Manifesto Comunista

por Karl Marx e Friederich Engels*

Um espectro ronda a Europa: o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa se uniram em uma santa campanha difamatória contra ele: o papa e o tsar, Metternich e Guizot, radicais franceses e policiais alemães.

Qual partido de oposição não foi qualificado de comunista por seus adversários no poder? Qual partido de oposição, por sua vez, não lançou de volta a acusação de comunista, tanto a outros opositores mais progressistas quanto a seus adversários reacionários?

Duas conclusões decorrem desse fato:

O comunismo já é reconhecido como força poderosa por todas as potências europeias.

Já é tempo de os comunistas exporem abertamente sua visão de mundo, seus objetivos e
suas tendências, contrapondo assim um manifesto do próprio partido à lenda do espectro do comunismo.

Com este objetivo, reuniram-se em Londres comunistas de várias nacionalidades e esboçaram este Manifesto, que será publicado em inglês, francês, alemão, italiano, flamengo e dinamarquês.

Esta é a introdução ao Manifesto Comunista, publicado em 1848, retirado da edição da Editora Expressão Popular, que pode ser baixada gratuitamente em pdf.

Publicamos por aqui também o capítulo II do Manifesto, Proletários e Comunistas.

O Manifesto Comunista também pode ser baixado em anarquistas.net.

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*Karl Marx (1818 – 1883) foi um intelectual e revolucionário alemão, fundador da doutrina comunista moderna, que atuou como economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista.

Friederich Engels (1820 – 1895) foi um teórico revolucionário alemão que junto com Karl Marx fundou o chamado socialismo científico ou marxismo. Ele foi coautor de diversas obras com Marx, sendo que a mais conhecida é o Manifesto Comunista. Também ajudou a publicar, após a morte de Marx, os dois últimos volumes de O Capital, principal obra de seu amigo e colaborador.

O Manifesto comunista (Das Kommunistische Manifest), originalmente denominado Manifesto do Partido comunista (em alemão: Manifest der Kommunistischen Partei), publicado pela primeira vez em 21 de fevereiro de 1848, é historicamente um dos tratados políticos de maior influência mundial. Comissionado pela Liga dos Comunistas e escrito pelos teóricos fundadores do socialismo científico Karl Marx e Friedrich Engels, expressa o programa e propósitos da Liga. O Manifesto comunista foi escrito no meio do grande processo de lutas urbanas das Revoluções de 1848, chamadas também de Primavera dos Povos, um processo revolucionário de quase um ano que atingiu os principais países Europeus e é uma análise da Revolução Industrial contemporânea a ela. Duas de suas maiores reivindicações foram reformas sociais: a conquista da diminuição da jornada diária de trabalho de doze para dez horas e o voto universal, embora apenas para os homens.

Entre a Foice e o Martelo: 103 anos de Revolução Russa

por Laluña Machado*

Em outubro de 1917, consolidou um processo revolucionário de 30 anos e um dos principais acontecimentos do século XX e da história contemporânea. Eclodia-se a Revolução Russa. Por 300 anos, o país se viu sob o pulso firme do Império Czarista, o mesmo que levou a nação a dimensões continentais e a várias crises. Nesse contexto, praticamente toda a base econômica do país era derivada de métodos quase feudais, levando o Império a abrir as portas para o capital estrangeiro.

No ano de 1914, o mundo assistiu o estopim da Primeira Guerra Mundial, um episódio que desencadeou um enorme desgaste aos russos com saldo de 1,5 milhão de soldados liquidados pela potência bélica alemã. Além disso, a inflação do país disparou e a produção de alimentos praticamente se anulou. Grandes manifestações de trabalhadores ganhavam fôlego, um clima de resistência tomou conta dos populares, levando ao enfraquecimento do Czar.

Em meados de fevereiro de 1917, a cidade de São Petersburgo vivenciou uma crise de abastecimento que acarretou na implementação de um racionamento de alimentos pelo governo czarista, a ocorrência inflamou uma greve geral que teve adesão de tropas militares do Império e em poucos dias sucedeu a derrubada do Czar Nicolau II. Assim, o Duma (Parlamento Russo) estabelece um governo provisório. Tal governo foi composto por membros da elite e marxistas ortodoxos (Mencheviques) que não ansiavam dos mesmos desejos dos trabalhadores como a reforma agrária, combate a inflação, retirada do país da guerra e retomada do laboro. Sob esse contexto os sovietes continuaram a se organizar em conselhos democráticos e começaram a constituir uma espécie de poder concomitante que foi de total importância para a fixação do socialismo no país.

Campesinos ocuparam terras de latifundiários e os proletários passaram a administrar as produções expedindo os burgueses.

Com novos confrontos, os bolcheviques começaram a assentar as mobilizações dos campesinos e proletários, e em outubro de 1917, com o apoio da população, a Revolução Bolchevique valida-se após o abatimento do governo provisório levando a instauração do governo de Vladimir Lênin.

Prometendo pão, terra e paz, Lênin assumiu o comando da Rússia e um dos seus primeiros atos foi retirar o país da Guerra, posteriormente deu inicio a uma reforma agrária, nacionalizou bancos e estatizou comércios e indústrias. Em 1918, foi criado o Exército Vermelho, um braço opressor do estado para sufocar milícias anticomunistas que eram apoiadas pelo Exército Branco, que, por sua vez, era financiado com capital estrangeiro e alguns mencheviques.

Em 1922, a União Soviética se consolida, resultado da convergência de 15 repúblicas com economia e governo associados à Rússia. Após a morte de Lênin, em 1924, Joseph Stalin toma o poder e faz a união socialista se desenvolver economicamente, apesar do isolamento que os países capitalistas estabeleceram com o “Cordão Sanitário”.

Todavia, o Stalinismo foi marcado por medidas totalitárias e centralizadoras. Com mais de 5 milhões de vítimas divididas entre fuzilamentos, campos de trabalho forçado, exílios e prisões, o governo de Stalin se estendeu até sua morte, em 1953, durante a Guerra Fria.

Dicas de leitura:

A Revolução Russa – Roteiro de André Diniz e Arte de Laudo Ferreira

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*Laluña Machado é graduada em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, foi uma das fundadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas “HQuê?” – UESB no qual também foi coordenadora entre os anos de 2014 e 2018. Do mesmo modo, exerceu a função de colaboradora no Lehc (Laboratório de Estudos em História Cultural – UESB) e Labtece (Laboratório Transdisciplinar de Estudos em Complexidade – UESB). Atualmente é membro do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, colaboradora na Gibiteca de Santos e do site Minas Nerds.Sua pesquisa acadêmica tem como foco a primeira produção do Batman para o cinema na cinessérie de 1943, considerando as representações da Segunda Guerra Mundial no discurso e na caracterização simbólica do Homem Morcego. Paralelamente, também pesquisa tudo que possa determinar a formação do personagem em diversas mídias, assim como, sua história e a importância do mesmo para os adventos da cultura nerd. Contato: lalunagusmao@hotmail.com

O itinerário de Sisifo

por Antonio Souza*

Não lido bem com o tempo. Estou ficando velho e o desperdiço como se fosse rico. Para outros a barba grisalha cai bem, não para um negro, não para um pardo. Café amargo. Chegar atrasado e ouvir um interminável sermão, apesar da barba grisalha, me consideram criança. À noite, havia lutado com um sonho, o esforço de aprender juros simples me deixou seco e essa parte seca quis dominar e ordenar o caos do sonho, produzindo um pesadelo, era necessário terminar algo sempre interrompido. Café amargo, a diabetes silenciosa, lá fora, a pressa dos outros. Não chegue atrasado, não se atreva.

No ônibus as pessoas em seus smartphones. Saco o meu caderno de notas . “Olha o velho de boina”. Me olham críticos: “ o velho ainda escreve”. Depois abaixam os olhos para a tela de seus celulares e digitam compulsivamente, ou gritam no viva voz com suas mulheres, repreendem os filhos. Tudo como se fosse um reality em pequena escala. Não é possível que tenham tanto pra falar, tanto para digitar, não, é uma cena. Estamos todos atrasados e todos apenas com um café amargo no estômago. O motorista conversa animadamente com duas mulheres. Chove. – Não chegue atrasado, não se atreva. Estamos todos atrasados. – Não se atreva. Você tem fobia social. Síndrome do pânico. – Não chegue. Não se… Você é rancoroso. E as pessoas nos celulares . Ninguém tem nada a dizer, mastiga-se as palavras, resmunga-se, ninguém ouve. – Não se atreva. Mas foi a chuva, os celulares, o mau sonho, o café amargo. – Não se atreva.

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*Antonio Souza da Cruz é de Surubim, uma cidadezinha do agreste pernambucano, nascido em 1971, muda-se com a família para a periferia de São Paulo em 79. Atualmente trabalha nos Correios. Possui um livro publicado pela editora Patuá, em 2015, O Deus dos Famintos. Sobre seus poemas pode-se dizer que são marcados por duas paisagens principais: o sertão pernambucano e a periferia paulista.

Atemporalidade: O racismo e a discriminação étnica nos Estados Unidos

por Laluña Machado*

Desde o período escravista e a época colonial que perdurou até 1776, os EUA “enfrenta” a questão racial e discriminação étnica em seu território. Os traços de sua história (e de muitos outros países) mostram uma supremacia branca dotada de privilégios e direitos legais ou sancionados exclusivamente. Nativos americanos, asiático-americanos, afro-americanos, latinos, judeus, árabes, irlandeses, poloneses e italianos sofreram e sofrem exclusão étnica, xenofobia e preconceito religioso nas terras do Tio Sam.

Após sua independência – influenciada por ideias Iluministas – e a Guerra de Secessão, o sucesso dos estados do norte, que eram abolicionistas e industrializados mediantes aos estados do sul que eram escravistas e agrários, levaram a formação de classes sociais a partir da consolidação do sistema capitalista em todo o país. A classe trabalhadora engrenava o ciclo vicioso do sistema, uma classe assalariada que é levada ao consumo, principalmente para adquirir bens industrializados e alavancar as condições e permanência burguesa.

Porém, os negros continuavam marginalizados e foco de organizações favoráveis a insulação racial como a Ku Klux Klan (KKK), instituída em 1866 com base reacionária e extremista, que urrava por uma supremacia branca com um discurso antissemita, racial e antinortista. A KKK exercia práticas criminosas como linchamentos, torturas e assassinatos moldados por uma predição de purificação da sociedade estadunidense.

Praticamente um século após o “fim” da KKK, os negros dos EUA ainda eram proscritos pela sociedade, proibidos de frequentar lugares atribuídos a brancos como escolas, universidades e restaurantes, obrigados a se sentarem em lugares específicos nos transportes públicos e não poderiam utilizar os mesmos sanitários que os brancos.

A situação só sofreu algumas mudanças com a eclosão do Movimento pelos Direitos Civis liderado por Martin Luther King e Malcolm X, que tinha como objetivo a igualdade de direitos para a população negra. Após 10 anos do início do Movimento pela equivalência racial, a Lei dos Direitos Civis foi proclamada, eliminando fundamentalmente as leis discriminatórias. Os negros alcançaram direitos, mas continuaram sofrendo preconceito “velado” e estrutural como crimes de intolerância e violência policial, mesmo com a eleição de Barack Obama em 2009, tornando-se o primeiro e até agora único presidente negro dos EUA.

Com a saída de Obama e a eleição de Donald Trump em 2017, o discurso racista e completamente belicoso de face para as minorias acaba ganhando fôlego e locação para os gritos de ódio, neozanistas, neofacistas e xenofóbicos, levando a atos de cólera como o que ocorreu em Charlottesville, uma cidade de 50 mil habitantes situada no estado da Virgínia.

A Marcha de Charlottesville ocorreu em 12 de agosto de 2017 e foi composta por grupos que proclamavam uma hegemonia branca, com discursos inflamáveis que protestavam contra os imigrantes, judeus, homossexuais e negros. O movimento encabeçado por neonazistas e de simpatizantes da KKK, levou a morte da jovem Heather Heyer após ser atropelada por um membro da Marcha.

Esses discursos de ódio ganham mais notoriedade nas redes sociais e na Internet Profunda (DeepWeb), os quais produzem e reproduzem esse tipo de pensamento reacionário. Os mesmos se sentem “blindados” pela tela do computador ou celular, confundindo democracia e liberdade de fala com discurso de ódio, inclusive muitas declarações são propagadas pelo próprio presidente, legitimando a colocação de Umberto Eco: “a internet deu voz a todos, inclusive aos idiotas.” Tais proposições fazem parte de fenômeno neoconservador que não toma conta somente dos EUA, mas de outros países, sobretudo, países que se consideravam evoluídos em relação a esses questionamentos como a Alemanha.

Há poucos dias, o país mostrou mais uma vez sua negligência e completa selvageria com a população negra. George Floyd, de 46 anos, foi morto por um policial branco – Derek Chauvin – nas ruas de Minneapolis no estado de Minnesota. Floyd foi algemado e asfixiado por 8 minutos enquanto as pessoas filmavam o ato bárbaro que viralizou nas redes sociais. A partir daí, grandes manifestações começaram a surgir na cidade pedindo a prisão dos policiais envolvidos no crime, além de levantar debates (mais uma vez) sobre o racismo estadunidense, ainda mais neste momento em que o país, assim como o Brasil, é composto por uma base estatal neofascista.

Os episódios que levantaram um engajamento virtual com a hastag BlackLivesMatter (VidasNegrasImportam), se espalharam pelo país e muitos deles foram apoiados pela força militar e outros foram duramente combatidos, gerando uma onda de violência que teve como consequência direta a prisão de Derek Chauvin. Isso não é o suficiente e nunca será.

Além de constante violência policial (o que também acontece no Brasil) contra a população negra, os Estados Unidos também somam o maior número de mortes por Covid-19 no mundo, mais da metade delas são de pessoas negras. Ou seja, se não mata de forma extremista, mata por ausência de uma política social. O Tio Sam tem se mostrado ativo em relação a discursos neofascistas, sobretudo, após a crise econômica de 2008. Mas se engana quem acha que esse tipo de “comportamento” só se mostra posterior a conflitos, crises diplomáticas, econômicas e humanitárias, “invasões”… já dizia Bertolt Brecht: A cadela do fascismo está sempre no cio.

Dicas de filmes:

Selma – Uma luta pela igualdade. Direção: Ava DuVernay – Roteiro: Paul Webb – 2014

Corra! Direção: Jordan Peele – Roteiro: Jordan Peele – 2017

Estrelas além do tempo – Roteiro: Theodore Melfi, Margot Lee Shetterly, Allison Schroeder – 2012

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*Laluña Machado é graduada em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, foi uma das fundadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas “HQuê?” – UESB no qual também foi coordenadora entre os anos de 2014 e 2018. Do mesmo modo, exerceu a função de colaboradora no Lehc (Laboratório de Estudos em História Cultural – UESB) e Labtece (Laboratório Transdisciplinar de Estudos em Complexidade – UESB). Atualmente é membro do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, colaboradora na Gibiteca de Santos e do site Minas Nerds.Sua pesquisa acadêmica tem como foco a primeira produção do Batman para o cinema na cinessérie de 1943, considerando as representações da Segunda Guerra Mundial no discurso e na caracterização simbólica do Homem Morcego. Paralelamente, também pesquisa tudo que possa determinar a formação do personagem em diversas mídias, assim como, sua história e a importância do mesmo para os adventos da cultura nerd. Contato: lalunagusmao@hotmail.com

Alma não tem cor: uma falsa medida do homem

por Carla Lisboa*

Passadas as “comemorações” sobre o dia em que foi assinada a Lei Áurea, que extingue a escravidão no país (mas não a mentalidade escravista), tudo volta ao “normal”: violência e/ou discriminação racial, racismo, silenciamento, necropolítica… você escolhe, o repertório é vasto. Tudo acaba em extermínio, em invisibilidade social, em uma memória apagada, numa denúncia deslegitimada.

Tá, mas… E daí?

O historiador francês Pierre Norah, propôs um debate importante sobre memória, por ocasião do bicentenário da Revolução Francesa, em 1989, mas também sobre o papel dos arquivos, datas comemorativas, monumentos e do patrimônio do país. O que deve ser preservado, ou esquecido? De qual passado falamos? Quais memórias são dignas de serem levadas adiante? Entre outras questões (e incômodos) levantados por Norah, está a memória como espaço de DISPUTA.

Tá, mas… E daí?

Daí que os debates sobre a desigualdade e a discriminação racial têm data certa no calendário, como se só morressem pretas e pretos no 13 de maio ou no 20 de novembro… É como se afrodescendentes só existissem a partir da perspectiva da miséria, da exclusão social e da violência, e essas duas datas servissem para um mea culpa, mea maxima culpa, mas que, na prática, não muda nada. Mas enfim, Pierre Norah está aí para explicar sobre esse processo de apagamento de memória e como ele acontece. E, apesar de me basear nas reflexões de um historiador europeu e branco, ele ajuda a organizar minhas reflexões sobre o assunto. Em tempo: Isso não quer dizer que não haja outros intelectuais falando sobre isso, mas que é uma escolha minha para falar sobre o tema partir das datas comemorativas, criadas por brancos. É uma discussão longa, válida, necessária, mas que pretendo fazer em outro momento, abordando especificamente intelectuais negros.

Todo lugar de memória é, antes de tudo, um espaço de disputa, não de concessão. Assim como a Lei Áurea não foi uma concessão, mas resultado de uma série de disputas em diversos níveis, seja no aspecto político, econômico e, claro, o social. Para que um grupo social seja lembrado é preciso silenciar o outro, ou “conceder” uma data, monumento, homenagem, para compensar esse silenciamento. Explico: não é uma data para reconhecimento das lutas por liberdade e reconhecimento da humanidade de milhões de pessoas escravizadas, muito menos de seus descendentes. Deveria ser, mas não é. Se houvesse, realmente, uma vontade de reconhecer historicamente a miséria vivida cotidianamente por essas pessoas, hoje, não seria necessário criar essas datas “de reflexão”. Sabe por quê? É simples: porque essas pessoas teriam sido integradas à sociedade depois do glorioso 13 de maio de 1888. Mas quem quer reconhecer que pisou na bola e construiu seu patrimônio financeiro à custa da exploração do trabalho alheio, não é mesmo?

Sem políticas de inserção social, sem acesso à escola e ao aprendizado de outros ofícios (além daqueles que exerceram enquanto escravizados), sem moradia, não haveria muitas alternativas além do alcoolismo, da mendicância, da fome e do subemprego. E nem venha me dizer que alguns conseguiram subir na vida, porque essa exceção só confirma a regra miserável que permanece ainda hoje. E digo mais: estes poucos que “subiram na vida” ou que não são miseráveis, só conseguiram graças ao ocultamento de sua identidade e ancestralidade africana. Só conseguiram o passaporte do sucesso porque se submeteram a uma série de códigos (brancos) de aceitação: modo de vestir, de falar, de se comportar, enfim, se embranquecer como é possível. Uma violência tamanha, que nenhum branco é capaz de imaginar, muito menos de sentir.

Mas, antes que eu me perca, quero evidenciar alguns pontos “nebulosos” sobre o racismo nosso de cada dia. Porque, sim, apesar de não ser branca, eu também cometo erros e tento aprender com eles. É uma luta desgastante, injusta e cheia de armadilhas e devemos estar preparados para elas. É preciso estar atento e forte, já alertava Gal, sob os ventos tropicalistas. E o mundo está cheio de armadilhas, acredite. A primeira delas, quiçá a mais frequente e que me deixa profundamente irritada (e até já adoeci por isso) é o famigerado “Somos todos iguais”. Iguais!? ONDE, alguém me explica?

Agora, neste exato momento de isolamento social, nem todos têm o privilégio de ter uma casa para se isolar, tampouco uma torneira para lavar as mãos. Não deveria ser assim, óbvio que não. Ter empatia e compaixão são indicadores da nobreza das pessoas, mas se esses sentimentos não levam a uma ação efetiva, de pouca valia será a indignação com o racismo. Nossa humanidade nos faz iguais em generosidade, respeito e, até mesmo, na fragilidade com relação às doenças, a solidão e a morte, mas como acreditar nisso com tanta gente dizimada, deslegitimada, desacreditada, calada, presa sem saber por quê? Como acreditar nisso se, quando estamos dizendo que não somos socialmente iguais, embora devêssemos ser, insistem na ideia de vitimismo? Quando vão entender que existe uma história do CONTINENTE AFRICANO anterior à escravidão e que a diáspora negra para o Brasil foi e é cruel porque tira, HOJE, direitos constitucionais dos descendentes de escravizados, porque não têm acesso a eles, como quaisquer outros cidadãos? Como essas pessoas vão ter uma formação e conseguir “ser alguém na vida”, se não conseguem se manter frequentando a escola? Como essas crianças e adolescentes vão se sentir acolhidos e aceitos com TODAS as limitações, traumas e violências sofridas dentro e fora de casa (quando há uma), quando tudo que recebem é julgamento? Se ouvem, desde a mais tenra idade, que são caso perdido, preguiçosos, acomodados, vagabundos?

Somos todos iguais, mesmo? Iguais a quem?

E seu eu te disser que, essa frase contém uma crueldade imensa?

Não somos iguais fisicamente, embora milhares de pessoas maltratem os cabelos para que pareçam lisos; não somos iguais espiritualmente porque muitos de nós têm um sistema de crenças diferente do cristianismo e que cotidianamente é vilipendiado, desprezado, dilapidado e destruído em nome de um Deus (branco) e salvador; não somos iguais filosoficamente porque pensamos o mundo diferentemente, com ênfase no coletivo e em respeito à ancestralidade; Não somos iguais porque ubuntu é muito mais sofisticado, complexo e profundo do que um sistema operacional de computador. Vou ficar por aqui, porque tenho exemplos e cansaço demais para esse espaço.

Numa sociedade extremamente violenta como a brasileira, é curioso observar esse fenômeno: a (falsa) crença de que somos iguais e suas variantes, tais como raça humana, não vejo cor, preto de alma branca, branco de alma negra, ou outra mais espiritual: alma não tem cor. Esta última soa mais cínica aos meus ouvidos. Considerando que há pouco menos de 150 anos, negros não tinham alma, tampouco eram considerados gente, a menos que fossem batizados com um nome cristão, obviamente… isso dói ouvir, sabe? Há quem argumente que se deva superar esse triste passado e buscar uma unidade espiritual, uma unidade branca e cristã, que fique bem entendido.

Então, eu te pergunto: por que deveríamos ser iguais, pasteurizados como um enorme pote de iogurte? Por que AINDA não somos aceitos por ser quem somos, como somos e queremos ser e ainda não podemos ser em plenitude e com dignidade?

Porque existe uma maioria que não quer assumir que tem privilégios. Sim, ser branco no Brasil é privilégio, não porque eu quero, mas porque vivemos num mundo em que aparência é importante. Veja, o código de “normalidade” é ocidental e branco. Não se trata de culpa, mas de responsabilidade social. Dizem que os negros e afrodescendentes não têm educação, são agressivos, irascíveis, histéricos, encrenqueiros, indisciplinados, se vitimizam… Você branco, cristão etc., já questionou sobre o porquê desse comportamento? Se não, deveria. Não estou falando em caridade, mas em fazer autocrítica para ser capaz de aceitar valores, estéticas e formas de expressão artística e religiosa diferentes das suas, para que outras pessoas tenham acesso às oportunidades que você tem. Começa por aí… O primeiro passo é reconhecer os privilégios.

Dói, né? Imagina quando negam o direto de se manifestar sobre a discriminação e violência vividas por causa da cor da pele… Quando um afro-brasileiro diz que determinada postura, fala, brincadeira é racista, não é opinião, nem vitimismo. É uma afirmação que é imediatamente deslegitimada com o mais puro achismo. Racismo não é sobre (sua) opinião, é sobre sua postura com quem é diferente de você, mesmo que você não perceba. Quando alguém lhe disser “isto é racismo”, aceite humildemente e se emende.

Outra coisa: quando acreditamos na ideia de “dar voz às minorias”, na verdade, estamos dizendo que essas pessoas não são capazes de falar por elas mesmas de suas mágoas, frustrações e injustiças sofridas. E isso é silenciá-las mais uma vez. Olha aí, Pierre Norah acenando para mostrar o apagamento simbólico e histórico novamente! Não basta homenagear a cultura negra, exaltar sua beleza e sabedoria ancestral é preciso que ela exista e seja respeitada per se, sem ser esvaziada de significados, tampouco tornado produto. Essa luta é multifacetada e cheia de armadilhas, como já disse. É política, econômica, religiosa, social, semântica, mas também está presente no nível dos afetos, nos ritos cheio de significado e riqueza, nas memórias, histórias e seus múltiplos sentidos. É cruel, porque inviabiliza o discurso de quem mostra o racismo que estrutura nossa sociedade e as redes de relações. É tão grave que foi tornada crime, apesar de banal.

É aqui que nosso compromisso como cidadão deve se reafirmar, principalmente em tempos de terras planas, pistolas e “Zumbi dos Palmares dono de escravos” e outros negacionismos perigosos, do passado e do presente. Esse compromisso, nada fácil de ser mantido, pouco tem a ver com conceder algo que já está previsto na Constituição de 1988. Diz mais sobre como, nas diferenças, todos tenham acesso às mesmas oportunidades e direitos que você tem, desde que nasceu, e muitos nem sabem que existe. É sobre respeitar o ser humano, suas diferenças e, acima de tudo, agir com justiça. Só assim, a diversidade de identidades, credos, cores e crenças farão parte de ser brasileiro verdadeiramente.

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* Carla Lisboa é mestre e doutora em História Social pela Unesp/Assis e professora convidada do Centro Universitário Sagrado Coração. Capricorniana, corinthiana (sem muita convicção), de “de esquerda” e voltou a tricotar na quarentena.

Mas ele diz que me ama – graphic novel de uma relação violenta

por Roberta AR

Uma das coisas mais difíceis para quem está num relacionamento afetivo é admitir que vive uma relação abusiva. Para as mulheres isso é ainda mais complicado, pois somos educadas a encarar a brutalidade dos parceiros como um tipo de amor. Por esses dias, rodou nas redes sociais a foto de uma menina de quatro anos que foi agredida por um colega de escola e teve que levar quatro pontos no rosto. Seria apenas mais uma história de briga entre colegas, se não fosse o comentário do enfermeiro que atendeu o caso e disse para a garotinha que o menino que a agrediu provavelmente tem uma “quedinha” por ela. Desde crianças somos educadas a acreditar que homens amam com violência.

Essa longa introdução é para justificar a resenha desta novela gráfica que já tem quase dez anos de publicação no Brasil, mas acredito ser uma leitura obrigatória: Mas ele diz que me ama – Graphic novel de uma relação violenta, de Rosalind B. Penfold.

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Rosalind, na verdade, é um pseudônimo usado pela autora que decidiu preservar sua privacidade, mas achou fundamental expor passo a passo o desenrolar de uma relação abusiva, a sua própria, como forma de alerta para as mulheres.

Uma publicitária de sucesso, Roz, que tinha sua empresa, um apartamento, entre outras coisas, com apenas 35 anos de idade, começa a se relacionar com Brian, um homem recém viúvo, com quatro filhos pequenos. Uma relação intensa, irresistível, com muitas flores e bilhetes românticos. Os episódios abusivos começam a aparecer já no início da relação, mas ela se recusa a ver, pois o ama e acredita que é um exagero de sua parte, pois ele sempre se desculpa e a “compensa” de alguma forma.

Segundo Rosalind, um relacionamento abusivo é assim: “ Quando conheci Brian, me apaixonei profundamente. Imaginei que viveríamos um romance de conto de fadas. E vivemos… por algum tempo… ATÉ QUE AS COISAS COMEÇARAM A MUDAR. Ignorei as primeiras frustrações, os joguinhos sutis e me recusei a acreditar no que acontecia até perceber que estava afundando em uma areia movediça de ABUSOS VERBAIS, EMOCIONAIS, SEXUAIS e, por fim, FÍSICOS”.

Com um traço simples, direto, fruto dos diários de Roz durante a relação, esse quadrinho vai relatando ao longo das suas mais de duzentas páginas, como podemos nos recusar a ver que estamos numa relação abusiva e como essas feridas vão se intensificando, tornando cada vez mais difícil nos desvencilhar e encerrar o ciclo.

Roz também deixa claro que é fundamental o apoio de pessoas queridas, amigas, amigos e de profissionais, que uma mulher dificilmente consegue sair disso sozinha.
Fruto desse livro, está no ar o site Dragonslippers (o nome original do livro) – Friends of Rosalind, que disponibiliza para impressão uma lista de alertas para quem quiser saber se está vivendo uma relação abusiva ou não (em inglês) e indica instituições de apoio a mulheres que sofrem violência doméstica em várias partes do mundo.

O livro está disponível em nove línguas e ainda está à venda no Brasil, já presenteei algumas amigas com ele recentemente (possivelmente assustei alguma com a HQ, mas achei importante dar).

Acompanhar a história de Rosalind nos faz perceber o como é comum e o quanto é difícil se perceber como protagonista de uma história como essa. No meu caso a coisa é bem estranha, porque ganhei meu exemplar deste livro de um namorado que estava todo empolgado com essa HQ que poderia ajudar tantas mulheres a poupar um longo período de sofrimento, mas que ao mesmo tempo fazia gaslighting comigo, o que demonstra que precisamos estar sempre alerta, pois o machismo é algo que se pratica (ou se reproduz, no caso das mulheres) no piloto automático e muitas vezes não nos damos conta.

 

Mas ele diz que me ama – Graphic novel de uma relação violenta
Rosalind B. Penfold
Ediouro
264 páginas
http://www.dragonslippers.com/

Vamos falar de zines

por Roberta AR

Eu sou da geração pré internet, um tempo que parece um universo paralelo ao que vivemos hoje. Uma coisa que me incomodava bastante naquele tempo (antes da internet) era a ideia bastante difundida por quem trabalhava com produção cultural de diversas áreas de que era impossível para qualquer um fazer um livro, um filme, um disco sozinho. Para quem faz quadrinhos ou escreve, sempre existiu o zine, ou fanzine como era conhecido nos seus primórdios, mas ele era uma publicação menor, de baixa qualidade, nunca teria o mesmo prestígio de uma revista ou seria considerado nas rodas literárias.

Quando a internet se popularizou, esse discurso se inverteu. O que aconteceria a partir de então seria o fim das revistas, livros, filmes, discos. Tudo seria online. Essa previsão apocalíptica fez muitas revistas saírem do mercado, sumiu com os discos de vinil durante um bom tempo, fez com que todo mundo tivesse blogs, fotologs, depois entrar nas redes sociais, e ninguém achou que o zines seriam úteis de novo.

Mas eis que a febre do analógico retorna aos corações e vemos por aí vinis, lomos e, claro, zines também.

Mas o que é zine?

Vamos com a clássica definição da wikipedia: “Fanzine é uma abreviação de fanatic magazine, mais propriamente da aglutinação da última sílaba da palavra magazine (revista) com a sílaba inicial de fanatic. Fanzine é portanto, uma revista editada por um fan (fã, em português). Trata-se de uma publicação despretensiosa, eventualmente sofisticada no aspecto gráfico, podendo enfocar histórias em quadrinhos (banda desenhada), ficção científica, poesia, música, feminismo, vegetarianismo, veganismo, cinema, jogos de computador e videogames, em padrões experimentais.”

O zine mais antigo conhecido no mundo é a ficção científica Cosmic Stories, publicada por Jerry Siegel, com apenas 14 anos de idade. No Brasil, o primeiro zine conhecido é o O Cobra, “Órgão Interno da 1.ª Convenção Brasileira de Ficção Científica” realizada entre 12 e 18 de Setembro de 1965, em São Paulo. No mesmo ano saiu o zine Ficção, publicado em 12 de outubro por Edson Rontani, e foi o primeiro dedicado a quadrinhos.

Primeiro fanzine brasileiro de quadrinhos: Ficção, de 1965

Mas o formato só ficou popular por aqui nos anos 80, com a onda punk e o seu lema Do It Yourself (Faça Você Mesmo), ou apenas DIY. Nesse tempo, o zine era a principal forma de divulgar shows e discos, de distribuir poesias, discussões políticas, fotos e quadrinhos. Com a popularização da internet, surgiu o e-zine, que são publicações distribuídas online. Hoje, muitos zines impressos acabam sendo publicados também na internet.

 

Por que fazer?

Se temos blogs, redes sociais, email, para que fazer um zine hoje em dia? Porque é muito legal poder ter um trabalho impresso, feito do jeito que eu quero, de maneira artesanal. Pode até ser que o que originou os zines fosse a praticidade e o baixo custo para difundir ideias e trabalhos por aí, mas hoje a coisa está bem além disso. Essas publicações se tornaram também objetos de arte e, muitas vezes, a maneira de manipular seu conteúdo também faz parte da brincadeira.

Muitas editoras independentes têm se especializado em fazer zines com impressão de ótima qualidade, em tiragens pequenas, em papéis especiais e montagem artesanal. Aqui vou citar uma com a qual trabalhei e que é conduzida por mulheres. A Pingado-Prés, levada a cabo por Beeanca Muto e Ivy Folha, faz edições com tiragem a partir de quarenta exemplares, encadernadas com todo o cuidado. São publicações com textos, ilustrações e fotografia.

Ainda há espaço para o DIY, mas dá para perceber que tem gente se profissionalizando na edição e publicação de livros artesanais. Já são muitas feiras dedicadas às publicações independentes, que incluem também pequenas editoras de literatura e quadrinhos, como a Feira Plana, Feira Miolos, Feira Dente, MOTIM, Parada Gráfica, e por aí vai.

 

Como fazer?

Como fazer um zine dobrando uma folha de sulfite

Para fazer um zine é preciso primeiro ter a vontade, escolher um tema, que tipo de material usar e o formato. É possível fazer tudo a mão e xerocar depois, ou fazer no computador e imprimir. Cada um escolhe seu caminho.

Separei aqui dois tutoriais simples: um da revista Capitolina e outro da WikiHow. Mas tem muitos mais disponíveis na internet

Um zine em oito passos

O que ler por aí?

Esta é uma introdução sobre o tema aqui no site, porque devemos falar sobre ele mais vezes, sobre gente que faz e sobre publicações. Eu tenho quatro publicações do tipo disponíveis online aqui no Facada X: Uma pessoa asquerosa; Por acaso?, que fiz com a Luda LimaPés – Volume I; e Cabelos – Volume II. A Laura, minha parceira aqui no Minas Nerds, também tem publicações online: Delirium e O mundo é um jogo e eu só tenho mais uma vida. Tem muita coisa na internet, então separamos mais algumas publicações de minas:

Coletivo Girl Gang – zine #1, gangue de 24 artistas

4 x amor,  a junção das inspirações, devaneios e ideias de quatro amigas.

Indigo, de Suzana Maria

Gata Pirata, de Maiara Moreira

SELVÁTIK, colagens de Laíza Ferreira Desenhos e poemas de Jane Gomes

A Ética do Tesão na Pós-Modernidade vol.1   e A Ética do Tesão na Pós-Modernidade vol.2, de Lovelove6

 

Quanto mais gente fizer, mais coisas interessantes teremos para ler. Então, mão à obra.

(publicado originalmente no site MinasNerds)

Facada 69 – Mancala (Boardgames)

Hoje você conhece um jogo dos primórdios da civilização! Mancala pode ser jogado com um tabuleiro ou mesmo com simples buracos no chão e pedrinhas!

Escritoras brasileiras em domínio público

por Roberta AR

A literatura brasileira está entre as artes nacionais mais respeitadas em todo o mundo. Na escola, aprendemos que temos grandes nomes em todos os movimentos literários, mas só não vemos exclusivamente homens quando se fala de produções mais recentes, como se não houvessem romances escritos por mulheres no final do século XIX e início do século XX, por exemplo. As mulheres passam a se tornar invisíveis em pouco tempo, assim, panoramas e antologias acabam nos apagando, ainda hoje, no presente, e deixam apenas as marcas de homens, na sua maioria brancos, na história.

A lista que se segue reúne quatro importantes autoras e alguns de seus trabalhos, que já estão em domínio público. São contos e romances que publicamos aqui no Facada X ao longo dos anos.

 

Maria Firmina dos Reis

Maria Firmina dos Reis nasceu na Ilha de São Luís, no Maranhão, em 11 de março de 1825, falecida em 1917.  Em 1859, ela publicou o romance Úrsula, que teve sua edição bancada pela autora, e, hoje, este livro é considerado o primeiro romance publicado por uma mulher no Brasil. Mas sabemos que muitas mulheres publicaram com pseudônimo ou com o nome do marido ao longo da história, então não podemos nos fiar de que este seja realmente o primeiro, apesar de ser um marco importante da literatura brasileira.

Negra, abolicionista, sua obra é marcada pelo retrato da escravidão pelo ponto de vista dos escravos. Úrsula foi reeditado recentemente em versão impressa e deveria ser uma das obras que estudamos do Romantismo na escola. Outra obra importante da autora é o conto A Escrava, que foi publicado em 1887, na Revista Maranhense.

Leia aqui o primeiro capítulo do romance Úrsula (com pdf para a obra completa)

Leia aqui o conto A Escrava

 

Júlia Lopes de Almeida

Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida, ou apenas Júlia Lopes de Almeida, nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de setembro de 1862, onde também faleceu, em 30 de maio de 1934.

Foi contista, romancista, cronista, teatróloga, poeta, tradutora e jornalista e uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras. Sua obra se mistura com seu ativismo, pois foi bastante atuante no movimento abolicionista. Por muito tempo escreveu às escondidas, pois a literatura não era considerada atividade para mulheres na época. Seu estilo é marcado pela influência do realismo e do naturalismo. Seus trabalhos influenciaram muitos artistas na época, entre eles, Artur de Azevedo.

Leia aqui o primeiro capítulo do romance A falência (com pdf para a obra completa)

Leia aqui o primeiro capítulo do romance A intrusa (com pdf para a obra completa)

Leia aqui o primeiro capítulo do romance Livro das donas e donzelas (com pdf para a obra completa)

Carmen Dolores

Carmen Dolores é o pseudônimo de Emília Moncorvo Bandeira de Melo, nascida em 11 de março de 1852, no Rio de Janeiro, morreu na mesma cidade em 16 de agosto de 1910. Foi uma importante escritora naturalista brasileira.

Sua obra mais famosa é o romance A luta, publicado em folhetim pelo Jornal do Commercio em 1909 e editado posteriormente, em 1911. A obra fala da sobre mulheres que questionam seu papel na família, mas que temem perder segurança social. Lutou pela educação das mulheres, pelo divórcio e foi uma importante jornalista na sua época, chegando a ser a colunista mais bem paga do periódico O País, no fim da vida..

Leia aqui o primeiro capítulo do romance A luta (com pdf para a obra completa)

Leia aqui o conto Lição Póstuma

Maria Benedita Bormann

Nascida em Porto Alegre, em 25 de novembro de 1853, faleceu no Rio de Janeiro, julho de 1895. Era conhecida pelo pseudônimo Délia,  com o qual assinou crônicas, romances, contos. Também atuou como jornalista. Publicou nos principais jornais do Rio de Janeiro.

Sua obra é considerada naturalista, e está entre as duas mulheres representantes do movimento, segundo estudiosos, aos lado de Carmen Dolores. Sua obra retrata mulheres complexas com uma pitada de erotismo, que chocou os críticos da época.

Leia aqui o primeiro capítulo do romance Uma vítima (com pdf para a obra completa)

Leia aqui o primeiro capítulo do romance Duas irmãs (com pdf para a obra completa)

 

Facada 68 – O Pequeno Príncipe (boardgame)

O Pequeno Príncipe é um jogo em que você pontua pelas figuras que consegue trazer para seu planeta… e a grande sacada do jogo é a forma em que as peças são selecionadas! Cada jogador escolhe o próximo a sortear a “tile” e o último será o primeiro da rodada seguinte! Estratégico na medida certa!

Pinturas de Jeanne Hébuterne

por Jeanne Hébuterne*

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Autoportrait (Self Portrait), 1916

 

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Autoportrait (Self-portrait), 1916

 

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Autoportrait (Self-portrait), ca. 1918

 

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La Vieille Dame au Collier ou Portrait d’Eudoxie Hébuterne, 1919

 

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Morte (Death), 1919

 

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Femme au Chapeau Cloche, 1919

 

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Autoportrait (Self-portrait), ca. 1919

 

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Femme au Collier, Modèle de Modigliani (Woman with Necklace, Modiglinani’s Model), s.d.

 

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Portrait de Chaïm Soutine, s.d.

 

* Jeanne Hébuterne (1898 — 1920) foi uma pintora francesa que faz parte do grupo de pintores parisienses de Montparnasse, na década de 1920.

 

veja post em Female Artists in History

saiba o que é Female Artists in History aqui

Facada 67 – No, Thanks! (Boardgames)

Esse é um jogo quase despretensioso, mas que pode ser bastante estratégico na mesa certa. Regras fáceis e boa interação entre os jogadores! Jogo também muito bom para famílias com crianças!

Ah… e um detalhe que pensei ter explicado… e não o fiz! A mesa pode definir quantas rodadas são feitas para definir o placar. Por isso, as partidas podem ser rapidinhas ou até mais longas!

Facada 66 – Rory’s Story Cubes (Boardgames)

Conheça Rory’s Story Cubes, um jogo de contação de histórias, com regras simples e extremamente divertido para crianças! E o melhor: as caixinhas são fáceis de serem encontradas… e em preços bem acessíveis!