No matem el toro! Matem el toreador! (Notas de uma brasiliense lisboeta)


por Flávia Diab*

Lisboa é mesmo uma cidade para se descobrir a todos os minutos de todos os dias. Uma nova rua com um prédio muito estranho, placas escondidas, jardins por de trás dos muros… uma portinha se abre e um grande pátio com coisas incríveis está ali e você nunca soube. Brechós, tascas, becos, grêmios… É uma coisa que nunca se acaba de descobrir.

Eis que agora volta e meia cruzo com um dos mais onipotentes edifícios de Lisboa, a Praça de Touros, mais especificamente, no Campo Pequeno. Esta é uma área da cidade interessante, mas quase completamente desconhecida para mim, nunca fez parte da minha rota habitual.

Mas bem, então, fica no Campo Pequeno. Vou dentro do meu autocarro (o nosso velho conhecido ônibus) e mal aperto o botão de stop (aqui pare é stop. pode?) e me surge às vistas aquele colosso, uma Praça de Touros evidentemente árabe!

Ao contrário da Espanha, as touradas não são tão populares em Portugal. Já foram. Existem hoje país adentro várias praças abandonadas, saudosas pelas práticas das touradas, o que vivamente me faz crer no potencial de modernidade que esse país tem! Os meus colegas antropólogos que me desculpem, mas não me venham com essa de relativização cultural. Como dizia alguém numa música: no matem el toro! matem el toreador!

Viva Portugal! Viva a Praça quase sem Touros!

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*Flávia Diab é brasiliense, produtora cultural, se interessa por cinema, música e atividades terroristas. Mora em Lisboa.
eulisboeta.blogspot.com