Entre a Foice e o Martelo: 103 anos de Revolução Russa

por Laluña Machado*

Em outubro de 1917, consolidou um processo revolucionário de 30 anos e um dos principais acontecimentos do século XX e da história contemporânea. Eclodia-se a Revolução Russa. Por 300 anos, o país se viu sob o pulso firme do Império Czarista, o mesmo que levou a nação a dimensões continentais e a várias crises. Nesse contexto, praticamente toda a base econômica do país era derivada de métodos quase feudais, levando o Império a abrir as portas para o capital estrangeiro.

No ano de 1914, o mundo assistiu o estopim da Primeira Guerra Mundial, um episódio que desencadeou um enorme desgaste aos russos com saldo de 1,5 milhão de soldados liquidados pela potência bélica alemã. Além disso, a inflação do país disparou e a produção de alimentos praticamente se anulou. Grandes manifestações de trabalhadores ganhavam fôlego, um clima de resistência tomou conta dos populares, levando ao enfraquecimento do Czar.

Em meados de fevereiro de 1917, a cidade de São Petersburgo vivenciou uma crise de abastecimento que acarretou na implementação de um racionamento de alimentos pelo governo czarista, a ocorrência inflamou uma greve geral que teve adesão de tropas militares do Império e em poucos dias sucedeu a derrubada do Czar Nicolau II. Assim, o Duma (Parlamento Russo) estabelece um governo provisório. Tal governo foi composto por membros da elite e marxistas ortodoxos (Mencheviques) que não ansiavam dos mesmos desejos dos trabalhadores como a reforma agrária, combate a inflação, retirada do país da guerra e retomada do laboro. Sob esse contexto os sovietes continuaram a se organizar em conselhos democráticos e começaram a constituir uma espécie de poder concomitante que foi de total importância para a fixação do socialismo no país.

Campesinos ocuparam terras de latifundiários e os proletários passaram a administrar as produções expedindo os burgueses.

Com novos confrontos, os bolcheviques começaram a assentar as mobilizações dos campesinos e proletários, e em outubro de 1917, com o apoio da população, a Revolução Bolchevique valida-se após o abatimento do governo provisório levando a instauração do governo de Vladimir Lênin.

Prometendo pão, terra e paz, Lênin assumiu o comando da Rússia e um dos seus primeiros atos foi retirar o país da Guerra, posteriormente deu inicio a uma reforma agrária, nacionalizou bancos e estatizou comércios e indústrias. Em 1918, foi criado o Exército Vermelho, um braço opressor do estado para sufocar milícias anticomunistas que eram apoiadas pelo Exército Branco, que, por sua vez, era financiado com capital estrangeiro e alguns mencheviques.

Em 1922, a União Soviética se consolida, resultado da convergência de 15 repúblicas com economia e governo associados à Rússia. Após a morte de Lênin, em 1924, Joseph Stalin toma o poder e faz a união socialista se desenvolver economicamente, apesar do isolamento que os países capitalistas estabeleceram com o “Cordão Sanitário”.

Todavia, o Stalinismo foi marcado por medidas totalitárias e centralizadoras. Com mais de 5 milhões de vítimas divididas entre fuzilamentos, campos de trabalho forçado, exílios e prisões, o governo de Stalin se estendeu até sua morte, em 1953, durante a Guerra Fria.

Dicas de leitura:

A Revolução Russa – Roteiro de André Diniz e Arte de Laudo Ferreira

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*Laluña Machado é graduada em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, foi uma das fundadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas “HQuê?” – UESB no qual também foi coordenadora entre os anos de 2014 e 2018. Do mesmo modo, exerceu a função de colaboradora no Lehc (Laboratório de Estudos em História Cultural – UESB) e Labtece (Laboratório Transdisciplinar de Estudos em Complexidade – UESB). Atualmente é membro do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, colaboradora na Gibiteca de Santos e do site Minas Nerds.Sua pesquisa acadêmica tem como foco a primeira produção do Batman para o cinema na cinessérie de 1943, considerando as representações da Segunda Guerra Mundial no discurso e na caracterização simbólica do Homem Morcego. Paralelamente, também pesquisa tudo que possa determinar a formação do personagem em diversas mídias, assim como, sua história e a importância do mesmo para os adventos da cultura nerd. Contato: lalunagusmao@hotmail.com

Quinze anos de Facada X

por Roberta AR

Criado como um espaço livre para publicar, por mim e pelo André, o Facada sempre esteve aberto aos nossos amigos e a pessoas que se aproximaram para trocas interessantes. Começamos um ano depois do lançamento do orkut, que ainda era fechado apenas para convidados,  então muito do que foi postado no início deste deste zine eletrônico tem a cara de publicação comum das redes sociais de hoje. Para muita gente, foi a primeira experiência publicando despreocupadamente na internet, alguns até começaram seus próprios blogs depois. Hoje, ainda somos espaço para reflexões, trabalhos autorais, resenhas, e, mais recentemente, listas. E tudo isso está aqui nos nossos arquivos. Ao abrir nossa conta no instagram, nesses tempos de redes muitas, vi que chegamos aos QUINZE ANOS!

É muito tempo desde que criamos o ainda Facada Leite-Moça, um nome aleatório retirado de uma música de Fausto Fawcett, e que acho que foi o nome deste espaço por pelo menos a metade da sua existência. Como somos dinossauros da internet, ainda somos fruto do idealismo do conteúdo livre e compartilhado, por isso decidimos ser um espaço não monetizável e colocamos nossas publicações em licença Creative Commons.

O que nunca fizemos, nesta longa trajetória, foi organizar em um único post todo mundo que já passou por aqui. Não tínhamos feito, porque está aqui agora, os convidados todos para nossa festa de debutante. Além de mim, Roberta AR, e do André Rafaini Lopes, temos esta longa lista. Clique no nome para ver o conteúdo disponível:

Adriano de Almeida

André Francioli

André Gonzales

Antonio Netto

Antonio Souza

Biu

Bruno Azevêdo

Caio Gomez

Casa Locomotiva

Carla Lisboa

Carlos Dowling

Chapamamba

Cicinho Filisteu

Clara do Prado

Cláudo Parentela

DigóesX

Diogo Brozoski

Edgar Raposo

Érica Pierrobon

Evandro Esfolando

Everaldo Maximus

Felipe Marinho

FErio

Fernando Vasconcelos

Flávia Diab

Francisco Zenio

Gabriel Góes

Gabriel Mesquita

Igo Estrela

Jamile Vasconcelos

Juh Oliveira

Juliana Bolzan

Laluña Machado

Lauro Montana

Lilian Sampaio

Luciano Vitoriano

Luda Lima

Maurício Patiño

Mauro Castro

Michel Aleixo

Os Haxixins

Pedro Elias

Rafael Zolis

Raul Córdula

Sebastião Vicente

Stêvz

Thelma Ramalho

Tiago Penna

Túlio Flávio

Valdez

Zefirina Bomba

Atemporalidade: O racismo e a discriminação étnica nos Estados Unidos

por Laluña Machado*

Desde o período escravista e a época colonial que perdurou até 1776, os EUA “enfrenta” a questão racial e discriminação étnica em seu território. Os traços de sua história (e de muitos outros países) mostram uma supremacia branca dotada de privilégios e direitos legais ou sancionados exclusivamente. Nativos americanos, asiático-americanos, afro-americanos, latinos, judeus, árabes, irlandeses, poloneses e italianos sofreram e sofrem exclusão étnica, xenofobia e preconceito religioso nas terras do Tio Sam.

Após sua independência – influenciada por ideias Iluministas – e a Guerra de Secessão, o sucesso dos estados do norte, que eram abolicionistas e industrializados mediantes aos estados do sul que eram escravistas e agrários, levaram a formação de classes sociais a partir da consolidação do sistema capitalista em todo o país. A classe trabalhadora engrenava o ciclo vicioso do sistema, uma classe assalariada que é levada ao consumo, principalmente para adquirir bens industrializados e alavancar as condições e permanência burguesa.

Porém, os negros continuavam marginalizados e foco de organizações favoráveis a insulação racial como a Ku Klux Klan (KKK), instituída em 1866 com base reacionária e extremista, que urrava por uma supremacia branca com um discurso antissemita, racial e antinortista. A KKK exercia práticas criminosas como linchamentos, torturas e assassinatos moldados por uma predição de purificação da sociedade estadunidense.

Praticamente um século após o “fim” da KKK, os negros dos EUA ainda eram proscritos pela sociedade, proibidos de frequentar lugares atribuídos a brancos como escolas, universidades e restaurantes, obrigados a se sentarem em lugares específicos nos transportes públicos e não poderiam utilizar os mesmos sanitários que os brancos.

A situação só sofreu algumas mudanças com a eclosão do Movimento pelos Direitos Civis liderado por Martin Luther King e Malcolm X, que tinha como objetivo a igualdade de direitos para a população negra. Após 10 anos do início do Movimento pela equivalência racial, a Lei dos Direitos Civis foi proclamada, eliminando fundamentalmente as leis discriminatórias. Os negros alcançaram direitos, mas continuaram sofrendo preconceito “velado” e estrutural como crimes de intolerância e violência policial, mesmo com a eleição de Barack Obama em 2009, tornando-se o primeiro e até agora único presidente negro dos EUA.

Com a saída de Obama e a eleição de Donald Trump em 2017, o discurso racista e completamente belicoso de face para as minorias acaba ganhando fôlego e locação para os gritos de ódio, neozanistas, neofacistas e xenofóbicos, levando a atos de cólera como o que ocorreu em Charlottesville, uma cidade de 50 mil habitantes situada no estado da Virgínia.

A Marcha de Charlottesville ocorreu em 12 de agosto de 2017 e foi composta por grupos que proclamavam uma hegemonia branca, com discursos inflamáveis que protestavam contra os imigrantes, judeus, homossexuais e negros. O movimento encabeçado por neonazistas e de simpatizantes da KKK, levou a morte da jovem Heather Heyer após ser atropelada por um membro da Marcha.

Esses discursos de ódio ganham mais notoriedade nas redes sociais e na Internet Profunda (DeepWeb), os quais produzem e reproduzem esse tipo de pensamento reacionário. Os mesmos se sentem “blindados” pela tela do computador ou celular, confundindo democracia e liberdade de fala com discurso de ódio, inclusive muitas declarações são propagadas pelo próprio presidente, legitimando a colocação de Umberto Eco: “a internet deu voz a todos, inclusive aos idiotas.” Tais proposições fazem parte de fenômeno neoconservador que não toma conta somente dos EUA, mas de outros países, sobretudo, países que se consideravam evoluídos em relação a esses questionamentos como a Alemanha.

Há poucos dias, o país mostrou mais uma vez sua negligência e completa selvageria com a população negra. George Floyd, de 46 anos, foi morto por um policial branco – Derek Chauvin – nas ruas de Minneapolis no estado de Minnesota. Floyd foi algemado e asfixiado por 8 minutos enquanto as pessoas filmavam o ato bárbaro que viralizou nas redes sociais. A partir daí, grandes manifestações começaram a surgir na cidade pedindo a prisão dos policiais envolvidos no crime, além de levantar debates (mais uma vez) sobre o racismo estadunidense, ainda mais neste momento em que o país, assim como o Brasil, é composto por uma base estatal neofascista.

Os episódios que levantaram um engajamento virtual com a hastag BlackLivesMatter (VidasNegrasImportam), se espalharam pelo país e muitos deles foram apoiados pela força militar e outros foram duramente combatidos, gerando uma onda de violência que teve como consequência direta a prisão de Derek Chauvin. Isso não é o suficiente e nunca será.

Além de constante violência policial (o que também acontece no Brasil) contra a população negra, os Estados Unidos também somam o maior número de mortes por Covid-19 no mundo, mais da metade delas são de pessoas negras. Ou seja, se não mata de forma extremista, mata por ausência de uma política social. O Tio Sam tem se mostrado ativo em relação a discursos neofascistas, sobretudo, após a crise econômica de 2008. Mas se engana quem acha que esse tipo de “comportamento” só se mostra posterior a conflitos, crises diplomáticas, econômicas e humanitárias, “invasões”… já dizia Bertolt Brecht: A cadela do fascismo está sempre no cio.

Dicas de filmes:

Selma – Uma luta pela igualdade. Direção: Ava DuVernay – Roteiro: Paul Webb – 2014

Corra! Direção: Jordan Peele – Roteiro: Jordan Peele – 2017

Estrelas além do tempo – Roteiro: Theodore Melfi, Margot Lee Shetterly, Allison Schroeder – 2012

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*Laluña Machado é graduada em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, foi uma das fundadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas “HQuê?” – UESB no qual também foi coordenadora entre os anos de 2014 e 2018. Do mesmo modo, exerceu a função de colaboradora no Lehc (Laboratório de Estudos em História Cultural – UESB) e Labtece (Laboratório Transdisciplinar de Estudos em Complexidade – UESB). Atualmente é membro do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, colaboradora na Gibiteca de Santos e do site Minas Nerds.Sua pesquisa acadêmica tem como foco a primeira produção do Batman para o cinema na cinessérie de 1943, considerando as representações da Segunda Guerra Mundial no discurso e na caracterização simbólica do Homem Morcego. Paralelamente, também pesquisa tudo que possa determinar a formação do personagem em diversas mídias, assim como, sua história e a importância do mesmo para os adventos da cultura nerd. Contato: lalunagusmao@hotmail.com

A sociologia na Gotham City de Christopher Nolan

por Laluña Machado*

Nos primórdios da minha pesquisa de TCC, momento em que eu realmente me aprofundei no universo do Homem Morcego, eu comecei a me questionar sobre certos aspectos da formação do Batman e de todo o contexto no qual Gotham se apresenta (sempre). Com leituras teóricas, observando melhor os quadrinhos, levando outros filtros de interpretação para os filmes, analisando melhor as mudanças de discurso de acordo ao contexto de produção e a mídia na qual ele estava inserido, eu comecei a me perguntar: Gotham que precisa do Batman ou Bruce Wayne que precisa do Batman?

Levando em consideração toda a mitologia e o universo ficcional que compõem o Cruzado Encapuzado, é meio difícil responder isso de forma concreta. Sobretudo, porque é um personagem que fará 80 anos em 2019, que foi adaptado por vários meios de comunicação e isso influência (e muito) no que ele representa naquele momento. Porém, quando separamos certas produções ou arcos narrativos podemos chegar a conclusões inquietantes. Foi o que eu senti quando vi a trilogia de filmes do Nolan pela 234233543 vez, mas agora eu tinha outros filtros de interpretação.

No primeiro filme, Batman Begins (2005), que é uma produção que tem muitas influências do Batman: Ano Um de Frank Miller, o diretor procurou mostrar todo um prólogo da construção de Bruce Wayne/Batman (Christian Bale). Apresentando valores morais, medos, raivas, confusões, sobretudo, a motivação do bilionário em se vestir de preto à noite para pendurar pessoas em prédios, que segundo ele, será para se tornar um símbolo incorruptível. Todavia, parece que o pequeno Bruce passou anos se isentando totalmente da construção social de Gotham, não leva adiante trabalhos comunitários e até de infraestrutura que seu pai Thomas Wayne (Linus Roache) havia aplicado na ilha, como a linha de trem que foi construída por Thomas que ainda ressalta: Gotham sempre foi boa para nós.

Bruce Wayne cresce, some, rouba a própria corporação, é preso, treina, deixa a maior empresa da cidade nas mãos de acionistas com foco em contratos com o governo, e agora, já não se fala mais no legado social do Dr. Thomas Wayne, só há culpa e raiva. Bruce retorna, mas prefere usar a empresa para compor o seu lado em forma de morcego em vez de ser um verdadeiro Wayne e, claro, um gestor.

Em O Cavaleiro das Trevas (2008) as consequências sociais provocadas pela obsessão de Bruce em se vestir de preto à noite se agravam. As Indústrias Wayne é realmente a maior empresa de Gotham, “um império” que não é visto por seu único herdeiro de forma mais atenciosa, com isso, as pessoas que tomam a frente de uma administração que monopoliza praticamente tudo na ilha, consequentemente leva ao sufocamento da livre concorrência e os micros empresários não conseguem se manter, ainda mais considerando uma alta carga tributária que para as Indústrias Wayne não é nada. Além do mais, a corporação também monopoliza mão de obra especializada, ou seja, aquele cidadão que não tem ensino superior ou um técnico e muito menos condições de pagar um, ficará desempregado tanto por não se encaixar no quadro de funcionários Wayne quanto daquele pequeno empreendedor que já não existe mais.

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Em pouco tempo a taxa de desemprego aumenta, algumas pessoas conseguem ir embora da cidade, mas outras não tem a mesma sorte e sem opções se integram a criminalidade e a Máfia que é chefiada por Moroni (Eric Roberts). A Máfia nesse momento precisa se manter hegemônica e para tanto, precisa manter as pessoas “certas” dentro dos poderes legislativo, judiciário e executivo. Pessoas que estão ao lado do agora Comissário Gordon (Gary Oldman) e do Promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart) que viria a ser vítima desse sistema de corrupção e se tornaria o Duas Caras. O caos se instala ainda mais em Gotham quando o Coringa (Heath Ledger) ganha poder e notoriedade afirmando que o próprio Batman trouxe a loucura para os gothamitas.

A película chega ao fim dando a entender que o Coringa foi preso no Asilo Arkham, um manicômio que não recupera ninguém e que era liderado pelo Espantalho (Cilliam Murphy), com o Duas Caras servindo como uma espécie de mártir e uma representação de justiça que Gotham nunca teve e o Batman sendo caçado pela GCPD.

Na sequencia com o filme O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) esse debate se confirma. Após a morte de Harvey e a implementação de uma lei mais rigorosa que não permite condicional para criminosos que se encaixarem nela, tal lei é baseada num imolado que nunca existiu e que aumentou a população carcerária em Blackgate sem dado algum de ressocialização dessas pessoas. Além disso, o Batman se aposenta por 8 anos e Bruce permanece numa reclusão mais um vez, só que agora em uma das alas da mansão Wayne.

A taxa de criminalidade diminui segundo o policial Blake (Joseph Gordon-Levitt), mas as políticas sociais não mudam, principalmente quando se ouve o relato de uma criança do orfanato dizendo que quando ficar maior terá que sair e procurar trabalho, contudo, o único trabalho que há em Gotham nesse momento é nos esgotos. Bane (Tom Hardy) recruta os jovens para posteriormente roubar armamento das Indústrias Wayne, armamento esse, que era utilizado pelo Batman. Até então, a cidade já não precisava do Batman, mas precisa do Bruce. Um Bruce que deveria se preocupar se a Fundação Wayne ainda estava passando as doações para esse orfanato, mas segundo Blake, há tempos que isso não acontecia. E mais uma vez tudo na ilha foge ao controle das autoridades e Bruce “precisa” vestir o uniforme novamente para combater o que poderia ter sido evitado por ele mesmo (mas também não deixo de pensar que se ele resolvesse tudo como Bruce eu não teria material de pesquisa)

Com isso tudo que foi apresentado, eu pergunto novamente: É Gotham que precisa do Batman ou Bruce Wayne que precisa do Batman?

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*Laluña Machado é graduada em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, foi uma das fundadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas “HQuê?” – UESB no qual também foi coordenadora entre os anos de 2014 e 2018. Do mesmo modo, exerceu a função de colaboradora no Lehc (Laboratório de Estudos em História Cultural – UESB) e Labtece (Laboratório Transdisciplinar de Estudos em Complexidade – UESB). Atualmente é membro do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, colaboradora na Gibiteca de Santos e do site Minas Nerds.Sua pesquisa acadêmica tem como foco a primeira produção do Batman para o cinema na cinessérie de 1943, considerando as representações da Segunda Guerra Mundial no discurso e na caracterização simbólica do Homem Morcego. Paralelamente, também pesquisa tudo que possa determinar a formação do personagem em diversas mídias, assim como, sua história e a importância do mesmo para os adventos da cultura nerd. Contato: lalunagusmao@hotmail.com