por Aleister Crowley* 1. Nu! o esconder de Hadit. 2. Vinde! todos vós, e aprendei o segredo que ainda não foi revelado. Eu, Hadit, sou o complemento de Nu, minha noiva. Eu não sou estendido e Khabs é o nome de minha Casa. 3. Na esfera eu sou em todo lugar o centro, enquanto ela, a … Continue lendo Liber al vel legis – II
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Não as matem
por Lima Barreto* Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida, é um sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens: o domínio, quand même, sobre a mulher. O caso não é único. Não há muito tempo, em dias de carnaval, um rapaz atirou … Continue lendo Não as matem
Pobres liberais!
por Artur Azevedo* Foi no tempo do Império. O notável político Dr. Francelino Lopes, sendo presidente de uma província cujo nome não mencionarei para não ofender certas suscetibilidades, aliás mal entendidas, resolveu, aquiescendo ao desejo dos chefes mais importantes do partido conservador (era o que estava de cima), fazer uma grande excursão por todo o … Continue lendo Pobres liberais!
Ode ao burguês
por Mário de Andrade* Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,O burguês-burguês!A digestão bem feita de São Paulo!O homem-curva! o homem-nádegas!O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,É sempre um cauteloso pouco-a-pouco!Eu insulto as aristocracias cautelosas!Os barões lampeões! os condes Joões! os duques zurros!Que vivem dentro de muros sem pulos;E gemem sangues de alguns milréis fracosPara dizerem … Continue lendo Ode ao burguês
Mãe penitente
por Castro Alves* "Ouve-me, pois!… Eu fui uma perdida;Foi este o meu destino, a minha sorte…Por esse crime é que hoje perco a vida,Mas dele em breve há de salvar-me a morte!"E minh'alma, bem vês, que não se irrita,Antes bendiz estes mandões ferozes.Eu seria talvez por ti maldita,Filho! sem o batismo dos algozes!"Porque eu pequei… … Continue lendo Mãe penitente
A volta
por Lima Barreto* O governo resolveu fornecer passagens, terras, instrumentos aratórios, auxílio por alguns meses às pessoas e famílias que se quiserem instalar em núcleos coloniais nos Estados de Minas e Rio de Janeiro. Os jornais já publicaram fotografias edificantes dos primeiros que foram procurar passagens na chefatura de polícia. É duro entrar naquele lugar. … Continue lendo A volta
Cabelo no ralo
por Roberta AR O ralo do chuveiro estava cheio de cabelos vermelhos da visita que ele recebeu no fim de semana. Ela tomou seu banho mesmo assim, era tudo o que precisava depois de chegar de viagem. Em pouco tempo ele não morará mais ali e aquilo que antes nunca incomodou a deixou profundamente irritada. … Continue lendo Cabelo no ralo
Deus criou-me para criança, e deixou-me sempre criança
por Fernando Pessoa* Deus criou-me para criança, e deixou-me sempre criança. Mas por que deixou que a Vida me batesse e me tirasse os 183 brinquedos, e me deixasse só no recreio, amarrotando com mãos tão fracas o bibe azul sujo de lágrimas comprimidas? Se eu não poderia viver senão acarinhado, por que deitaram fora … Continue lendo Deus criou-me para criança, e deixou-me sempre criança
O vazio entre os dedos
por Roberta AR Ele não tem dois dedos em um dos pés. Ele olha e vê seu pé sem dois dedos. Eu não me lembro mais em qual dos pés lhe faltam os dedos. Eu não sei, mas ele sabe, porque é para a ausência que ele olha neste momento. Foi numa fogueira de São … Continue lendo O vazio entre os dedos
Uma segunda chance com Joy de fundo
por Roberta AR “When routine bites hard and ambitions are lowAnd resentment rides high, but emotions won't growAnd we're changing our ways, taking different roadsThen love, love will tear us apart againLove, love will tear us apart again”Joy Division 1 Quando estava perto de completar os cinquenta anos que tenho hoje, me separei novamente e … Continue lendo Uma segunda chance com Joy de fundo
A gente sofre
por Roberta AR Estava olhando a foto da minha avó na parede, agora tenho um espaço de pessoas amadas, coisa que nunca tive e decidi, aos cinquenta anos, ter. Mas, bem, estava olhando minha avó e me dei conta de que, neste ano de 2024, se completam os cem anos do casamento de dona Maria. … Continue lendo A gente sofre
Tudo quanto penso
por Fernando Pessoa* Tudo quanto penso, Tudo quanto sou É um deserto imenso Onde nem eu estou. Extensão parada Sem nada a estar ali, Areia peneirada Vou dar-lhe a ferroada Da vida que vivi. . *Fernando António Nogueira Pessoa (1888 – 1935) foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português.
Cantai
por Auta de Souza* A Edwiges de Sá Pereira Ó vós, que guardais no seioCom tanto amor e carinho, Com o mesmo doce receioDe um’ave que guarda o ninho:As ilusões mais douradasQue um’alma de moça encerra: -Cantai as crenças nevadasQue divinizam a terra;Cantai a meiga harmoniaDas esperanças em flor,Cantai a vida, a alegria,Na lira santa … Continue lendo Cantai