por Antoine Saint-Exupery* “A justiça, na minha maneira de ver - disse-me meu pai - está em honrar o depositário por causa do depósito. Tanto como honro a mim próprio. Porque reflete a mesma luz. Por muito pouco visível que seja nele. A justiça é considerá-lo como veículo e como caminho. A minha justiça é fazer … Continue lendo Cidadela (trecho)
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Natal
por Auta de Souza* Às Moças da Serra É meia noite ... O sino alvissareiro, Lá da igrejinha branca pendurado, Como n’um sonho místico e fagueiro, Vem relembrar o tempo do passado. Ó velho sino, ó bronze abençoado, Na alegria e na mágoa companheiro! Tu me recordas o sorrir primeiro De menino Jesus imaculado. E … Continue lendo Natal
Somos todos
por André Rafaini Lopes “Não ficar de joelhos, que não é racional renunciar a ser livre. Mesmo os escravos por vocação devem ser obrigados a ser livres, quando as algemas forem quebradas”. A frase chamou minha atenção na escadaria da escola. Aliás, não tanto a frase, mas o autor dela: Carlos Marighella. Aliás, não tanto … Continue lendo Somos todos
Segura e natural
por Roberta AR “Ela disse hoje não meu tesão Mas eu disse hoje sim, por que não?” Menstruada, de Os Cascavelletes “O primeiro absorvente higiênico ultrafino e com gel”. Era essa a publicidade que pretendia atrair meninas da minha idade quando da proximidade da menarca. A minha foi com quatorze anos e, por sorte, e … Continue lendo Segura e natural
Não entrei para as estatísticas
por Roberta AR Nasceu. A coisa mais improvável de acontecer comigo, aconteceu: meu filho chegou. Do pânico de descobrir uma gravidez não planejada aos cinco meses de gestação, o medo por estar para completar 40 anos, o medo de doenças, de não dar conta, da minha vida acabar, como tanta gente me disse, nada disso … Continue lendo Não entrei para as estatísticas
A gratidão do Assírio
por Lima Barreto* - Meu caro Senhor Assírio, eu lhe tinha a perguntar se de fato está satisfeito com a vida. Nós nos havíamos introduzido no elegante porão do Municipal e falávamos ao restaurante chic com água na boca. Este não tardou em responder: - Sei, doutor. Rui Barbosa não tem igual. - Mas por … Continue lendo A gratidão do Assírio
Agora que sinto amor
por Alberto Caeiro* Agora que sinto amor Tenho interesse no que cheira. Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro. Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova. Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia. São coisas que se sabem por fora. Mas agora sei com a respiração … Continue lendo Agora que sinto amor
Renascimento
por Auta de Souza* A Olegária Siqueira Manhã de rosas. Lá no etéreo manto, O sol derrama lúcidos fulgores, E eu vou cantando pela estrada, enquanto Riem crianças e desabrocham flores. Quero viver! Há quanto tempo, quanto! Não venho ouvir na selva os trovadores! Quero sentir este consolo santo De quem, voltando à vida, esquece … Continue lendo Renascimento
O Bilhete Premiado
por Anton Tchekhov* Ivan Dmítritch, homem remediado que vivia com a família na base de uns 1200 rublos por ano, muito satisfeito com seu destino, certa noite, depois do jantar, sentou-se no sofá e começou a ler o jornal. - Esqueci de dar uma olhada no jornal de hoje – disse sua mulher tirando a … Continue lendo O Bilhete Premiado
Às escuras
por Artur Azevedo* Havia baile naquela noite em casa do Cachapão, o famoso mestre de dança, que alugara um belo sobrado na Rua Formosa, onde todos os meses oferecia uma partida aos seus discípulos, sob condição de entrar cada um com dez mil-réis. D. Maricota e sua sobrinha, a Alice, eram infalíveis nesses bailes do … Continue lendo Às escuras
A sereníssima República
por Machado de Assis * (Conferência do cônego Vargas) Meus senhores, Antes de comunicar-vos uma descoberta, que reputo de algum lustre para o nosso país, deixai que vos agradeça a prontidão com que acudisses ao meu chamado. Sei que um interesse superior vos trouxe aqui; mas não ignoro também, - e fora ingratidão ignorá-lo, - … Continue lendo A sereníssima República
A luta
por Carmen Dolores* Capítulo 1 Casava-se a Celina, filha mais velha da D. Adozinda Ferreira, quarentona bem conservada, e todo o velho e pequeno hotel familiar para convalescentes: os Abelos ares! debruçado à beira do morro de Santa-Teresa, como a mirar a esplêndida vista da cidade, em baixo, aparecia rejuvenescido e embelezado pela abundância de festões … Continue lendo A luta
Charneca em flor
por Florbela Espanca* 1931 Amar, amar; amar; amar siempre y con todo El ser y con la tierra y con el cielo, Com lo claro del sol y lo obscuro del lodo. Amar por toda ciencia y amar por todo anhelo. Y cuando la montana de la vida Nos sea dura y larga, y alta, … Continue lendo Charneca em flor