E o Sol da Liberdade, em Raios Fúlgidos

por Tiago Penna*

Um dia desses, antes de ontem, foi o dia do meio-ambiente. Provavelmente algumas escolas colocaram seus pupilos para plantarem alguma mudas de árvores, e os jovens pimpolhos, diante da TV, devem ter feito algum tipo de discurso bem bonito, daqueles que todo adulto são, ou pelo menos os pais, querem ouvir. “Devemos proteger o meio ambiente, afinal estamos no meio dele, fazemos parte dele, somos ele, inclusive”. Mas por que será que estes mesmos pimpolhos ao ficarem mais joviais se desviam para as drogas ilícitas ou para o sexo descompromissado, e ao chegarem na fase adulta já estão tão afixionados na gana de ganhar dinheiro (e mais e mais), que se esquecem que o ambiente que nos rodeia também é vivo, e muitas vezes verde.

Por que em nossa sociedade as crianças são tão esquecidas (o que dizer das crianças de rua)?? Por que o verde preocupa se não estamos dispostos a abrir mão de nossos carros, ou dispostos a pressionar o governo a impor às empresas, montadoras de carro, a embutirem um dispositivo que já existe há 15 anos que reduz drasticamente a poluição (ao passo que também diminui a potência do carro e o encarece também um tanto)? Quem ousa ser o primeiro?

Em Campina Grande (“O Maior São João do Mundo”) um promotor de nome engraçado foi ousado: proibiu todo e qualquer tipo de fogueira, argumentando que – após o advento dos celulares – as mesmas não são mais necessárias para anunciarem o nascimento de ninguém. Boa medida, dizem os especialistas, para se proteger o meio ambiente é preciso abrir mão de costumes tradicionais. Eis a moral da história.
É isso que os adultos não entendem, porque seus professores especializados em mercado de trabalho também não compreendem que a vida do planeta inteiro está ameaçada. Enquanto Israel loteia a Lua, e os EUA planejam ir à Marte, a nossa Terra Amada está pedindo socorro, sofrendo, emitindo seus sinais. Semana passada: novo recorde de temperatura na Ásia – Afeganistão e Índia – marcaram 52° de temperatura ambiente. Centenas de pessoas morreram de calor, principalmente mendigos e moradores de rua. Agora não é só o frio que mata em países “emergentes”; paradoxalmente o planeta está em estado de emergência.

E fazer o quê? Além de compartilhar um pouco de informação em um blog coletivo?

Alertar: precisamos mudar de paradigma. O velho e já tradicional modelo de desenvolvimento não está mais dando conta da saúde da Terra e de seus compatriotas. O espelho da ecologia precisa refletir uma nova visão de mundo, uma nova filosofia de gestão de material – humano inclusive, mas não apenas. O que dizer de nossos graduandos engenheiros, alunos de “relações humanas”, quando distinguem pela primeira vez na vida o significado de se ter uma conduta ética, e desconfiam que colar em provas e copiar trabalhos na internet começa a incomodar pelo mau cheiro.

Do meu singelo ponto de vista as crianças continuam com a razão, é preciso preservar. Mas as mesmas precisam ser acompanhadas também em sua juventude transviada e principalmente em sua fase adúltera. Governo não late sozinho. Um cidadão isolado não faz monção. Tentando não ser tão didático assim, nem planfetário (se é que é possível falar de um tema desses sem os sê-los): é o paradigma que precisa ser mudado. São nossos hábitos mentais, culturais, sociais, industriais que precisam mudar. Enquanto é tempo.

Senão, não é que o Monsieur Isaac Newton tinha razão: o mundo pode mesmo acabar em 2060.
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* Tiago Penna é candango, professor de filosofia, videasta, roteirista, produtor e mais outras coisas em audiovisual.

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