por Teresa Margarida da Silva e Orta* Leitor prudente, bem sei que dirás ser o melhor método não dar satisfações; mas tenho razão particular, que me obriga a dizer-te, que não culpes a confiança de que me revisto, para nele basta que o natural instinto observe os preceitos da razão, para satisfazer ao ardente desejo, … Continue lendo Prólogo de Aventura de Diófanes
Categoria: TEXTO
Bohemias
por Auta de Souza* A Rosa Monteiro Quando me vires chorar, Que sou infeliz não creias; Eu choro porque no Mar Nem sempre cantam sereias. Choro porque, no Infinito, As estrelas luminosas Choram o orvalho bendito, Que faz desabrochar as rosas. Do lábio o consolo santo É o riso que vem cantando... O riso do … Continue lendo Bohemias
Prefácio de: Fascismo, filho dileto da igreja e do capital
por Maria Lacerda de Moura* Enquanto o homem estiver armado, é um tirano e um covarde. Enquanto não fizer a revolução interior para a realização profunda, ninguém tem o direito de encher a boca com as palavras “revolução social” – porque só pode semear a verdade quem já fez a sua colheita. Quanto ao mais, … Continue lendo Prefácio de: Fascismo, filho dileto da igreja e do capital
Casamento e amor
por Emma Goldman* A noção popular em torno do casamento e do amor é a de que eles são sinônimos, que eles afloram das mesmas razões e preenchem as mesmas carências humanas. Como tantas outras noções populares, também esta não repousa em fatos concretos, mas sob superstições. Casamento e amor não possuem nada em comum; … Continue lendo Casamento e amor
Dói
por Roberta AR Isso dói, já disse. Deixa pra lá, ele me responde. Mas dói, continua doendo. Você é mais forte, ela diz. Tá doendo muito! Olha lá a louca!, ouço o coro. Me afasto, respiro. E vejo alguém que me olha sem julgar. Sozinha. E algo em mim dói menos
Minorias versus maiorias
por Emma Goldman* Se eu fosse resumir a tendência de nossos tempo seu diria: quantidade. A multidão, o espírito de massa,domina tudo, destruindo a qualidade. Nossa vida toda —produção, políticas e educação —, baseia-se em quantidade, em números. O trabalhador, que antes se orgulhava da qualidade e da minúcia de seu trabalho, é substituído por … Continue lendo Minorias versus maiorias
À alma de minha mãe
por Auta de Souza* Partiu-se o fio branco e delicado Dos sonhos de minh’alma desditosa... E as contas do rosário assim quebrado Caíram como folhas de uma rosa. Debalde eu as procuro lacrimosa, Estas doces relíquias do Passado, Para guardá-las na urna perfumosa, Do meu seio no cofre imaculado. Ai! se eu ao menos uma … Continue lendo À alma de minha mãe
Meiguice
por Adelina Lopes Vieira* Deram à linda Clarisse uma gatinha mimosa, tão branca, tão carinhosa, tão engraçada, tão mansa que a encantadora criança por nome lhe pôs — Meiguice. Tinha bom leite ao almoço e biscoitos e bolinhos; dormia em sedas e armarinhos, e ronronava fagueira quando sentia a coleira de fita azul, no pescoço. … Continue lendo Meiguice
Úrsula
por Maria Firmina dos Reis* I Duas almas generosas São vastos e belos os nossos campos; porque inundados pelas torrentes do inverno semelham o oceano em bonançosa calma – branco lençol de espuma, que não ergue marulhadas ondas, nem brame irado, ameaçando insano quebrar os limites que lhe marcou a onipotente mão do rei da … Continue lendo Úrsula
Milagre do Natal
por Lima Barreto* O bairro do Andaraí é muito triste e muito úmido. As montanhas que enfeitam a nossa cidade, aí tomam maior altura e ainda conservam a densa vegetação que as devia adornar com mais força em tempos idos. O tom plúmbeo das árvores como que enegrece o horizonte e torna triste o arrabalde. … Continue lendo Milagre do Natal
Saudade
por Gabriela Frederica de Andrada Dias Mesquita* Da vida na manhã tudo é bonança, Tudo é luz, tudo flor, tudo harmonia: São cantos de suavíssima poesia, Que nos embala em sonhos de esperança. Ri a ventura ao lábio da criança; Da mocidade a alegre fantasia, Escrava da ilusão que a inebria, Em vão busca o … Continue lendo Saudade
Adiamento
por Álvaro de Campos* Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã... Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã, E assim será possível; mas hoje não... Não, hoje nada; hoje não posso. A persistência confusa da minha subjetividade objetiva, O sono da minha vida real, intercalado, O cansaço antecipado e infinito, Um cansaço de … Continue lendo Adiamento
Tenho esperança que…
por Lima Barreto* Certas manhãs quando desço de bonde para o centro da cidade, naquelas manhãs em que, no dizer do poeta, um arcanjo se levanta de dentro de nós; quando desço do subúrbio em que resido há quinze anos, vou vendo pelo longo caminho de mais de dez quilômetros, as escolas públicas povoadas. Em … Continue lendo Tenho esperança que…