por Auta de Souza* Minh’alma vai cantar, alma sagrada! Raio de sol dos meus primeiros dias... Gota de luz nas regiões sombrias De minha vida triste e amargurada. Minh’alma vai cantar, velhinha amada! Rio onde correm minhas alegrias... Anjo bendito que me refugias Nas tuas asas contra a sina irada! Minh’alma vai cantar... Transforma o … Continue lendo A minha avó
Categoria: TEXTO
A chalga do meu coração
por Roberta AR Um dia cheguei no trabalho contando de um show do Varukers que tinha assistido no Conic (quem é de Brasília sabe que esta sempre foi uma quadra underground, um pouco menos agora que começa a ser gentrificada por hipsters, lojas de vinis e coisas do tipo). Uma colega, assustada, me disse que … Continue lendo A chalga do meu coração
Acho que ele me chamou
por Roberta AR Acho que ele me chamou de novo. Será que foi ele? Vou lá olhar. Está dormindo, deve ter sonhado algo. Tão bonito assim, dando risadinha sonhando. Estou cansada, não consigo falar frases compostas mais. O pensamento não acompanha. Nunca mais uma noite com mais de cinco horas de sono consecutivas. E essas … Continue lendo Acho que ele me chamou
Ah, Onde Estou
por Álvaro de Campos* Ah, onde estou onde passo, ou onde não estou nem passo, A banalidade devorante das caras de toda a gente! Ah, a angústia insuportável de gente! O cansaço inconvertível de ver e ouvir! (Murmúrio outrora de regatos próprios, de arvoredo meu.) Queria vomitar o que vi, só da náusea de o … Continue lendo Ah, Onde Estou
Feminismo? Caridade?
por Maria Lacerda de Moura* A palavra "feminismo", de significação elástica, deturpada, corrompida, mal interpretada, já não diz nada das reivindicações feministas. Resvalou para o ridículo, numa concepção vaga, adaptada incondicionalmente a tudo quanto se refere à mulher.Em qualquer gazela, a cada passo, vemos a expressão "vitórias do feminismo" – referente, às vezes, a uma … Continue lendo Feminismo? Caridade?
A estrela da bonança
por Delminda Silveira* O mar estava negro, e negro estava o Céu. Temerosas vagas erguiam-se à altura dos rochedos, onde se despedaçavam com pavoroso fragor, espumantes de ameaçadora fúria. Impelidos pelo tufão, corriam no espaço escuros nimbos semelhando enormes abutres pairando por sobre abismos insondáveis. A natureza toda parecia envolta no lutuoso véu da morte. Deus! … Continue lendo A estrela da bonança
Uma vítima
por Délia* I Na sala de um dos melhores colégios de meninas desta Corte, acham-se: a diretora, francesa de quarenta anos, simpática e amável e o Dr. Caetano Pinto, distinto jurisconsulto, deputado geral, fisionomia inteligente, fronte altiva, maneiras irrepreensíveis – perfeito gentleman. - Sua filha é um tesouro, senhor, e foi a minha melhor discípula, … Continue lendo Uma vítima
A ditadura do trabalho morto
por Grupo Krisis* Um cadáver domina a sociedade – o cadáver do trabalho. Todas as potências do globo estão coligadas em defesa desta dominação: o Papa e o Banco Mundial, Tony Blair e Jörg Haider, sindicatos e empresários, ecologistas alemães e socialistas franceses. Todos eles só têm uma palavra na boca: trabalho, trabalho, trabalho. Cada … Continue lendo A ditadura do trabalho morto
DE CARA NOVA
Em junho, o Facada X completa 12 anos. DO-ZE-A-NOS, companheiro. Pensa que nóis é moleque? Bão… no frigir dos ovos, a gente sAmos. Moleques e molecas, com orgulho! Pra marcar o aniversário antecipado daremos uma atualizada no visual do blog. A ideia é ressaltar a cara de zine eletrônico, inclinação sempre tida e nunca assumida … Continue lendo DE CARA NOVA
Femina
por Roberta AR Voltei a menstruar. Depois de dois anos e meio. Uma gravidez no início desse período e amamentação até agora. São muitas doses de hormônios de todos os tipos nesse intervalo, dos que mexem com o corpo todo e fazem ser suportável todas as mudanças pelas quais passei, é essa mesma a função … Continue lendo Femina
Se eu lhe contasse: um retrato acabado de Picasso
por Gertrude Stein* Se eu lhe contasse ele gostaria. Ele gostaria se eu lhe contasse. Ele gostaria se Napoleão se Napoleão gostasse gostaria ele gostaria. Se Napoleão se eu lhe contasse se eu lhe contasse se Napoleão. Gostaria se eu lhe contasse se eu lhe contasse se Napoleão. Gostaria se Napoleão se Napoleão se eu lhe … Continue lendo Se eu lhe contasse: um retrato acabado de Picasso
O mundo de Lísias: estranho, familiar
por Adriano de Almeida* O mundo de Ricardo Lísias é um continuum entre Rio, São Paulo e as grandes capitais contemporâneas. É um lugar péssimo, onde reina a estupidez mais medonha, e onde os estetas, senhores do bem e do mal, regozijam-se em converter em alegria a realidade insolitamente desumana. narrativa contemporânea O insolitamente desumano, … Continue lendo O mundo de Lísias: estranho, familiar
À nuvem
por Júlia da Costa* Clara nuvem que corres no espaço Entre um tíbio, mentido esplendor, Onde vais desvairada e sem norte Já perdendo o nativo candor? Qual a ave fugida do ninho, Qual um beijo ligeiro de amor? P’ra que climas longínquos te volves Com tão diva e gentil formosura? Sobre as asas da brisa … Continue lendo À nuvem