por Machado de Assis * (Conferência do cônego Vargas) Meus senhores, Antes de comunicar-vos uma descoberta, que reputo de algum lustre para o nosso país, deixai que vos agradeça a prontidão com que acudisses ao meu chamado. Sei que um interesse superior vos trouxe aqui; mas não ignoro também, - e fora ingratidão ignorá-lo, - … Continue lendo A sereníssima República
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A luta
por Carmen Dolores* Capítulo 1 Casava-se a Celina, filha mais velha da D. Adozinda Ferreira, quarentona bem conservada, e todo o velho e pequeno hotel familiar para convalescentes: os Abelos ares! debruçado à beira do morro de Santa-Teresa, como a mirar a esplêndida vista da cidade, em baixo, aparecia rejuvenescido e embelezado pela abundância de festões … Continue lendo A luta
Charneca em flor
por Florbela Espanca* 1931 Amar, amar; amar; amar siempre y con todo El ser y con la tierra y con el cielo, Com lo claro del sol y lo obscuro del lodo. Amar por toda ciencia y amar por todo anhelo. Y cuando la montana de la vida Nos sea dura y larga, y alta, … Continue lendo Charneca em flor
Consciência de Classe
por Georg Lukács* Capítulo I "Não se trata do que tal ou qual proletário ou mesmo o proletariado inteiro se represente em dado momento como alvo. Trata-se do que é o proletariado e do que, de conformidade com o seu ser, historicamente será compelido a fazer. " Marx, A Sagrada Família . Infelizmente, para a teoria … Continue lendo Consciência de Classe
O quê? Valho Mais que uma Flor
por Alberto Caeiro* O quê? Valho mais que uma flor Porque ela não sabe que tem cor e eu sei, Porque ela não sabe que tem perfume e eu sei, Porque ela não tem consciência de mim e eu tenho consciência dela? Mas o que tem uma coisa com a outra Para que seja … Continue lendo O quê? Valho Mais que uma Flor
A esfinge sem segredo
por Oscar Wilde* UMA ÁGUA FORTE Achava-me numa tarde sentado no terraço do Café Paz, contemplando o fausto e a pobreza da vida parisiense, a meditar, enquanto bebericava o meu vermute, sobre o estranho panorama de orgulho e miséria que desfilava diante de mim, quando ouvi alguém pronunciar o meu nome. Voltei-me e dei com … Continue lendo A esfinge sem segredo
Loucura divina
por Castro Alves* — "Sabes que voz é esta?" Ela cismava!... — "Sabes, Maria? — "É uma canção de amores. Que além gemeu!" — "É o abismo, criança!..." A moça rindo Enlaçou-lhe o pescoço: — "Oh! não! não mintas! Bem sei que é o céu!" — "Doida! Doida! É a voragem que nos chama!..." — … Continue lendo Loucura divina
O indivíduo, a sociedade e o estado
por Emma Goldman* A dúvida reina no espírito dos homens, pois nossa civilização treme em suas bases. As instituições atuais não mais inspiram confiança e os mais inteligentes compreendem que a industrialização capitalista vai contra os próprios objetivos que diz perseguir. O mundo não sabe como sair disso. O parlamentarismo e a democracia periclitam e … Continue lendo O indivíduo, a sociedade e o estado
De cima para baixo
por Artur Azevedo* Naquele dia o ministro chegou de mau humor ao seu gabinete, e imediatamente mandou chamar o diretor-geral da Secretaria. Este, como se movido fosse por uma pilha elétrica, estava, poucos instantes depois, em presença de sua excelência, que o recebeu com duas pedras na mão. - Estou furioso! - exclamou o … Continue lendo De cima para baixo
Cantata à morte de Inês de Castro
por Bocage* As filhas do Mondego a morte escura, Longo tempo, chorando, memoraram. CAMÕES, Lusíadas. Canto 3, cxxxv Longe do caro Esposo Inês formosa Na margem do Mondego As amorosas faces aljofrava De mavioso pranto. Os melindrosos, cândidos penhores Do tálamo furtivo, Os filhinhos gentis, imagem dela, No regaço da mãe serenos gozam O sono … Continue lendo Cantata à morte de Inês de Castro
Do modo de manter cidades ou principados que, antes de ocupados, se governavam por leis próprias
por Nicolau Maquiavel*Quando são conquistados Estados que se habituaram a governar-se por leis próprias e em liberdade, por três modos se pode conservar a posse: primeiro - arruiná-los; segundo - ir morar neles; terceiro - deixar que vivam com suas leis, arrecadando um tributo e criando um governo de poucos, que se mantenham amigos nesse governo, … Continue lendo Do modo de manter cidades ou principados que, antes de ocupados, se governavam por leis próprias
A orgia dos duendes
por Bernardo Guimarães* I Meia-noite soou na floresta No relógio de sino de pau; E a velhinha, rainha da festa, Se assentou sobre o grande jirau. Lobisome apanhava os gravetos E a fogueira no chão acendia, Revirando os compridos espetos, Para a ceia da grande folia. Junto dele um vermelho diabo Que saíra do antro … Continue lendo A orgia dos duendes
Joana
por Roberta AR Hoje, vi a Joana depois de muito tempo. Ela estava com cabelo curto, uma clutch preta com detalhes prateados e uma bota de couro muito elegante, também preta, por baixo de sua longa saia da mesma cor. Apesar de ser a mesma pessoa, achei diferente da figura que sempre vi pelas quadras … Continue lendo Joana