“Diga que isso não é verdade, Plucky” ou Porque deixar de assistir ao CQC

por André Rafaini Lopes

Em um episódio do Tiny Toon Adventures, um ratinho, que tinha verdadeira adoração pelo Plucky Duck (versão mirim do Patolino), descobria que seu herói não era tão perfeito como pensava. Ao testemunhar um acesso de baixeza do ícone, arrasado pelo fim da ilusão, pedia com lágrimas nos olhos: “Diga que não é verdade, Plucky! Diga que não é verdade!”.

Pois eu estou meio assim. Explico: o Marcelo Tas quebrou meu coração. Explico ainda mais: como fã do genial Ernesto Varela e ex-aluno do Prof. Tibúrcio, vibrei com a volta do Tas à televisão com o Custe o que Custar (CQC), na Bandeirantes. Formato criado pela televisão argentina, o CQC é um Pânico com muito mais inteligência, acidez, graça e menos garotas de biquini. O programa é realmente impagável.

Bem, foi até que começassem a brincar com coisa séria. Na edição de 14 de abril, com o visível sucesso de audiência (parece que atingiram a meta de 3 pontos no Ibope muito antes do previsto), veio o olho grande da publicidade. Nesse dia, uma vinheta com toda a identificação visual do CQC estampava, antes mesmo dos comerciais, a logo de uma cerveja. Não é preciso muito para entender que a tal bebida quer associar todas as qualidades de inteligência do programa com suas propriedades etílicas e vender aos jovens a idéia de que beber é legal.

Tá, a opinião é careta pra caramba. Eu não poderia ter outra ao saber ao saber que 16% dos adolescentes entre 14 e 17 anos já bebem muito (cinco doses diárias ou mais) e que o índice sobe para 40%, entre 18 e 24 anos. Ora, desses 40%, 53% disseram que por isso enfrentaram problemas de ordem familiar, profissional, etc. Está tudo lá na pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), que dá para ser baixada aqui. Isso é muito sério.

Agora vamos à parte “Diga que não é verdade, Plucky”. Como raios, o Marcelo Tas, engajado do jeito que é e tendo princípios tão sólidos como os tem, poderia apresentar um programa que direta ou indiretamente contribui para esse quadro? Não costumo me manifestar, mas pelo estranhamento, fui ao Blog do Tas. Deixei lá meu comentário. A resposta: “André, nada temos contra cerveja. Nem contra o fato da TV necessitar de patrocinadores para podermos ser remunerados para levar o programa até vocês.” Só. Ponto e vamos seguir em frente. Retruquei no mesmo dia. Outra saída pela tangente: “André, não defendemos ‘causa’ alguma. É apenas um patrocinador do programa. Não vejo mal nenhum em tomar cerveja. Qualquer coisa em excesso é prejudicial. Até ficar navegando na internet.” (Comentários do post
http://marcelotas.blog.uol.com.br/arch2008-04-01_2008-04-15…)
Por tudo o que o caso representa, pensei em fazer a minha parte. Comentários no blog não resolveram. E-mail para a emissora, tampouco. Vou parar de assistir e torcer para que mais o façam.

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2 comentários em ““Diga que isso não é verdade, Plucky” ou Porque deixar de assistir ao CQC

  1. ANDRÉ, POIS FICA AQUI O MEU RESPEITO A SUA INDIGNAÇÃO!! PIOR É QUANDO O BEBUM ATROPELA E TODOS CHORAM E QUEM MORREU, MORREU, PIOR É QUANDO O PAI BEBUM CHEGA E DESCARREGA NA FAMÍLIA E QUEM MORREU, MORREU, PIOR É SABER QUE MEUS HERÓIS MORRERAM DE OVERDOSE E QUE MEUS INIMIGOS ESTÃO NO PODER!! NUNCA ENTENDI DE FATO O: “MEUS HERÓIS MORRERAM DE OVERDOSE”. SE É ALGO LITERAL OU QUE NA REALIDADE O MITO DO HEROÍSMO ESTÁ NA QUANTIDADE DE ÁLCOOL DO DESTEMIDO! 😦

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