Bananada 2008

por Roberta AR

Como no ano passado, não consegui chegar no primeiro dia do Bananada, que teve 42 bandas, metade delas de Goiânia. Muita gente pode pensar que é um exagero ter tanta banda local no evento. Não é. O rock goiano tem deixado sua marca e tem uma cara bem definida. Percebi, durante os inúmeros shows, que é possível identificar uma banda da cidade sem mais referências prévias, apenas ouvindo.

O Bananada é um festival que, além de prestigiar a cena local, é aberto a tudo o que há de novo e experimental no rock brasileiro, talvez por isso tenha se tornado o meu favorito. Fico sempre surpresa com algumas atrações escolhidas para integrar o evento.

A primeira banda que assisti foi Abesta, uma dupla de noise nervoso de Florianópolis (!). O show durou cerca de quinze minutos de ruído ensurdecedor e, apesar das manifestações irritadas da platéia, quase ninguém saiu antes da apresentação acabar. Eu adoro noise, curti bastante, mas confesso que tem que ter muita coragem para colocar um show desses no mesmo dia que ia rolar Mallu Magalhães.

Aliás, Mallu foi um show à parte. Trocentas e tantas pessoas lotaram o Martim Cererê só para ver o novo prodígio da música brasileira. Entendo que ela até toque bonitinho e tudo (apesar de não ter conseguido ver o show mega lotado), mas a maioria das pessoas que foram ver o show estavam naquele espírito “atração de circo”. “Tão novinha’, muita gente repetia. Acho uma pena. Tive que rebolar para não ser esmagada por uma turba de adolescentes histéricos que se espremiam achando que o show do Cérebro Eletrônico que estava para começar era o da Mallu. Bem…

Para os desavisados, o Cérebro Eletrônico é composto pelos mesmo integrantes do Jumbo Elektro e fazem um som tão competente quanto. A apresentação teve o som mais perfeitinho do festival e teve aqueles efeitos lúdicos que lembram Flaming Lips.

O último show que vi nesta segunda noite do festival foi o de Diego de Moraes e o Sindicato. Considerado pela organização do evento como a grande promessa de Goiânia, fez um show muito bom. Influências sertanejas, Raul Seixas, Rolli’n Chamas, Hang The Superstars, tava tudo ali no que ele mesmo intitula como rock goiano/cuiabano. Gostei bem mais das músicas dele com a banda, ele tem algumas gravações na internet só voz e violão.

No último dia do festival, comecei minhas audições com Orquestra Abstrata, que é a banda formada pelo Sindicato, com alguns integrantes diferentes, que acompanha o Diego de Moraes. Som instrumental, com influências psicodélicas.

Show divertido, em que dancei à beça, foi o d’A Grande Trepada, rock à billy “origem”. Em seguida foi a vez do Lendário Chucrobillyman, uma monobanda, ou one man band, como preferir. Muito bom! Tem que ser muito rock’n roll para dar conta de um som de responsa sozinho.

Esses foram praticamente todos os shows que vi, outras coisas boas rolaram, outras nem tanto. Mas o melhor do festival foi mesmo A Banda da Eline. Eline é ex-integrante do Hang The Superstars (melhor-banda-goiana-de-todos-os-tempos), que acabou ano passado. Na verdade não é uma banda, mas uma jam session com gente de praticamente todas as bandas da cidade e o repertório foi um tributo ao rock goiano. Teve MQN, Rolli’n Chamas, Mechanichs e, claro, muito Hang The Superstars. Excelente fim de festa.

(do Trabalho de Parto)

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