por Alberto Caeiro* Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande, Fui verdadeiro e leal ao que vi e ouvi. . * Alberto Caeiro é um heterônimo do poeta português Fernando Pessoa, considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa e da Literatura Universal.
Categoria: TEXTO
Resignação
por Narcisa Amália* No silêncio das noites perfumosas, Quando a vaga chorando beija a praia, Aos trêmulos rutilos das estrelas, Inclino a triste fronte que desmaia. E vejo o perpassar das sombras castas Dos delírios da leda mocidade; Comprimo o coração despedaçado Pela garra cruenta da saudade. Como é doce a lembrança desse tempo Em … Continue lendo Resignação
Os cravos rubros
por Louise Michel* Quando ao negro cemitério eu for, Irmão, coloque sobre sua irmã, Como uma última esperança, Alguns 'cravos' rubros em flor. Do Império nos últimos dias Quando as pessoas acordavam, Seus sorrisos eram rubros cravos Nos dizendo que tudo renasceria. florescerão nas sombras de negras e tristes prisões. Vão e desabrochem junto ao … Continue lendo Os cravos rubros
O bem-estar para todos
por Piotr Kropotkin* I O bem-estar para todos não é um sonho. É possível, realizável, depois do que os nossos maiores fizeram para fundar a nossa força de trabalho. Sabemos com efeito que os produtores, que apenas constituem um terço dos habitantes dos países civilizados, já produzem o bastante para levar um certo bem-estar ao … Continue lendo O bem-estar para todos
A morte é parte da vida
por Roberta AR Eu era ainda muito pequena quando fui a um funeral, o primeiro. Nem lembro que idade tinha, porque minha família nunca protegeu as crianças dessas cerimônias funestas, nem de muitas outras coisas que não vêm ao caso agora. Foi a perda de uma irmã que me fez entender que a morte pode … Continue lendo A morte é parte da vida
“O diabo mora aqui”, ou “Ó o bixo vino mulek”
por André Rafaini Lopes (Aviso: o texto contém spoilers sinalizados no penúltimo parágrafo) Tínhamos tirado o sábado para descansar quando o amigo Reinaldo Cardenuto (ele já participou do finado podcast, lembra?) chama para um jantar seguido de cinema. Que filme? “Terror”. Troquei olhares com a Ju (esposíssima), que não é tão fã do gênero. Olhei pro … Continue lendo “O diabo mora aqui”, ou “Ó o bixo vino mulek”
Duas Irmãs
por Délia* I Em um dia de fevereiro, quente e brilhante, um homem de 50 anos, forte e de feições acentuadas, achava-se em seu gabinete, passeando, agitado, nervoso, como quem deseja quebrar um obstáculo ou empreender uma luta. Sua enérgica fisionomia, dominada pela apreensão de próxima resistência, tornara-se sombria. A natureza sanguínea e imperiosa transparecia-lhe … Continue lendo Duas Irmãs
Inverno
por Francisca Júlia da Silva* INVERNO [1] Inverno. A neve flutua, Cai sobre tudo e se espalha, Como uma branca toalha Sobre a estrada imensa e nua. O vento causa arrepio Aos medrosos passarinhos, Que se encolhem em seus ninhos Desesperados de frio. O vento assovia e chora; Há como um coro de mágoas No … Continue lendo Inverno
A Escrava
por Maria Firmina dos Reis* Em um salão onde se achavam reunidas muitas pessoas distintas, e bem colocadas na sociedade e depois de versar a conversação sobre diversos assuntos mais ou menos interessantes, recaiu sobre o elemento servil. O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. … Continue lendo A Escrava
A Tragédia da Emancipação Feminina
por Emma Goldman* Começo com uma confissão: independentemente de todas as teorias políticas e econômicas, tratando-se das diferenças fundamentais entre os vários grupos dentro da raça humana, independentemente das distinções de classe e raça, independentemente de todas as linhas divisórias artificiais entre os direitos da mulher e os direitos do homem, acredito que há um ponto … Continue lendo A Tragédia da Emancipação Feminina
Elogio da morte
por Lima Barreto* Não sei quem foi que disse que a Vida é feita pela Morte. É a destruição contínua e perene que faz a vida. A esse respeito, porém, eu quero crer que a Morte mereça maiores encômios. É ela que faz todas as consolações das nossas desgraças; é dela que nós esperamos a … Continue lendo Elogio da morte
As bolas de sabão que esta criança
por Alberto Caeiro* As bolas de sabão que esta criança Se entretém a largar de uma palhinha São translucidamente uma filosofia toda. Claras, inúteis e passageiras como a Natureza, Amigas dos olhos como as cousas, São aquilo que são Com uma precisão redondinha e aérea, E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa, Pretende … Continue lendo As bolas de sabão que esta criança
Reflexões sobre a vaidade dos homens
por Matias Aires* PROLOGO AO LEITOR Eu que disse mal das vaidades, vim a cahir na de ser Author: verdade he que a mayor parte destas Reflexões escrevi sem ter o pensamento naquella vaidade; houve quem a suscitou, mas confesso que consenti sem repugnancia, e depois quando quiz retroceder, não era tempo, nem conseguir o … Continue lendo Reflexões sobre a vaidade dos homens