguido de cinema. Que filme? “Terror”. Troquei olhares com a Ju (esposíssima), que não é tão fã do gênero. Olhei pro dia frio lá fora. Olhei pro sofá com uma cobertinha aconchegadamente amarfanhada e uma cã preguiçosa deliciosamente dormindo. Olhei para a TV e os jogos olímpicos que passavam convidando para ver a próxima modalidade… e a próxima… e a próxima… No final, a saudade do amigo falou mais alto. Fumos.

No meio do hambúguer descubro o título do filme “O diabo mora aqui”.

Olho de novo pra Ju. E Reinaldo complementa: “Feito por uns ex-alunos meus… os mesmos que fizeram Nerd Of The Dead”. Aí é a Ju que olha pra mim sabendo que o programa já tinha me conquistado ali. (Até tínhamos pensado em voltar para casa depois do jantar… Naquela noite, o time masculino brasileiro de vôlei ia pegar a Itália vindo de uma derrota! Eles precisavam da gente!) Tarde demais. O time do Bernardinho começou a perder a partida naquela mesa da lanchonete. Nerd of The Dead foi uma inspirada minissérie veiculada pelo Omelete sobre dois moleques (nerds, duh!) no meio do apocalipse zumbi.

Um resquício do trailer de Diabo voltou à lembrança. Nada muito concreto. Bem, caímos de cabeça na produção de Dante Vescio e Rodrigo Gasparini, sobre história de Guilherme Aranha, Rafael Baliú e MM Izidoro. E devo dizer que foi a decisão mais acertada. Aquela provavelmente seria a última exibição nos cinemas em São Paulo, partindo dali para Net Now e Telecine. Ah, e claro, o mais legal: um dos diretores – Dante – estava na sessão. Sentou-se no fundo da sala para eventuais escapadelas… ao que parece o trabalho de edição foi extenuante e ele duvidava que conseguiria ver novamente o filme inteiro. Fiquei entre a Ju e Reinaldo. Ele foi professor de parte da turma que fez o filme e, não sei se é coisa da minha cabeça, parecia não esconder um certo contentamento destacando os inúmeros prêmios que os meninos já tinham ganhado e perguntando um par de vezes no meio do filme mesmo: “Está gostando?”.
Não dava para não estar…

A premissa não foge do clichê do gênero. Turma de jovens se instalam em casa amaldiçoada. O grande trunfo, no entanto, é partir desse ponto comum para contar uma história com cores e texturas genuinamente brasileiras. Mojica ficaria orgulhoso. No passado, um sádico criador de abelhas engravida sua escrava, mata o filho adulto dela e depois é morto pela mãe do bastardo. A alma do escravocrata é presa à do bebê, sacrificado em um ritual no porão da casa, deixando até os dias atuais a prova: um prego cravado no concreto do chão. Claro que os moleques mexem com o que não deve e o caldo entorna. O clima de tensão e terror criado por Dante e Rodrigo não parece ter precedente no cinema recente. Sabiamente fugiram do gore para investir no thriller. Até a Ju, que não se impressiona nada nada com as produções americanas – NEM MESMO COM O ATIVIDADE PARANORMAL COMO ALGUÉM NÃO FICA COM MEDO DAQUELAS ASSOMBRAÇÕES PELAMORDEDEUS? -, ficou sem respirar em vários pontos do Diabo.

A caracterização dos personagens é fantástica: compraria fácil fácil as action figures do Barão do Mel (ele usa uma roupa antiga de apicultor: ao invés da máscara de tela, tem em seu rosto uma espécie de cesta de treliça siniSHtra) e do Bento (o filho adulto morto, que também volta como um zumbi… não desses zumbis walkindeadianos… volta numa pegada vudú haitiano… convocado pelos seus descendentes para conter o Mal). Ixi… será que estou dando spoilers? Vou parar por aqui a parte da história. A interpretação de todos está ótima, canastreando quando tem que canastrear – pra mim, uma deliciosa homenagem aos slashers dos anos 80 – e carregando em realismo quando o bixo tá vino. O destaque fica com Pedro Caetano, um dos parentes de Bento. Em vários momentos, com ele em cena e arma em punho (ó o spoiler… Ó O SPOILER, ANDRÉ), a imagem se convertia em preto e branco na minha mente e via o frame como algo vindo de um filme perdido do Zé do Caixão ou George Romero. Algo em sua presença em tela… em sua bata branca. Não sei dizer.

Já que estamos falando nisso, a fotografia da produção é phoda (entreguei a idade, né? Não se fala mais fotografia hoje, né? É cinematografia, né? SUE ME). Alguns enquadramentos tirados das histórias em quadrinhos quase que reservavam espaços para balões ou recordatórios. A trilha sonora é outro ponto altíssimo. Perfeita para os momentos de tensão. Dissonante… mesclada a incômodos sons quase subliminares de abelhas e outros ruídos indizíveis, mas que seu subconsciente identifica como algo muito ruim.

Com o final do filme e acender das luzes, voltamos ao mundo real e o pulmão voltou a se encher de ar. Dante realmente já não estava na sala. Pensei que tinha concretizado a intenção inicial até voltar a encontrá-lo já na rua, fumando ao lado de Rodrigo e seus amigos. Reinaldo se uniu ao grupo. Os diretores ainda se mostravam inseguros com relação ao roteiro, mas receberam todos os elogios nossos. A história tinha sido muito bem contada. O cansaço acumulado da semana, uma certa timidez nossa e uma cachorrinha idosa que precisava dar mais uma volta na rua para o pipi noturno nos fizeram abandonar a discussão que acompanhávamos como orelhas.

Só no caminho de volta é que nos demos conta: Rodrigo era um dos atores principais de Nerd Of The Dead (Pô… cadê a segunda temporada?) e duas ressalvas com relação ao Diabo. Aqui você pode pular para não saber o final da história. Pulou? Acho que não, né? Afinal você ainda está lendo isso. Bom… TEJE avisado. Ao longo de todo o filme, exaltam a figura de uma personagem feminina poderosíssima chamada Rainha ou Maia. Poxa. Foi uma escorregão meio sério não tê-la usado (ou será que ela aparece em Diabo 2 se um dia sair?). Quando tudo foi pras cucuiA – o filme todo se passa em uma única noite – e a única sobrevivente escapa da casa carregando um novo filho amaldiçoado, poderia ser Malia a aparecer junto com o dia para eliminar o último vestígio do horror. Na minha cabeça, seria uma poderosa entidade azulada, um misto de algum orixá com um tenebroso elfo das sombras. Uma figura que exala ao mesmo tempo bondade e maldade. Uma Nossa Senhora dos perdidos. Uma Galadriel do inferno. Uma Lilith do paraíso. Outro ponto. Até entendo como dialoga com a história do nosso cinema de terror, mas não curti a referência ao diabo no título. Pode ter sido uma decisão comercial ou mesmo a tal homenagem ao passado. Taí uma pergunta a ser feita caso um dia encontrar os jovens (ainda não batem na casa dos 30!!!) e tão promissores diretores.

Ainda sobre promessas… pelo jeito já estão com um curta novo a circular. Loira do Banheiro. Olha só que demais.

Olympia

por Leni Riefenstahl*

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* Helene Bertha Amalie “Leni” Riefenstahl — (1902 – 2003) foi uma cineasta alemã da era nazista, renomada por sua estética. Suas obras mais famosas são os filmes de propaganda que ela realizou para o Partido Nazista alemão. Submetida ao ostracismo na indústria cinematográfica após a guerra, ela se tornou uma fotógrafa e mergulhadora.

Olympia é um filme de propaganda de 1938 documentando os Jogos Olímpicos de Verão de 1936. Muitas técnicas avançadas de cinema foram usadas, que mais tarde tornariam-se os padrões industriais mas que eram fenomenais na época, como ângulos incomuns de câmera, técnicas de edição avançadas, close-ups extremos entre outras coisas. As técnicas usadas são quase universalmente admiradas, mas o filme é controvérsio devido ao seu conteúdo político

Limite

por Mário Peixoto*

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* Mário Rodrigues Breves Peixoto (1908 – 1992) foi um cineasta, roteirista e escritor brasileiro.

Limite foi filmado em 1930 e apresentado pela primeira vez em 17 de maio de 1931, no Cinema Capitólio, localizado na Cinelândia, na cidade do Rio de Janeiro. Foi o único filme escrito e dirigido por Mário Peixoto.

 

Tempos modernos (1936)

por Charles Chaplin*

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*Charles Spencer Chaplin, KBE, mais conhecido como Charlie Chaplin (1889 – 1977), foi um ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Chaplin foi um dos atores mais famosos da era do cinema mudo, notabilizado pelo uso de mímica e da comédia pastelão. É bastante conhecido pelos seus filmes O Imigrante, O Garoto, Em Busca do Ouro (este considerado por ele seu melhor filme), O Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Ribalta, Um Rei em Nova Iorque e A Condessa de Hong Kong.

Modern Times (Tempos Modernos, no Brasil e em Portugal ) é um filme de 1936 dos Estados Unidos do cineasta Charles Chaplin, em que o seu famoso personagem “O Bolly” (The Tramp) tenta sobreviver em meio a tantas recuperaçoes na escola. É considerado uma forte crítica ao Espirito, stalinismo, nazifascismo, fordismo e ao imperialismo, bem como uma crítica aos maus tratos que os empregados passaram a receber durante a Revolução Industrial.

O descobrimento do Brasil

por Humberto Mauro*

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* O Descobrimento do Brasil é um filme brasileiro de Humberto Mauro produzido em 1936, com trilha sonora de Heitor Vila-Lobos. Realizado com o apoio do governo brasileiro pelo Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, e produção do Instituto de Cacau da Bahia sob a orientação do presidente Ignácio Tosta Filho; colaboração e verificação histórica de Edgar Roquette Pinto, Afonso de E. Taunay e Bernardino José de Souza. Foi restaurado em 1997 pelo CTAv/FUNARTE a partir de um contratipo recuperado pela Cinemateca Brasileira. Tosta Filho havia iniciado as filmagens com a direção de Alberto Campiglia mas devido a demora dos trabalhos, Humberto Mauro foi chamado. Segundo ele, ao assumir a direção apenas os atores haviam sido escolhidos e muito pouco havia sido filmado.
Humberto Mauro (1897 – 1983) foi um dos pioneiros do cinema brasileiro. Fez filmes entre 1925 e 1974 sempre com temas regionais.

Tom e Jerry: Barnyard Bunk

por Van Beuren Studios*

“A Grande Depressão atingiu uma fazenda decadente propriedade de um fazendeiro fazendeiro Alfalfalike. Como o velho dorme em sua varanda, os objetos ao seu redor começam a quebrar. /…/ Só então saxofonistas Tom e Jerry aparecem na fazenda. o agricultor é indiferente à sua música (“Ah, não!”), de modo a dupla decide mostrar-lhe como saxofones podem ser úteis. Suas melodias de jazz logo fazem as galinhas do agricultor botar ovos, sua vaca produzir leite, e seus pica-paus cortar madeira para a batida. A música ainda traz para o agricultor uma bela caneca, espumosa de cerveja “. (http://www.cartoonresearch.com/tomjerry/1932.html) Van Beuren da série “Tom e Jerry” foi rebatizada de “Dick and Larry” na década de 1950. É por isso que o cartão de título apresenta este cartoon como “A Dick and Larry Carton”.

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*Van Beuren Studios era um estúdio de animação americano que produziu desenhos animados entre 1928-1937

A série “Tom e Jerry” de Van Beuren  foi rebatizada de “Dick and Larry” na década de 1950.

Superman

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* Os desenhos do Superman produzidos pela Fleischer & Famous na década de 1940 são uma série de dezessete curtas-metragens de animação em Technicolor lançados pela Paramount Pictures e com base no personagem de quadrinhos Superman, tornando-se sua primeira aparição animada.