por Franz Kafka* Diante da Lei está um guarda. Vem um homem do campo e pede para entrar na Lei. Mas o guarda diz-lhe que, por enquanto, não pode autorizar lhe a entrada. O homem considera e pergunta depois se poderá entrar mais tarde. - "É possível" – diz o guarda. - "Mas não agora!". … Continue lendo Diante da Lei
Categoria: TEXTO
Conhecem?
por Lima Barreto* Eu não sei que mania se meteu na nossa cabeça moderna de que todas as dificuldades da sociedade se podem obviar mediante a promulgação de um regulamento executado mais ou menos pela coação autoritária de representantes do governo. Nesse caso de criados, o fato é por demais eloquente e pernicioso. Por que … Continue lendo Conhecem?
Um Homem Célebre
por Machado de Assis* - AH! o senhor é que é o Pestana? perguntou Sinhazinha Mota, fazendo um largo gesto admirativo. E logo depois, corrigindo a familiaridade: - Desculpe meu modo, mas. .. é mesmo o senhor? Vexado, aborrecido, Pestana respondeu que sim, que era ele. Vinha do piano, enxugando a testa com o lenço, … Continue lendo Um Homem Célebre
Um cadáver de poeta
por Álvares de Azevedo* Levem ao túmulo aquele que parece um cadáver! Tu não pesaste sobre a terra: a terra te seja leve! L. Uhland I De tanta inspiração e tanta vida Que os nervos convulsivos inflamava E ardia sem conforto.. . O que resta? uma sombra esvaecida, Um triste que sem mãe agonizava... Resta … Continue lendo Um cadáver de poeta
Descripção verdadeira de um paiz de selvagens nús, ferozes e cannibaes, situado no novo mundo América, desconhecido na terra de Hessen antes e depois do nascimento de Christo, até que, há dois annos, Hans Staden de Homberg, em Hessen, por sua própria experiência, o conheceu e agora a dá à luz pela segunda vez, diligentemente augmentada e melhorada
por Hans Staden* . * Hans Staden (Homberg (Efze), c. 1525 — Wolfhagen, c. 1579) foi um aventureiro mercenário alemão. Por duas vezes Staden passou pela América Portuguesa no início do século XVI, onde teve oportunidade de participar de combates na Capitania de Pernambuco e na Capitania de São Vicente, contra corsários franceses. Este é … Continue lendo Descripção verdadeira de um paiz de selvagens nús, ferozes e cannibaes, situado no novo mundo América, desconhecido na terra de Hessen antes e depois do nascimento de Christo, até que, há dois annos, Hans Staden de Homberg, em Hessen, por sua própria experiência, o conheceu e agora a dá à luz pela segunda vez, diligentemente augmentada e melhorada
Quando as coisas não funcionam
por Mauro Castro* Fui atender a uma solicitação de táxi em um motel. Parei em frente ao apartamento indicado, liguei o taxímetro e esperei. Primeiro desceu um senhor bem vestido, cerca de 50 anos. Ele embarcou na frente e, antes que fechasse a porta, pedi que apagasse o cigarro. O homem virou uma arara. Ficou … Continue lendo Quando as coisas não funcionam
Espanquemos os pobres!
por Charles Baudelaire* Durante quinze dias confinei-me em meu quarto e me cerquei de livros que estavam na moda naqueles tempos (há dezesseis ou dezessete anos); quero falar de livros em que se trata da arte de tornar os povos felizes, sábios e ricos em vinte e quatro horas. Tinha eu digerido – engolido, quero … Continue lendo Espanquemos os pobres!
amanhã eu vou lá hoje
por Biu* 2011 agora é só um rastro: a sobra da sombra do vácuo. fogo fátuo. o lastro com que se mede o fato de que o amanhã não é de ninguém. à meia noite os dias vêm: vão, chão, clarabóia, janela, porta, calçada, estrada, passagem para o além. à meia noite hoje é ontem. … Continue lendo amanhã eu vou lá hoje
Zefirina Bomba em vinil
por Roberta AR e Biu* Adoro quando bandas queridas decidem lançar suas gravações em vinil, um formato que me obriga a sentar e dispor de um tempo para ouvir, além de ter seu lugar privilegiado na estante de casa. A notícia desse lançamento não podia ser melhor: Zefirina Bomba lança seu primeiro 7 polegadas em vinil. … Continue lendo Zefirina Bomba em vinil
Carro é trabalho
por Roberta AR Cabeça, tronco e rodas. Essa é a descrição de um ser humano considerado normal em Brasília (e grande parte do mundo). Por ter tanta gente obcecada por carro a minha volta, cada dia tenho menos interesse em tirar a carta de motorista. Pela minha rotina, carro não é uma coisa indispensável, entendo … Continue lendo Carro é trabalho
Poemas 2
por Antonio Souza* Substância A metafísica e o medo construções suaves e diáfanas carne sutilíssima para esconder-nos o osso Surge o cristal, pedra que aprsiona e que toma o nome daquilo que apodrece Mas, dentro, após o tutano, muito além, talvez possamos encontrar o caroço, logo abaixo, sob o pantâno hiernando em seu exílio, abaixo … Continue lendo Poemas 2
Saiba morrer o que viver não soube
por Bocage* Meu ser evaporei na lida insana do tropel de paixões que me arrastava. Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava em mim quase imortal a essência humana. De que inúmeros sóis a mente ufana existência falaz me não dourava! Mas eis sucumbe Natureza escrava ao mal, que a vida em sua origem … Continue lendo Saiba morrer o que viver não soube
Uma árvore de natal e um casamento
por Fiódor Dostoiévski* Um dia destes, vi um casamento... mas não, prefiro falar-vos de uma árvore de Natal. Achei o casamento bem bonito, mas a árvore de Natal me agradou mais. Nem sei como, olhando para o casamento, me lembrei da árvore. Eis como o caso se passou. Há cerca de cinco anos fui convidado, … Continue lendo Uma árvore de natal e um casamento