Poemas 4

por Antonio Souza*

Esse açucar derramado , tão dificilmente
engendrado na entranha da fruta.
É um açucar desnecessario
doçura inútil e dádiva
mas no mundo de
garras , presa e queixadasnão se ganha batalha
com tal artimanha
Seguir o exemplo do cardo
agudez e espinho para defender a polpa

A fruta se faz plena e vítima

.
Quero morrer em praça pública
como os três tigres tristes
singelamente
como os mendigos
e os balões

.
À beira Tejo as coisas fluem.
O rio da minha aldeia é
mais belo que o Tejo ?
Mormaço e solidão
minha
aldeia
tem mais de mil
anos e é a mesma.
O rio da minha aldeia já
naveguei
O rio que nasce
em minha aldeia é triste
pois não sabe se perder

.

Que substância é essa em que se está submerso
a qual se rumina a cada instante
que substância é essa em que estamos soterrados?
mas
se por acaso fossemos retirados? Gritaríamos,
Rilke? Gritaríamos através de nossas guelras,
gritaríamos para ser outra vez jogados
no peso que nos aterra?

.

*Antonio Souza é poeta e, sobre si, diz: “nasci em Pernambuco, há algum tempo, a não ser por alguns poemas que tenho a pachorra de fazer, sou a pessoa mais sem graça do mundo e não gosto de falar disso”.

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Um comentário em “Poemas 4

  1. são cinco poemas,, dois poemas estão ligados, no verso ” quero morrer em praça pública ” começa um outro poema, quando mandei os textos, como sou péssimo digitador, acabaram juntos.
    Obrigado , Roberta,

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