Nós, mulheres da periferia: jornalismo e cinema pelo olhar de quem não está no centro

por Roberta AR

Republico aqui a entrevista que fiz com as criadoras do site Nós, mulheres da periferia, em 2017. Este tem sido um importante veículo de informação sobre os impactos da pandemia nas periferias de São Paulo, com olhar estratégico e engajado. Leiam a entrevista e sigam essas mulheres nas redes (no final do post):

A criação de veículos de comunicação que retratem as realidades não registradas pelas mídias convencionais, a partir do olhar de outros grupos sociais, é uma necessidade que tem se consolidado na internet por meio de coletivos de todo o tipo. Nós, mulheres da periferia é um site feito por mulheres moradoras da periferia de São Paulo, que têm um olhar sensível e crítico sobre a vida das mulheres à margem das grandes cidades. Conversamos com elas para contar um pouco da trajetória deste site, que agora entra no universo audiovisual também, com a produção do documentário Nós, Carolinas.

Quem faz parte do projeto e como começou Nós, mulheres da periferia?

Nós, mulheres da periferia é um coletivo integrado ao todo por 7 mulheres, sendo 6 jornalistas e uma designer. Nós nos conhecemos por meio de uma rede independente e horizontal de correspondentes comunitários das periferias de São Paulo e regiões, organizados para produzir notícias que a grande mídia não veicula ou que contrariem a visão rasa e preconceituosa que tais veículos costumam disseminar sobre seus bairros (mais aqui: http://mural.blogfolha.uol.com.br/projeto_mural/).

O coletivo nasceu dentro de outro coletivo que era o Blog Mural, atual Mural Agência de Jornalismo das Periferias. No dia 7 de março de 2012, quatro das nove mulheres jornalistas que integram o coletivo publicaram artigo na seção “Tendências/Debates” do jornal Folha de S. Paulo, atentando para a invisibilidade e aos direitos não atendidos de uma parte das mulheres – as que moram em bairros periféricos de grandes metrópoles. O texto obteve grande repercussão, sendo replicado em outros veículos de mídia, como na coluna diária Mais São Paulo, da Rádio CBN. O artigo teve ainda mais repercussão e encontrou eco entre nossas iguais, outras jovens ou não tão jovens mulheres moradoras da periferia de São Paulo que finalmente tinham se sentido representadas, lembradas e retratadas. O artigo, por exemplo, foi lido e registrado em vídeo no Sarau do bairro Itaim Paulista, na zona leste da capital.

As integrantes são:

Aline Kátia Melo, da Jova Rural, zona norte de São Paulo; Bianca Pedrina, de Carapicuíba, Grande São Paulo; Jéssica Moreira, de Perus, zona noroeste; Lívia Lima, de Artur Alvim, zona leste; Mayara Penina,  de Paraisópolis, zona sul ; Regiany Silva, da Cidade Tiradentes, zona leste; e Semayat Oliveira, da Cidade Ademar, zona sul.

Imagem da página “Nós, mulheres da periferia”

Estamos acostumados com a narrativa dos centros sobre as periferias. O que há de diferente no olhar da periferia sobre si mesma e sobre a vida das mulheres na periferia?

Hoje em dia, não há nenhum veículo da grande mídia voltado apenas para a mulher. Mesmo entre os alternativos, não encontramos esse viés. E, naqueles da periferia, encontramos alguns assuntos, mas nenhum com foco na mulher. Além disso, um dos principais diferenciais de nosso projeto é que fazemos parte do universo que iremos retratar, pois todas moramos em bairros periféricos de São Paulo. Assim, observador e observado se fundem, marcando as nossas matérias com a sensibilidade de quem vive aquilo que escreve. O jornalismo é a ferramenta que escolhemos para dar voz às mulheres que nunca são ouvidas pela mídia e, quando são, é de forma sensacionalista ou sexista. Além disso, temos como objetivo pautar a grande imprensa, servindo de ponte entre a mídia e as mulheres não ouvidas da periferia.

O coletivo Nós, Mulheres da Periferia pretende contribuir para o empoderamento das mulheres moradoras da periferia de São Paulo, promovendo espaços de reflexão, debate, informação, troca de conhecimento, experiências e visibilidade sobre seus protagonismos, histórias e dilemas.

Vocês acabaram de produzir o documentário Nós, Carolinas, que fala sobre a vida de algumas mulheres moradoras das periferias de São Paulo. Foi a primeira experiência do grupo com audiovisual? Como foi a produção e escolha do que seria retratado?

Sim, foi a primeira experiência do grupo com audiovisual. As mulheres apresentadas fizeram parte do projeto Desconstruindo Estereótipos, realizado pelo coletivo em 2015, durante oficinas sobre a representação das mulheres moradoras das periferias na grande mídia. No final do mesmo ano, o coletivo lançou no Centro Cultural da Juventude (CCJ) a exposição multimídia Quem Somos [Por Nós], que incluiu uma série de entrevistas, a partir das quais, como uma segunda etapa deste projeto, foi criado o documentário. Ambos os projetos foram financiados pelo VAI (Programa de Valorização às Iniciativas Culturais) da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo.

As oficinas intituladas Desconstruindo Estereótipos – eu, mulher da periferia na mídia, que tinham como proposta refletir junto às mulheres a forma como nossas histórias são retratadas na chamada “grande mídia” (TV, jornais, revistas) foram realizadas em 2015, durante cinco meses. Seis bairros de norte a sul da capital receberam as oficinas (Perus, zona norte, Campo Limpo, zona sul, Guaianases, zona leste, Jardim Romano, zona leste, Jova Rural, zona norte, e Capão Redondo, zona sul) e mais de 100 mulheres, de 17 a 93 anos, entre elas estudantes da rede pública (ensino regular ou EJA) e participantes de associações foram envolvidas no processo, em uma constante troca de conhecimentos e afetividade entre o coletivo e as mulheres. A dinâmica envolveu debates, exercícios, ensaios com máquinas fotográficas e telas de pintura. E, em um segundo ciclo do processo, nove destas mulheres foram entrevistadas individualmente, em vídeo, e de forma mais aprofundada. Os discursos, majoritariamente, refletem o desafio de enfrentar uma sociedade racista, machista e desigual, mas também a irreverência, força e os embates necessários para sobreviver neste ambiente.

Dona Carolina Augusta de Oliveira em cena de “Nós, Carolinas”
Foto: Vinicius Bopprê

 

(o filme Nós, Carolinas está disponível no youtube neste link ou incorporado aqui embaixo)

Sobre o site, são muitas reportagens sobre a vida das mulheres nas periferias. Como é feita a escolha dos temas? Os especiais surgiram de alguma demanda específica?

Os especiais como moradia e trabalho doméstico surgiram depois de conversas e/ou reuniões de pauta presenciais e/ou virtuais, as nove integrantes (atualmente sete) do coletivo autoras dos textos, se basearam principalmente em suas vivências pessoais e familiares, visões e experiências cotidianas, perceberam naquele momento que o vazio de representatividade não era sentido apenas por elas.  Desde o início  do  coletivo, iniciou-se um processo de pesquisa e consolidação do mesmo, que tem como objetivo principal dar visibilidade aos direitos não atendidos das mulheres, problematizar acerca dos preconceitos e estereótipos limitadores que se cruzam com as questões de classe social, etnia e raça, muito presentes em razão da localização geográfica das residências das moradoras das bordas da cidade

Renata Ellen Ribeiro, em “Nós, Carolinas”
Foto: Vinicius Boppre

Que outros veículos de jornalismo produzido nas periferias vocês indicam?

Indicaria a Agência Mural de Jornalismo das Periferias onde nós integrantes do Nós, Mulheres da Periferia nos conhecemos.

Quais são os futuros projetos de Nós, mulheres da periferia?

O grande desafio é buscar condições financeiras que nos possibilite ampliar nosso campo de atuação e as formas de divulgação do nosso trabalho realizando mais circuitos de exibição do documentário em diferentes locais. Extrapolando o campo virtual e tornando as histórias e falas dessas mulheres ainda mais acessíveis e valorizadas.

Nós, mulheres da periferia pode ser acessado em http://nosmulheresdaperiferia.com.br/

No instagram: https://www.instagram.com/nosmulheresdaperiferia

No facebook: https://www.facebook.com/nosmulheresdaperiferia/

E-mail: contato@nosmulheresdaperiferia.com.br

 

(publicado originalmente no site MinasNerds em 2017)

Eventos, zines e listas: o analógico no Facada X

por Roberta AR

São quinze anos deste espaço virtual, num emaranhado de conteúdos que conversam entre si, ou não, mas também tivemos nossos momentos analógicos. Desde o início do Facada X, temos ido a eventos e falado sobre eles. Em linguagem bem informal, muitas vezes, pois ainda não tínhamos redes sociais em boa parte dessa história.

Estivemos, por exemplo, numa das primeiras edições do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de BH, em 2005, o André fez quatro posts falando sobre o evento: parte I, II, III e IV.

Também estivemos na Mostra Trash (que agora se chama Crash), em Goiânia, em 2006, que teve exibição do vídeo Pombos Comem Carne, que pode ser visto aqui. Sobre a mostra, a Roberta fez dois posts: parte I e II.

Nós também fizemos parte da organização do Brucutumia 2008, evento realizado em Lisboa, Portugal, com a participação de autores de quadrinhos do Brasil. A Roberta esteve junto com a produção do evento e falou um pouco dele por aqui. Brucutumia 2008: secando o Atlântico.

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O Evandro Esfolando, personalidade conhecida do rock de Brasília, fez alguns posts aqui, antes de criar o próprio blog, um deles foi sobre sua participação no Festival Jambolada, em Uberlândia, em 2008.

Em 2010, numa parceria com a HQMIX Livraria de São Paulo, trouxemos para Brasília a Jam Session de Quadrinhos, que foi realizada durante dois dias na saudosa Kingdom Comics. A Roberta, que organizou o evento junto com a loja, falou aqui sobre sua organização e fez um balanço do evento com uma degustação do resultado da maratona de quadrinhos para criar novos capítulos para O crime do teishouku preto.

Além de eventos, também produzimos algumas publicações impressas. As mais recentes podem ser lidas na aba IMPRESSOS do blog. Estão também on-line, as versões impressas estão esgotadas, os zines: Uma pessoa asquerosa, Pés – Volume I, Por Acaso?, Cabelos – Volume II. Antes disso, tivemos a curta experiência com as Edições Facada, que foram descontinuadas.

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Para finalizar este capítulo da nossa história, precisamos falar das listas, que entraram mais recentemente nas nossas postagens. São publicações que organizam assuntos interessantes para consultarmos on-line e acompanharmos no mundo analógico. Fizemos listas de Ilustradoras Negras (lista I e lista II) , Mulheres Artistas Indígenas, e nossa lista de Mulheres Quadrinistas que ainda está em andamento (colabore mandando e-mail para blogfacadax@gmail.com).

O Facada e suas publicações de domínio público

por Roberta AR

O Facada X foi criado para ser um espaço de livre difusão, quando a internet se tornou um lugar de trocas de fácil acesso. Um dos ideais é o do conteúdo de qualidade sem custo, por isso é um zine eletrônico com licença Creative Commons. Em certo momento, decidimos começar a publicar filmes, livros, fotos, reproduções de pinturas e outras coisas que caíram em domínio público. Nosso acervo é muito extenso, textos políticos, filmes do expressionismo alemão, romances de escritoras brasileiras são algumas das coisas que colocamos no ar.

Neste espírito da troca e da divulgação, reproduzimos conteúdos de vários lugares, um deles é a página que divulga mulheres pintoras já falecidas (nem tudo de domínio público) Female artists in history, reproduzimos alguns de seus posts por aqui e neste link fizemos uma pequena entrevista com sua criadora e contamos um pouco a história desse espaço.

Como o acesso público a conteúdos tem sido uma bandeira nossa, fizemos também um episódio do nosso podcast de vida curta sobre isso: Facada Cast 004 – Tá dominado! Tá tudo dominado! Falaremos sobre nosso podcast e nosso videocast em outro post.

Aqui, listamos o que temos de domínio público no ar, por nome do autor:

Abigail de Andrade

Adelaide Schloenbach Blumenschein

Adelina Lopes Vieira

AF Schmidt

Alberto Caeiro

Albertus Seba

Aleister Crowley

Alexis de Tocqueville

Alfred Le Petit

Alfrida Baadsgaard

Alida Withoos

Alphonsus de Guimaraens

Álvares de Azevedo

Álvaro de Campos

Andreas Vesalius

Andrei Rublev

Angelo Agostini

Anita Clara Rée

Anna Althea Hills

Anna Ancher

Anna Atkins

Anna Diriks

Anna Maria van Schurman

Anne Allen

Anne Vallayer-Coster

Anthonore Christensen

Antoine Saint-Exupery

Antoine Watteau

Anton Tchekhov

Artemisia Gentileschi

Artur Azevedo

Artur Rimbaud

Auguste Bouquet

Auta de Souza

Barbara Longhi

Bartolomeo Scappi

Beatrix Potter

Benedikt Lergetporer

Bernardo Guimarães

Bernardo Soares

Bertha Worms

Betty Boop

Bocage

Broncia Koller-Pinell

Camille Claudel

Caravaggio

Carl Friedrich Mylius

Carl Wilhelm Hahn

Carmen Dolores

Castro Alves

Cecil Hepworth

Charles Baudelaire

Charles Chaplin

Charles Deburau

Chiquinha Gonzaga

Cimabue

Clara Peeters

Clara Zetkin

Clarissa Peters Russell

Coleção Brito Alves

Coleção Thereza Christina Maria

Dante Alighieri

Délia

Delminda Silveira

Eça de Queirós

Edgar Allan Poe

Edvard Munch

Elisabeth Keyser

Élisabeth Sophie Chéron

Eloise Harriet Stannard

Emília Moncorvo Bandeira de Melo

Emma Goldman

Ernst Moerman

Éros Academie

Errico Malatesta

F. W. Murnau

Fernando Pessoa

Fiódor Dostoiévski

Fleischer & Famous

Florbela Espanca

Francisca Júlia da Silva

Francisco Goya

Francis Masson

François Chauveau

Frank R. Strayer

Franz Kafka

Fratelli Alinari

Friederich Engels

Friedrich Nietzsche

G. Bodenehr

G. Gaillard

Gabriela Frederica de Andrada Dias Mesquita

Gautier D’Agoty 

Gaslight (filme de 1940)

Gebroeders van Limburg

Georg Lukács

George Ripley

Georges Méliès

Gerda Wegener

Gertrude Käsebier

Gertrude Stein

Giacomo Franco

Giuseppe Arcimboldo

Gregório de Matos

Grupo Krisis

Guilherme Gaensly

Guilliame Sicard

Gustav Klimt

Hale Asaf

Hans Staden

Harriet Brims

Helen Allingham

Henriëtte Ronner-Knip

Henry Charles Andrews

Herman Goethe

Hieronymus Bosch

Hilma af Klint

Hipólito José da Costa

Hiroshige

Humberto Mauro

Ida Gisiko-Spärck

Ike no Taiga

Imogen Cunningham

Imperador Huizong

Irmãos Lumière

Isadore Sparber

James Joyce

Jean Baptiste Debret

Jean-Jacques Rousseau

Jeanne Hébuterne

JF Hennig

JF Naumann

Johan F. L. Dreier

Johann Friedrich Wilhelm Herbst

John Gould

John Tenniel

Juan Eusebio Nieremberg

Juana Romani

Judith Leyster

Jules-Adolphe Chauvet

Júlia da Costa

Júlia Lopes de Almeida

Julia Margaret Cameron

Julie de Graag

Karl Marx

Kate Greenaway

Käthe Kollwitz

L. Schmidt

Ladislas Starevich

Laura Muntz Lyall

Lavinia Fontana

Leni Riefenstahl

Leon Dabo

Léon Spilliaert

Lewis Carroll

Lima Barreto

Little Tich

Louis Agassiz Fuertes

Louise Michel

Lucie Cousturier

Luigi Fabbri

Machado de Assis

Magdalena van de Passe

Marc Ferrez

Margaret Bourke-White

Margaret Macdonald Mackintosh

Maria Firmina dos Reis

Maria Lacerda de Moura

Maria Sibylla Merian

Marianne North

Marianne von Werefkin

Mário de Andrade

Mário Peixoto

Matias Aires

Matilde Malenchini

Merrie Melodies

Mia Arnesby Brown

Mikalojus Čiurlionis

Mikhail Bakunin

Napoleon Sarony

Narcisa Amália

Nicolau Maquiavel

Nísia Floresta

Olga Boznańska

Oscar Wilde

Otis Turner

Pat Sullivan

Paul Gauguin

Paul Klee

Paul Legrand

Paula Modersohn-Becker

Percy Stow

Philipp Baum

Pierre-Joseph Proudhon

Pieter Bruegel

Pieter Cramer

Piotr  Kropotkin

Plautilla Nelli

Pseudo-Callisthenes

Ramón de la Sagra

Raphael Tuck & Sons

Ricardo Reis

Robert Louis Stevenson

Robert Wiene

Sacher-Masoch

Séraphine Louis

Serguei Eisenstein

Shunkōsai Hokushū

Sofonisba Anguissola

Stephen Thompson

Suor Isabella Piccini

Teresa Margarida da Silva e Orta

Thomas Edison

Toulouse Lautrec

Toni Gürke

Utagawa Kuniyoshi

Utagawa Toyokuni

Van Beuren Studios

Van Gogh

Vera Willoughby 

Visconde de Taunay

Vittotio Putti

Vladimir Maiakovski

Voltairine de Cleyre

Walter Benjamin

William Blake

William Cheselden

Winsor McCay

Quinze anos de Facada X

por Roberta AR

Criado como um espaço livre para publicar, por mim e pelo André, o Facada sempre esteve aberto aos nossos amigos e a pessoas que se aproximaram para trocas interessantes. Começamos um ano depois do lançamento do orkut, que ainda era fechado apenas para convidados,  então muito do que foi postado no início deste deste zine eletrônico tem a cara de publicação comum das redes sociais de hoje. Para muita gente, foi a primeira experiência publicando despreocupadamente na internet, alguns até começaram seus próprios blogs depois. Hoje, ainda somos espaço para reflexões, trabalhos autorais, resenhas, e, mais recentemente, listas. E tudo isso está aqui nos nossos arquivos. Ao abrir nossa conta no instagram, nesses tempos de redes muitas, vi que chegamos aos QUINZE ANOS!

É muito tempo desde que criamos o ainda Facada Leite-Moça, um nome aleatório retirado de uma música de Fausto Fawcett, e que acho que foi o nome deste espaço por pelo menos a metade da sua existência. Como somos dinossauros da internet, ainda somos fruto do idealismo do conteúdo livre e compartilhado, por isso decidimos ser um espaço não monetizável e colocamos nossas publicações em licença Creative Commons.

O que nunca fizemos, nesta longa trajetória, foi organizar em um único post todo mundo que já passou por aqui. Não tínhamos feito, porque está aqui agora, os convidados todos para nossa festa de debutante. Além de mim, Roberta AR, e do André Rafaini Lopes, temos esta longa lista. Clique no nome para ver o conteúdo disponível:

Adriano de Almeida

André Francioli

André Gonzales

Antonio Netto

Antonio Souza

Biu

Bruno Azevêdo

Caio Gomez

Casa Locomotiva

Carla Lisboa

Carlos Dowling

Chapamamba

Cicinho Filisteu

Clara do Prado

Cláudo Parentela

DigóesX

Diogo Brozoski

Edgar Raposo

Érica Pierrobon

Evandro Esfolando

Everaldo Maximus

Felipe Marinho

FErio

Fernando Vasconcelos

Flávia Diab

Francisco Zenio

Gabriel Góes

Gabriel Mesquita

Igo Estrela

Jamile Vasconcelos

Juh Oliveira

Juliana Bolzan

Laluña Machado

Lauro Montana

Lilian Sampaio

Luciano Vitoriano

Luda Lima

Maurício Patiño

Mauro Castro

Michel Aleixo

Os Haxixins

Pedro Elias

Rafael Zolis

Raul Córdula

Sebastião Vicente

Stêvz

Thelma Ramalho

Tiago Penna

Túlio Flávio

Valdez

Zefirina Bomba

A vida não me assusta: para espantar os medos desses tempos

por Roberta AR

O medo tem sido um tema constante nesses tempos. Medo das incertezas do futuro. Da violência contra mulheres, contra negros, homossexuais. Medo de líderes religiosos. Medo em toda a parte. Mas nada como a companhia de uma linda obra de arte para afastar um pouco os fantasmas. Junto com Maya Angelou e Basquiat, eu digo: A vida não me assusta.

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A vida não me assusta é um lindo livro infantil editado por Sara Jane Boyers, que uniu ao poema Life doesn’t frighten me, de Maya Angelou, imagens produzidas por Basquiat durante toda a sua carreira num belo trabalho de curadoria que resultou nessa edição poderosa, que pretende espantar os medos infantis das coisas mais assustadoras. Sombras, cães bravos, monstros, dinossauros, bruxas e até os bullys que puxam os cabelos crespos das meninas são os personagens que não assustam essa nossa criança narradora, que guarda os seus medos para os sonhos noturnos.

O livro chegou ao Brasil pela primeira vez nessa edição comemorativa de 25 anos da publicação, editado pela DarkSide Books no seu selo infantil Caveirinha.

Para entender a grandeza de uma publicação como essa, temos que falar sobre os dois artistas unidos nessa obra:

Maya Angelou Obit.

Maya Angelou (pseudônimo de Marguerite Ann Johnson) viveu de 1928 a 2014. Ativista dos direitos civis, junto a líderes negros como Malcom X e Martin Luther King (era amiga dos dois), ela foi muito atuante não só nos Estados Unidos, como também em diversos países da África, onde trabalhou como jornalista e professora, ajudando movimentos de independência pelo continente. Em sua longa carreira, foi poetisa, escritora, historiadora, entre outras coisas.

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Jean-Michel Basquiat viveu entre 1960 e 1988. Filho de uma porto-riquenha e pai haitiano, começou a ganhar notoriedade com seus grafites, que traziam a assinatura SAMO (same old shit ou “sempre a mesma merda”), trabalho que fazia com o amigo Al Diaz. Também era músico e tocou em diversas casas noturnas importantes de Nova Iorque com sua banda Gray, que lhe rendeu o personagem principal do filme Downtown 81. Após participar de uma exposição numa instituição chamada Colab, seu trabalho como artista plástico foi reconhecido e ele começou a integrar o movimento chamado neoexpressionista. Sua parceria mais conhecida foi com Andy Warhol, com uma extensa produção colaborativa entre os dois.

Para Sara Jane Boyers, “A vida não me assusta é sobre experiência de vida. É sobre perseverança e orgulho, sobre encontrar-se com a história da própria vida, sobre o bom e o mau e sobre utilizar tudo aquilo que que nos influencia e nos afeta – nossas famílias, nossa cultura, o dia a dia do nosso planeta – para nos apoiarmos e nos reinventarmos constantemente”.

 

 

A vida não me assusta
Maya Angelou 
DarkSide Books
R$ 49,90

O livro foi cortesia da editora.

(texto publicado originalmente no site MinasNerds)

Sirlene Barbosa, a primeira indicada ao Jabuti de HQ por Carolina

por Roberta AR 

O primeiro quadrinho da novela gráfica Carolina foi de um impacto imenso para mim. Lembrei imediatamente da chácara que ficava no fim da minha rua, em Parelheiros, que tinha aquela senhora gentil que fazia biscoitos para mim. Eu era muito pequena, possivelmente no mesmo ano que aparece registrado ali. Teria eu conhecido a Carolina?

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Primeiro quadrinho da novela gráfica Carolina

 

A história de Carolina Maria de Jesus, escritora do livro mais vendido em 1960 no Brasil e que foi publicado em dezenas de países, é que faz o roteiro desse quadrinho comovente de Sirlene Barbosa e João Pinheiro. Ela era conhecida como a escritora catadora de papel, que era a forma da elite cultural colocar seu trabalho em uma caixinha de menor valor na produção literária, mas seu trabalho era visceral, um olhar apurado da sordidez e das pequenas felicidades que se alternam na vida dos que estão na extrema pobreza.

Sirlene Barbosa reuniu um grande material de pesquisa sobre vida e obra de Carolina de Jesus, que receberam um roteiro lindamente desenhado por João Pinheiro. Não por acaso, o livro acaba de ser indicado ao Prêmio Jabuti na primeira edição em que se terá uma premiação específica para quadrinhos. Sirlene Barbosa é a primeira autora indicada na categoria, a única mulher nesta edição. Conversamos um pouco com ela sobre esse belo trabalho:

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Sirlene Barbosa

O que levou a escolha de Carolina Maria de Jesus como tema para este quadrinho?

Antes das respostas, quero deixar registrado meus agradecimentos pelo contato.

Bem, estou professora de língua portuguesa da Prefeitura de São Paulo. Por alguns anos, coordenei uma sala de leitura (projeto da Secretaria Municipal de Educação [SME] que, este ano, completa 45 anos e, por conta desse fato, haverá um Seminário para comemorar e refletir sobre este espaço. Eu fui convidada a participar de uma mesa para representar o corpo docente, no papel de escritora) e, principalmente no ano de 2014 (gestão Haddad), a SME tinha um núcleo para propor trabalhos referentes às questões étnico-raciais. Alguns dos membros da equipe fizeram algumas palestras sobre literatura negra, fazendo jus à lei 10.639/2003, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996), colocando como pauta obrigatória os estudos da literatura, história e cultura negras em todos os ambientes educacionais.

Carolina Maria de Jesus já era uma companheira de aulas, há alguns anos, mas ouvir pessoas falando de nomes que não aparecem como referências do cânone (Carolina, por exemplo), que deixam de ser objeto de estudo em livros e passam a ser protagonistas de suas obras me deslumbrou e me fez olhar, com outros olhos, o acervo da sala de leitura que coordenava – observei que diante de uma média de 30.000 livros, havia apenas uma prateleira de livros (algo em torno de 50) que estavam relacionados à literatura negra.

Em 2014, foi comemorado o centenário de Carolina Maria de Jesus e eu recebi, no início do ano, alguns livros para complementar o acervo da sala. Analisei a discrepância de duas caixas com livros de Ferreira Gullar, somando 40 volumes, e dois, sim, apenas dois Quarto de despejo: diário de uma favelada (o grande best-seller de Carolina).

Essas discrepâncias me levaram a refletir sobre a questão do currículo escolar: por que se lê, com muita frequência, pra não dizer sempre, o cânone literário, representado, em grande maioria, por homens e brancas e brancos e ignoram o que os excluídos desta mesma literatura têm a dizer?

Assim, propus uma enquete rápida com os professores orientadores de sala de leitura da Diretoria Regional Educação de Itaquera, onde constatei que de uma média de 40 docentes, apenas cinco conheciam Carolina e NENHUM/A havia lido sua obra em sala de aula.

Esses pontos me obrigaram a apresentar a vida e a importância de Carolina; o gênero textual que acreditei ser mais didático e interessante, principalmente, para as/os estudantes, foi a História em Quadrinhos (HQ). Como meu companheiro é quadrinista (João Pinheiro), resolvemos concretizar o trabalho. Faltava, no entanto, condições financeiras para se dedicar com exclusividade à empreitada. No final de 2014, fomos um dos ganhadores do prêmio ProAC, do governo do Estado de São Paulo, possibilitando, então, concretizar o livro.

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Trecho de Carolina

Mesmo depois de tanto tempo, ainda temos grandes figuras do meio literário tentando diminuir a importância da Carolina de Jesus para a literatura, como no episódio em que ela foi homenageada pela Academia de Letras do Rio. Literatura ainda é uma arte elitista?

Acredito que sim, mas, também, que representantes das literaturas periférica, negra e indígena estão abrindo estas portas, mesmo que a “pontapés”.

Um exemplo importante: em 2014, apareceu um projeto na SME chamado de Leituraço, em que se propunha a leitura de livros que tentavam validar as leis 10.639/2003 e 11.645/2008 (propõe os estudos da história, arte e literatura indígenas). Todas as salas de leitura do município paulista receberam livros com estas temáticas, além de literaturas que abordam a vida na periferia, bem como da América Latina e de alguns países do continente africano – projeto belíssimo, por sinal, muito bem executado, pelo menos, até o final de 2016.

Dessa forma, foi possível apresentar aXs estudantes outras/os autoras/es, narrativas, protagonistas – foi uma tentativa de descolonizar o currículo da rede municipal paulista. Currículo que aborda com muita ênfase nomes e fatos do continente europeu e menospreza nossa realidade. Dizendo isso não significa que se deixará de ensinar o que a Europa e/ou os EUA têm de importante, no contexto histórico mundial e nas suas literaturas etc. Não! Descolonizar para ensinar que não existe apenas a estética europeia como padrão de beleza, nem seus ambientes gelados como cenários da narrativa, mas dizer que negras/os (por conta de um recorte de pesquisa, pois não podemos nos esquecer da importância dos primeiros moradores do que, hoje, chamamos Brasil – OS INDÍGENAS – e que tiveram suas terras INVADIDAS e não ocupadas, foram assassinados,

estupradas/os, enfim, destroçadas/os) também podem ser princesas, que não foram/são preguiçosos, que foram/são protagonistas de suas próprias narrativas, inventores importantes, por fim, mas não somente, SÃO ESCRITORAS/ES – sim, a literatura também é nossa!

Quarto de Despejo vendeu mais que Jorge Amado e Clarice Lispector no ano de seu lançamento e fala da realidade dos excluídos, um tema que tem paralelo em autores como Graciliano Ramos. O que teria levado seu trabalho a não estar presente nos currículos escolares e só recentemente foi pedido em algumas provas de vestibular e virou tema de Enem?

A tentativa de esconder a grandiosidade de negras/os, de mantê-las/os no poço literário.

Você é a primeira mulher indicada ao prêmio de quadrinhos do Jabuti, e única. O espaço das publicações sempre foi um território difícil. Qual o paralelo que você faria entre o cenário vivido por Carolina de Jesus e o que vivemos hoje?

O paralelo que faço é que ainda há muito a caminhar, pois não posso ignorar o fato de que sou a única mulher e NEGRA a ser indicada, mas tenho um homem do meu lado.

Carolina tentava publicar já há alguns anos, bem antes da chegada do jornalista do que hoje conhecemos como Folha de S.Paulo, Audálio Dantas, em maio de 1958, mas só o fez, em 1960, tendo homens como seus editores.

Finalizo afirmando que há muito a se fazer, principalmente para nós mulheres, negras, indígenas, brancas, trans e periféricas, e que, é de suma importância, estarmos na ponta para abrirmos as portas para outras irmãs e isso não significa dizer que pretendemos derrubar os homens, mas que a luta não termina enquanto os direitos por igualdade, em todos os âmbitos, não forem alcançados por nós, mulheres.

É isso e tudo isso!

Um grande abraço a todas as manas e aos manos!

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Capa do quadrinho Carolina

Carolina

Sirlene Barbosa e João Pinheiro

Editora Veneta

Número de páginas: 124

Formato: 17x24cm

R$ 54,90

 

Entrevista publicada originalmente no site MinasNerds em outubro de 2017

O fracasso em meio ao caos

por Roberta AR

Sonhei que estava no cruzamento de uma grande avenida, um lugar que me foi tão familiar por tanto tempo, mas que não vou há anos. Perguntei para quem estava comigo, uma amiga que se distanciou, coisas da vida, se não tinha problema eu dar um pulinho por lá no meio do isolamento. “Está cheia de gente passeando, não tem problema”. Acordei assustada.

Este ar de normalidade no meio do absurdo é algo que sempre me assusta, não é um sentimento novo. As pessoas naturalizam as piores coisas de um jeito quase sereno, digo quase porque esta serenidade é mantida artificialmente com alguma compulsão, remédios controlados ou drogas. Os que não naturalizam, viram esses seres estranhos inadaptados que precisam ser consertados. 

Eu tenho sido essa pessoa quebrada faz uns anos já. Em isolamento, sem conseguir ser funcional nas condições que o mundo quer. Não sou mais produtiva, pois não gero riqueza. Estou aqui dedicada a manter uma criança mentalmente, emocionalmente e fisicamente saudável no meio da violência emocional e patrimonial que vem de todo o lado. E minha energia tem sido toda consumida por isso e pela feridas emocionais de uma vida de abandonos. Esteja materialmente vulnerável e se veja ser tratada como incapaz, com condescendência e até tentarem tirar seu poder familiar. 

É difícil e pesado viver neste mundo. Para todo mundo. Este é um mundo violento e nós, pobres, dividimos entres nós metade da riqueza do planeta, a outra metade está na mão dos 1%. Esse valor deve ter aumentado depois que esta marca foi atingida há quatro anos (pros mais ricos). E são esses 1% que dizem quem vai mandar em cada canto do mundo, ou você acha que foi o porteiro com seu voto que escolheu este presidente?

Acho interessante como se gasta tempo falando mal do pobre de direita e não se fala nunca destes ultra-ricos. Será que é porque as fundações deles dão uns troco para as artes, bancam políticos “de esquerda”? Usam até os mortos desta epidemia para chamar pobres de burros: “a maioria desta cidade votou em…”. Merecemos morrer por isso. Mas falar da fundação lá do cara mais rico do país, que tem aquela fast food das propagandas descoladas, junto com aquele apresentador que quer ser presidente nem pensar. E eles se juntaram para eleger muita gente no parlamento. Normal, né? Dinheiro bem gasto que vai nos beneficiar… Aqui eu acordo assustada, de novo, mas desta vez não estava nem dormindo. 

Precisamos buscar o sucesso. Pensar em sucesso traz o sucesso até você. Mentalize a riqueza, o que você quer ter, onde você quer estar. Mesmo sabendo que tem que dividir metade da riqueza do mundo com quase sete bilhões de pessoas, porque a outra metade tá na mão de umas duas mil. Alguém sugeriu que eu monte meu negócio agora. Acordo já acordada de novo. Mas assustada. “Fulano doou um milhão para pesquisa do corona vírus”. Dinheiro do papel higiênico, né? Cês me poupem. 

Eu vejo muita gente sem conseguir se encaixar neste mundo. Estou assim faz pouco tempo, focando minha energia em sobrevivência primária, mas sinto essa dor de todos como a minha. Pessoas que sentem o peso de ter que levantar de manhã para exercer atividades absolutamente inúteis e dispensáveis no meio de gente abusiva e que se dá um valor maior do que lhe é de direito. Nunca tinha chegado neste estado em que o peso é maior que a minha força, mas sempre tive que lidar com ele. E ainda temos que ouvir que isto é fracasso.

O sucesso do 1% é o total desprezo ao resto do planeta. Estamos neste caos sanitário porque tem gente sugando nossa existência (nossa como parte da natureza, somos todos uma coisa só) e a transformando em moeda corrente. Lidar com o fracasso não pode ser um problema, neste contexto. Somos todos fracassados, nesta perspectiva. O fato de alguém ter um salário um pouco maior não o torna uma pessoa de sucesso, porque o salário pode sumir a qualquer momento. Aquela empresa de sucesso também não sobreviveu agora.

Hoje, me sinto reconectada ao mundo. A minha dor agora tem legitimidade. O absurdo está bem visível, para quem quiser enxergar. Não é uma sensação boa, este pertencimento. Mas me tira do lugar da louca que se nega a cair na real. O que é real?

Ontem, li um artigo, que tava numa fila pra ler faz tempo (você está sendo produtivo na pandemia? eu não). Ele falava de moda, mas veja este trecho: “O tempo urge. Defendo a cura pelo respeito ao coletivo, às pessoas. Acredito que vamos precisar nos preparar para organizar uma nova ordem feita de variações mínimas (…) com respeito irrestrito ao planeta. Será preciso o indivíduo desprender-se das normas antigas e apreciar cada vez mais o coletivo, para aí sim conseguir afirmar um gosto mais pessoal.” (o texto do Jackson Araújo está completo aqui

Ele fala de coletivo, mas não como estes grupos contemporâneos que pretendem ser vanguarda, mas têm essa cara de empreendedorismo meritocrático. Coletivo como estar junto, de verdade. Precisamos nos ver a partir do outro, da troca, não do julgamento. E eu pensei aqui nas tantas vezes que estive com amigues e até em coletivos, mais de um, pessoas incapazes de pensar a troca de potencialidades sem isso virar recurso financeiro. Pessoas que não aceitam que você faça algo que é sua especialidade sem pagar por isso, provavelmente por não querer “ficar devendo”. Ou que acha que qualquer coisa que ela faça tem preço. A impensável, para elas, gratuidade nos gestos. Eu faço parte de um núcleo da Comunidade que Sustenta a Agricultura (saiba mais o que é clicando aqui) e um dos lemas desse grupo é substituição da “cultura do preço pela cultura do apreço”. Agora é tempo de pensarmos estas relações sociais. Isso é muito sério.

Vejo iniciativas como Artistas em Quarentena, da Lila Cruz, que pensa concreto e pontual, neste momento difícil, para citar uma de um grupo com que tenho trabalhado nos últimos anos. Como esta, temos milhares de ações em todo o país, indígenas, periferia, catadores, artesãos, quilombolas, estão todos se articulando para sobreviver apesar de. Mas, mais do que doar, precisamos criar nossas próprias redes de apoio. Material e emocional. Gente com a qual você possa estar nas vacas gordas e vacas magras te olhando do mesmo jeito, com respeito, amor e carinho. Que a gratuidade do gesto seja recíproca. Que o cuidado seja sincero e te deixe tranquila por ter um colo no meio do caos. Precisamos sobreviver para o depois.

Está difícil, mas eu tenho o sonho com um abraço apertado na amiga querida que nunca vi pessoalmente. Tenho a mensagem de quem sempre esteve aqui do meu lado quando eu quebrei de verdade. O carinho de quem me ajuda a descobrir quem eu sou. O amigo que divide minhas iniciativas de conteúdo gratuito “creative commons”. O companheiro que está aqui, mesmo sendo tudo tão difícil. A criança que me ama. Somos coletivo. Comunidade, porque acho mais bonito. 

Uma lista de quadrinistas mulheres no Drive

por Roberta AR

Faz uns anos que tenho feito listas de mulheres quadrinistas e ilustradoras. Trabalho com quadrinhos e zines independentes faz mais de uma década, divulgando, produzindo, organizando evento e uma constante é ter poucas mulheres nas publicações e qualquer coisa relacionada ao tema, menos nos bastidores, onde sempre são muitas.

E a justificativa dada para isso é sempre que existem poucas mulheres fazendo ou que o trabalho não tem qualidade. Para contestar essa “verdade” reproduzida pelo senso comum e que está longe de reproduzir a realidade, passei a organizar em listas os nomes de mulheres que trabalham com quadrinhos dos mais variados estilos.

Agora, decidi compartilhar uma planilha com todos os nomes que já reuni em posts, principalmente no MinasNerds, para que seja uma ferramenta fácil para consulta. Clique neste link do drive e veja seus nomes, cidades onde moram, links para seus sites e redes sociais: https://docs.google.com/spreadsheets/d/19AJsUN8kRa_30lXMRceBxjQYQrAbq1HXNn0VywQ1Loo/edit?usp=sharing

Veja, compartilhe, divulgue. Esta é uma lista em andamento, pode ser acrescida de nomes a qualquer momento.

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Políticas: mulheres que fazem cartuns, charges e muito mais

por Roberta AR

Algumas coisas são bem óbvias, mas mesmo assim precisam ser reforçadas, porque o senso comum determina o lugar das pessoas de um jeito bem tirano. “Azul para menino, rosa para menina”, a gente sabe que pode usar qualquer que não vai acontecer nada, talvez alguém encher o saco. “Não tem mulheres fazendo quadrinho, cadê?”. Daí a gente faz uma lista gigante (que tá em andamento aqui no Facada X também). E agora surge a página Políticas , porque mulheres fazem quadrinhos sobre política também, claro.

“A partir de articulações entre diversas artistas, foi constatada a ausência de mulheres em espaços dedicados às charges políticas. A ideia de que mulheres não desenham charges ou não se interessam por política ainda é bastante forte no inconsciente coletivo, quando na verdade, sabemos que mulheres chargistas que atuaram nos mesmos veículos e com a mesma proficuidade que autores renomados, apenas não tiveram o mesmo prestígio e visibilidade. Basta abrir o jornal e ver quantas mulheres têm suas reflexões e opiniões publicadas”, elas explicam na sua apresentação .

Mas quem são elas? A página Políticas é um projeto das quadrinistas Thaïs Gualberto, Aline Zouvi, Carolina Ito e da pesquisadora (e MinaNerd) Dani Marino, para oferecer um espaço para cartuns, charges e tiras feitos por mulheres. E eu conversei um pouquinho com elas sobre isso:

Mariza Dias Costa (SP)
Uma das poucas mulheres que conseguiram entrar na grande imprensa fazendo ilustrações políticas. Ela iniciou sua carreira nos anos 70, trabalhou no Pasquim e publica até hoje na Folha de S. Paulo.

 

Existe um estereótipo de que mulheres fazem quadrinhos intimistas ou fofinhos. Qual a força das mulheres nos quadrinhos políticos no Brasil?

Thaïs Gualberto – Os quadrinhos de política são considerados um ambiente mais direto, fulminante, seco, crítico, características “não femininas” e por isso tendem a achar que as mulheres não têm “tino”, “talento” para abordar assuntos políticos. Mas visitando algumas páginas na internet você vê essa teoria cair terra abaixo, com várias produções ácidas e certeiras no momento de se opor a questões da política e da sociedade. Aparentemente essa é uma das últimas barreiras que precisamos derrubar: que mulheres não fazem, não se interessam ou não são capazes de fazer charges, cartuns e histórias em quadrinhos com teor político.

Carol Ito – A gente ainda está entendendo esse universo, já que a atuação de mulheres cartunistas na grande imprensa sempre foi de exceção, não conquistou o mesmo reconhecimento dos grandes nomes da HQ política no Brasil. Sobre os estereótipos, temos recebido trabalhos com estéticas e temas bem diversos, a maioria está longe do fofinho. Mas também não há restrições contra o fofinho, desde que o trabalho traga uma reflexão crítica sobre a realidade.

Aline Zouvi – A força das mulheres nos quadrinhos políticos brasileiros ainda não é totalmente sentida pelo público (algo que podemos notar pela simples necessidade de criar nossa página), mas com o empenho de pesquisadores e divulgadores de autoras, esperamos que este trabalho (cuja força existe, desde os quadrinhos de Pagu até a atualidade) seja cada vez mais reconhecido.

Dani Marino –  Não acredito que existam estereótipos. Na prática e na convivência com as artistas, o que percebo é que a maioria é extremamente versátil. Como qualquer profissional da área, conseguem trabalhar com diversos temas, ainda que algumas tenham preferência por temas específicos como política, cotidiano, terror…

Quanto à força, mulheres como Mariza, Ciça Pinto e Crau da Ilha, já faziam charges e tiras políticas na mesma época em que os nomes mais conhecidos se destacaram no meio. Porém, nunca tiveram a mesma visibilidade. É importante que tenhamos uma diversidade em todos os tipos de produção artística, pois o olhar sobre a política não é algo homogêneo, compartilhado por todos da mesma forma. Assim, é importante que mulheres falem de política e toquem em assuntos que nem sempre os homens têm a mesma sensibilidade, simplesmente porque alguns assuntos não os dizem respeito, como o que está acontecendo com a PEC sobre criminalização do aborto.

Maíra Colares (Motoca.)

Por que é importante organizar esse conteúdo produzido por mulheres em uma página?

Aline Zouvi –  Tudo se resume à questão da visibilidade: é preciso organizar e reunir cartuns e quadrinhos políticos feitos por mulheres brasileiras para que as pessoas saibam que esta produção existe, e é frequente e em estilos e técnicas variadas. É bem simples.

Dani Marino – Justamente porque ainda é recorrente a ideia de que mulheres não falam de política, achamos necessário fornecer um espaço que reúna essas mulheres, para acabar de vez com a desculpa de que elas não são chamadas a participar de salões de humor ou antologias porque não produzem. A exemplo do que já fazia o Lady’s Comics e o Minas Nerds com as listas de mulheres quadrinistas, agora temos um espaço onde as artistas podem expor seus trabalhos sobre um assunto que muita gente nem sabia que elas produziam.

Carol Ito – O objetivo do Políticas é justamente conhecer os trabalhos das minas que estão produzindo cartuns, charges e tiras políticas e trazer a público, oferecendo um espaço acolhedor. É uma curadoria que serve para que os profissionais da imprensa e do mercado editorial tenham acesso a esses quadrinhos, já que, supostamente, é tão difícil encontrá-los nas redes.

Thaïs Gualberto – Chegou um momento em que as quadrinistas feministas do Brasil perceberam que se sentiam que não há espaço para elas, devem criar seus próprios espaços e o Políticas surgiu com essa proposta, reunir esse conteúdo político que vem sendo produzido, mas que muitas vezes é pouco conhecido, reproduzido. Existe muito conteúdo que merece mais divulgação, exposição e por mais que o Políticas ainda seja uma plataforma pequena, queremos contribuir com a disseminação desses trabalhos.
Outro aspecto que acho importante é o de gerar uma demanda por esse tipo de tema. Muitas mulheres não encontram oportunidades ou não se enxergam trabalhando exclusivamente com quadrinhos – isso também atinge os homens, claro, mas acredito que em um nível menos dramático, já que eles encontram um cenário favorável –, então, acabam se dividindo em inúmeras outras tarefas para sobreviver. Nesse contexto, produzir quadrinhos políticos pode se tornar uma tarefa árdua. Pensamos que oferecer um espaço para publicação é uma forma de incentivo para que as mulheres continuem produzindo quadrinhos sobre política.

Por Carol Ito do Salsicha em conserva.

Boa parte das criadoras da páginas fazem cartuns e quadrinhos políticos. Qual a dificuldade de circular com publicações sobre esse tema por ser mulher?

Dani Marino –  Até então, o que percebemos é que a visibilidade dada a elas e os espaços não eram os mesmos que destinados aos colegas do sexo masculino. Vamos poder avaliar como essa visibilidade muda na medida em que mais pessoas conhecerem o projeto.

Aline Zouvi – Creio que seja a mesma dificuldade com relação a qualquer outro tipo de publicação, científica ou artística, feita por mulheres. Como você disse na primeira pergunta, há este estereótipo da mulher que só faz quadrinho autobiográfico, fofo, sentimental. Toda mulher pode fazer quadrinho autobiográfico, fofo, sentimental se quiser, e podem ser quadrinhos incríveis. Mas já estamos cansadas de bater na tecla de que mulher pode fazer qualquer tipo de quadrinho, inclusive o político. Creio ser mais produtivo mostrar o trabalho de mulheres cartunistas, contribuir com a visibilidade do trabalho delas.

Carol Ito – O Alan Moore tem um texto publicado na revista The Daredevils, de 1982, que traz uma reflexão interessante. Conheci o ensaio lendo a revista argentina Clítoris. Ele traz um depoimento que diz que as mulheres não são incentivadas a serem irreverentes, sarcásticas, engraçadas, padrões associados ao trabalho de um cartunista político. O padrão é incentivar a docilidade, o silêncio, desde a infância. Embora muitas mulheres tenham se dedicado aos quadrinhos políticos, ainda são minoria. Com a desconstrução estrutural do machismo, o que vai influenciar a performance de gênero, talvez possamos pensar em uma situação igualitária.

Thaïs Gualberto – É mais difícil para algumas pessoas aceitar mulheres que se pronunciem com assertividade, que apresentem um pensamento crítico que muitas vezes pode se chocar com o de outras pessoas, principalmente os homens. Como muitos desses trabalhos trazem temáticas feministas, a rejeição acaba aumentando, porque ainda há muito machismo no meio e não é agradável quando catucam o nosso calo, né?

Thaïs Gualberto (Kisuki)

Vocês têm recebidos muitos trabalhos? Pretendem dar outros desdobramentos a esse projeto?

Carol Ito – Já temos trabalhos de 13 artistas diferentes para postar na página. Quando tivermos um volume legal de trabalhos, a ideia é transformar em uma publicação impressa. Talvez em parceria com alguma editora ou auxílio de edital. Estamos recebendo trabalhos incríveis, incluindo de cartunistas importantes como a Mariza Dias Costa.

Thaïs Gualberto – Nesse primeiro momento fizemos alguns convites às quadrinistas que publicam trabalhos no perfil que gostaríamos de ter na página. Agora estamos abertas para receber as obras das autoras que tiverem interesse em contribuir, brasileiras ou não. Mas tudo em português.

Dani Marino – Os trabalhos estão chegando aos poucos e os desdobramentos virão com os resultados que tivermos com a página, mas a ideia é que tenhamos o maior alcance possível e que os trabalhos circulem por diversos meios.

Aline Zouvi – Felizmente há muitas colaborações, e quem ainda não mandou cartuns/tiras políticas pode mandar! Talvez este projeto se desenvolva, mas os planos ainda estão sendo elaborados

Se quiser publicar na página, envie sua charge, cartum ou tira para politicashq@gmail.com.

Acesse a página Políticas no facebook: https://www.facebook.com/politicashq/

 

Thais Linhares (Grimoire) (RJ) Participa do coletivo Revista Vírus, Periquitas Quadrinhos Feministas e como voluntária do DDH – Instituto de Defensores de Direitos Humanos, onde atua na comunicação e educação em direitos humanos. Prêmios recentes como ilustradora: White Ravens 2015 e Jabuti 2016.

 

(este texto faz parte da coletânea Mulheres & Quadrinhos, organizado por Laluña Machadoe Dani Marino, publicado pela editora Script)

Female artists in history: mulheres artistas de todo o mundo reunidas em uma única página

por Roberta AR

O apagamento das obras feitas por mulheres ao longo da história é uma constante, persiste ainda hoje, quando inúmeros portais de todas as áreas simplesmente publicam muito pouco, às vezes nenhuma, ação, descoberta, projeto ou obra de mulheres da atualidade. É por isso que temos tantas páginas, sites, portais dedicados apenas a elas, pois, ou fazemos nós esse registro, ou seremos apagadas de novo. Muitas ações estão sendo feitas para a recuperação da memória histórica dos trabalhos das mulheres também e aqui falamos de um desses projetos, que tem sido um parceiro do Facada faz um tempo (confira na categoria PINTURAS): Female artists in history.

Uma página no facebook que reúne pintoras, ilustradoras, escultoras de todo o mundo em centenas de pastas com descrição detalhada das obras, biografias, de maneira simples e acessível, esse é o trabalho imenso feito por uma única mulher. Christa Zaat, holandesa, autodidata em artes, criou a página Female artists in history  com o objetivo de divulgar o trabalho de artistas que já morreram, como ela mesma diz: “eu quero dar voz às mulheres que não podem mais falar por si mesmas”.

Pedi para Christa Zaat falar um pouquinho para gente sobre o seu trabalho de curadoria e como iniciou o projeto:

“Eu mantenho um blog de arte como Christa Zaat desde 2012. Eu sempre tentei prestar uma atenção extra às mulheres artistas, já que eu tinha curiosidade para saber onde elas estavam na história. O material que encontrei sobre mulheres artistas foi tão avassalador que, em 20 de abril de 2014, iniciei a página de arte Female artists in history. Até agora eu tenho mais de 112.000 seguidores e mais de 2000 álbuns sobre mulheres artistas. Nosso banco de dados, no entanto, é muito maior, com quase 10.000 nomes e 40.000 imagens. Então eu tenho muito mais do que posso postar diariamente. E ainda estou com pouco tempo.

Eu só tenho uma página no Facebook neste momento, mas estou trabalhando em um site nos bastidores. Mas esse ainda não está ativo. É muito trabalhoso fazer isso.

Eu não estou fazendo isso sozinha. Meu parceiro Carel (um homem) é o homem forte e leal nos bastidores. Ele não gosta de estar em evidência, então eu faço todas as coisas do front-end (planejamento, postagem, organização, comunicação), e juntos fazemos a pesquisa.”

É possível ler uma longa entrevista sobre seu trabalho (em inglês) nesse link:

http://nosmokingmedia.com/features/art-herstory-christa-zaat/

Aqui, vou destacar as mulheres brasileiras que encontramos neste imenso banco de dados:

Rosina Becker do Valle

(Rio de Janeiro, 1914 – 2000) foi uma pintora naïf brasileira

rosina

Georgina de Albuquerque

(Taubaté, 4 de fevereiro de 1885 — Rio de Janeiro, 29 de agosto de 1962 ) foi uma pintora, desenhista e professora brasileira.

georgina

Tarsila do Amaral

(Capivari, 1 de setembro de 1886 — São Paulo, 17 de janeiro de 1973) foi uma pintora, desenhista e tradutora brasileira e uma das figuras centrais da pintura e da primeira fase do movimento modernista no Brasil, ao lado de Anita Malfatti. Seu quadro Abaporu, de 1928, inaugura o movimento antropofágico nas artes plásticas.

tarsila

Mira Schendel

(Zurique, 7 de junho de 1919 — São Paulo, 24 de julho de 1988) foi uma artista plástica suíça radicada no Brasil, hoje considerada um dos expoentes da arte contemporânea brasileira.

mira

Angelina Agostini

(Rio de Janeiro, 1888 — Rio de Janeiro, 1973) foi uma pintora, escultora e desenhista brasileira, filha do também pintor e caricaturista Angelo Agostini e da pintora Abigail de Andrade

angelina

Bertha Worms

(Uckange, França, 26 de fevereiro de 1868 – São Paulo, 27 de junho de 1937), foi uma professora e pintora de gênero e de retratos franco-brasileira.

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Mulheres artistas indígenas exaltam suas culturas na contemporaneidade

por Roberta AR

Abril indígena é tempo de reflexão sobre o papel das culturas originárias na nossa sociedade. Mas, culturas originárias e ancestrais não significam passado. As nações que resistem há mais de quinhentos anos de colonização e ocupação desregrada dos territórios brasileiros continuam ativas integrantes da sociedade, presentes nas universidades, nos movimentos populares e na produção cultural. Aqui selecionamos algumas mulheres indígenas das artes contemporâneas, que usam seu saber ancestral no que produzem como artistas visuais.

Espero que esse seja um incentivo para que exaltemos a cultura indígena produzida pelos próprios representantes desses povos e não apenas “artistas inspirados na cultura indígena”, como se fosse uma homenagem ao que não existe mais. Longa vida aos nossos povos originários, sua luta é a nossa!

 

Daiara Tukano

https://www.facebook.com/daiaratukano/

https://www.instagram.com/daiaratukano/

Indigena do povo Tukano, é formada pela Universidade de Brasília, mestranda em Direitos Humanos.  Educadora, militante indígena, feminista, e artista. Grande ativista dos povos indígenas, é correspondente da Rádio Yandê.

Daiara Tukano

 

Daiara Tukano

Daiara Tukano

Arissana Pataxó

http://arissanapataxo.blogspot.com/

Da etnia Pataxó, é graduada em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes – UFBA e  mestre em Estudos Étnicos e Africanos-UFBA. Seu trabalho em artes plástica usa de diversas técnicas para retratar a temática indígena no mundo contemporâneo. Ela foi a segunda colocada do prêmio PIPA On-line 2016.

Arissana Pataxó

 

Arissana Pataxó, Sem título, 2009

 

Arissana Pataxó, “Dxahá patxitxá kuyuna”, 2011

 

Carmézia Emiliano

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carmézia_Emiliano

Indígena da etnia Macuxi, é uma importante artista plástica contemporânea, como seu trabalho de Arte Naïf. Seu trabalho retrata o cotidiano indígena em Roraima e, com ele, participou de quatro edições da Bienal Naïfs do Brasil.

Carmézia Emiliano

Obra de Carmézia Emiliano

Carmézia Emiliano

 

Suely Maxakali

https://www.facebook.com/sueli.maxakali

É liderança Tikumũ’ũn (Maxakali) e presidente da Associação Maxakali de Aldeia Verde, MG. Fotógrafa, participou, entre outros projetos, do livro Koxuk Xop Imagem (Beco do Azougue Editorial, 2009), com fotografias das mulheres maxakali sobre os rituais e o cotidiano da Aldeia Verde e de Cantobrilho tikumu’un: no limite do país fértil (2010), projeto de exposição e livro em torno da estética tikumũ’ũn. Faz fotografia still e assistência de direção nos filmes de Isael Maxakali. Também é professora do Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG.

Suely Maxali

Fotografia still e assistência de direção no filme:

 

Duhigó Tukano

https://www.facebook.com/duhigotukano/

Duhigó é artista visual amazonense da etnia Tukano da região do Alto Rio Negro, comunidade Paricachoeira. “Eu pinto o que não existe mais, e isto é muito importante para o meu povo. As máscaras de ritual, os potes que minha avó usava na aldeia e que os Tukano não fazem mais. Também pinto as lembranças da minha infância na aldeia. Elas só existem na minha memória, no meu imaginário. Pinto para não deixar a minha cultura morrer” (extraído de sua página no instituto Dirso Costa)

Duhigó

 

Duhigó, Máscara de Casamento Apurinã, 2013

Duhigó, Merã – Coisa antiga, 2014

 

Kawena

https://www.institutodirsoncosta.com.br/artistas/kawena/

Kawena é filha de pai e mãe kokama. Formou-se em Marchetaria de Quadros na Escola de Artes do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura Amazônicas e é a primeira mulher Kokama artista plástica de marchetaria da Amazônia, trabalho que foi exposto em diversas exposições coletivas.

Kawena

 

Kawena, Opotó Apitú – Cestaria Waiana, 2009

Kawena, Trançado de Peneira Baniwa, 2009

 

Naine Terena

Naine Terena de Jesus é Indígena Terena, do Brasil. É Doutora em Educação pela PUC/SP, mestre em Arte Contemporânea pela UNB/DF e graduada em Comunicação Social – habilitação em radialismo pela UFMT. Dá vida a sua  da Oráculo Comunicação, educação e cultura, onde é empreendedora sociocultural. A Oráculo e a arte militante de Naine Terena, fomentam a formação de pequenas redes de trabalho, envolvendo outras pessoas com sororidade e empatia pela resistência através da memória. https://oraculocomunica.wordpress.com/

Naine Terena

 

Quem roubou essas memórias? 

 

sem nome – dizeres

 

Yxa Py

Yxa Py é o nome guarani de Patrícia Ferreira, da etnia Guarani Mbya. Ela é cineasta, diretora de Desterro Guarani (2011), Tava, a casa de pedra (2012), Bicicletas de Nhanderú (2011). Seu mais recente filme, Teko Haxy – ser imperfeita (2018), dirigido ao lado de Sophia Pinheiro, é um encontro íntimo entre duas mulheres que se filmam. https://www.facebook.com/pg/tekohaxy

Teko Haxy – Trecho 3 Conversa from Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema on Vimeo.

 

 

Mirna Kambeba Omágua – Yetê Anaquiri

https://www.facebook.com/mirna.anaquiri

Artista performer e estudante de artes plásticas, é a primeira estudante indígena a defender o mestrado na Universidade Federal de Goiás (UFG). Com o estudo autobiográfico “Que memórias me atravessam?”, em que discutiu o esvaziamento da cultura indígena no espaço escolar e trabalhou a desconstrução dos estereótipos da imagem dos povos originários, especialmente da mulher indígena, no ensino fundamental. Sua família conseguiu, após dez anos lutando na justiça, colocar o sobrenome indígena em seus documentos.

 

Graci Guarani

https://www.facebook.com/graci.guarani

Da nação Guarani, é comunicadora, cineasta, fotografa, designer e oficineira de audiovisual. E diretora de diversos curtas, entre eles: Terra Nua (2014), Mãos de Barros (2016), Mba’eicha Nhande Rekova’erã (2018). Sua produtora está com projeto para financiamento coletivo para compra de equipamentos, para ajudar clique em https://www.kickante.com.br/campanhas/equipamentos-audiovisual-p-cineastas-indigenas

 

Tempo circular (2018), direção de Graci Guarani

(publicado originalmente no site MinasNerds)

Mais ilustradoras negras, uma nova lista para guardar

por Roberta AR

Quase um ano depois da primeira lista (clique aqui para conhecê-las), reunimos agora mais ilustradoras negras, agora são mais de cem artistas listadas em dois posts. São trabalhos para todos os gostos, apreciem com carinho.

Amanda Duarte

https://www.facebook.com/colossalnand/

Amanda Duarte

Amanda Grigorio

https://www.behance.net/amandagrigorio

Amanda Grigorio

Ana Melo

https://www.instagram.com/Anafrankm/

Ana Melo

Anna Cláudia Magalhães (ANNA M.O)

https://www.instagram.com/annam.o/
https://www.facebook.com/annam.oilustra/

ANNA M.O

Ateliê Trovoa

Ana Almeida
Ana Clara Tito
Carla Santana
Laís Amaral


https://www.facebook.com/atelietrovoa/

Bárbara Silva

https://www.instagram.com/abarbasilva
https://www.behance.net/abarbarasilva

Bárbara Silva

Blenda Furtado

https://blendafurtado.com/

Blenda Furtado

Brisista

https://www.facebook.com/Brisista/
https://www.instagram.com/brisista/

Brisista

Camila Novaes

https://marromartecampinas.wixsite.com/cultura
https://www.facebook.com/MarromArte/

Camila Novaes

Carlota Moura

https://www.instagram.com/cajumoura/

Carlota Moura

Carolina Fernanda

https://www.instagram.com/carolinafsilvarts/

Carolina Fernanda

ClariLua

https://www.instagram.com/a.clarilua/

ClariLua

Cláudia

https://www.instagram.com/clawdraws_/

Cláudia

Dalila Mendonça

https://www.facebook.com/Inconsistência-546432055396341

Dalila Mendonça

Deise Karem

https://www.instagram.com/Astronaut_karem/

Deise Karem

Denise Silva

https://www.instagram.com/ise_camaleoa/
https://www.facebook.com/denisenhando/

Denise Silva

Dessa Silva (Pessega)

https://www.instagram.com/dessa_pessega/

Pessega

Deyse Neto

https://www.behance.net/derailustra

Deyse Neto

Domitila de Paulo

https://www.instagram.com/domitiladepaulo/

Domitila de Paulo

Duds Saldanha

https://www.behance.net/dudssaldanha

Duds Saldanha

Érika Gonçalves de Lima (Anegadoleite)

https://www.facebook.com/neggadoleite

Anegadoleite

Ernanda Souza

https://linktr.ee/ernanda91

Ernanda Souza

Estreleta

https://www.instagram.com/estreleta/

Estreleta

Gabriela Pires

https://www.behance.net/gbrlpires

Gabriela Pires

Gigi Araujo

https://www.instagram.com/amoricesdagi/

Gigi Araujo

Giulia Gartchia

https://www.instagram.com/gartchia/

Giulia Gartchia

Isabela Santos

https://www.facebook.com/IsabelaSantosArt/

Isabela Santos

Lara Dias

https://laradias.com

Lara Dias

Leta

https://www.facebook.com/negapeta/

Leta

Letícia Carvalho

https://www.instagram.com/leticafe

Letícia Carvalho

Letícia Lubke

https://www.behance.net/leticialubke

Letícia Lubke

Leticia Quintiliano

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https://www.behance.net/leticiaquintilhano

Leticia Quintiliano

Lidia Viber

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Lidia Viber

Lila Cruz

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Lila Cruz

Lyillo

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Lyillo

Malokêarô

https://www.instagram.com/malokearo/

Malokêarô

Marcela Werneck

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Marcela Werneck

Maria Izabel Nascimento Muller

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Mariana de Matos

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Mariana de Matos

Mariana Ser

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Mariana Ser

Michele Nunes

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Michele Nunes

Natália Brito (Pipa Azul)

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Pipa Azul

Nene Surreal

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Nene Surreal

Orádia Porciúncula

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Orádia Porciúncula

Raquel Gouvêa

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Raquel Gouvêa

Renata S. Madaleno

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Renata S, Madaleno

Rosana Paulino

http://www.rosanapaulino.com.br/

Rosana Paulino

Sheila Ayó

https://www.facebook.com/sheylaferro.arts

Sheila Ayó

Sirc Heart

https://www.facebook.com/Sirc-Heart-826224007437073
https://www.instagram.com/sirc_heart/

Sirc Heart

Taise Garcia

https://www.instagram.com/taisegarcia.art/

Taise Garcia

Taynara Cabral

https://www.instagram.com/taycabral/

Taynara Cabral

Thais Cantelmo

https://www.behance.net/thacantelm541e

Thais Cantelmo

Thais Mota

http://thaismoa.tumblr.com/
https://www.instagram.com/thaimoa/

Thais Mota

Vanessa Monteiro

https://www.facebook.com/vanmonteiroarte/

Vanessa Monteiro

Yasmin Oliveira

https://www.instagram.com/ymo.ink/

Yasmin Oliveira

publicado originalmente no site MinasNerds

Muitas ilustradoras negras para conhecer e acompanhar

por Roberta AR

Esta é mais uma lista de mulheres artistas que vai ao ar por aqui. Desta vez reunimos ilustradoras negras e seus trabalhos de tirar o fôlego (não estou brincando, são coisas maravilhosas em cada um desses links). Veja, divulgue, siga o trabalho dessas cinquenta minas maravilhosas.

Amanda Daphne

http://elailustra.wixsite.com/amanda-daphne/portfolio

ilustração de Amanda Daphne

 

Ana Cardoso

https://www.facebook.com/anacardosart/
https://www.behance.net/ana_cardoso
https://www.facebook.com/BlackInk.Cursos

ilustração de Ana Cardoso

 

Ana Maria Sena

https://www.facebook.com/namaria.ssp/
https://www.instagram.com/__namaria/

ilustração de Ana Maria Sena

 

Annie Ganzala

https://www.facebook.com/annieganzala/

ilustração de Annie Ganzala

 

Ariane Cor

http://arianecor.net/

ilustação de Ariane Cor

 

Carli Ayô

https://www.instagram.com/carli_ayo/
https://br.pinterest.com/Ayoramos/ilustrações-do-imaginario/

ilustração de Carli Ayô

 

Carolina Fôlego

https://www.facebook.com/folegograffiti/

Grafite de Fôlego

 

Chiquinha Nzenze

https://www.facebook.com/kindumbadaana/

ilustração de Chiquinha

Crica Monteiro

https://www.facebook.com/CricaGraff/

grafite de Crica

Criola

https://www.facebook.com/criolagraff/
https://www.instagram.com/criola___/

pintura de Criola

 

Danielle Akili

https://www.facebook.com/danielleakili/

ilustração de Danielle Akili

 

Day Lima

https://www.instagram.com/dayisis/

ilustrações de Day LIma

 

Deyse Carina

https://www.facebook.com/DeyseCarinaDesenhos/

ilustração de Deyse Carina

 

Dharilya

https://www.facebook.com/Dharilya/

ilustração de Dharilya

 

Dhiovana Barroso (Dhiôw)

https://www.instagram.com/ahhdindi/
https://www.facebook.com/adivinhadindi/

quadrinho de Dhiôw

 

Dika Araújo

https://www.facebook.com/theartofdika/
https://www.artstation.com/dianearaujo

ilustração de Dika Araújo

 

Dorea

https://www.instagram.com/renatadore/
https://www.facebook.com/DOREAAAAAAAAA/

ilustração de Dorea

Flávia Borges

https://www.instagram.com/breezespacegirl/
https://www.behance.net/flaviabsilustra

ilustração de Flávia BorgesFlávia Borges

 

Flávia Carvalho

https://www.facebook.com/faw.atelier/
https://www.instagram.com/fawcarvalho/

ilustração de Flávia Carvalho

 

Gabriela Nolasco

https://www.instagram.com/gabienna/

ilustração de Gabriela Nolasco

 

Ianah

https://www.instagram.com/ianah_/
https://www.ianah.net/

ilustração de Ianah

Inajah Cesar

https://www.behance.net/inahcesar
https://www.instagram.com/inajah/

publicação de Inajah Cesar

 

Janaína Esmeraldo

https://www.instagram.com/cabelonuvem/

quadrinho de Janaína Esmeraldo

Jéssica Góes

https://www.instagram.com/jessicargoes/

ilustração de Jéssica Góes

Kerolayne Kemblin

https://www.facebook.com/kerolaynekk/

ilustração de Kerolayne Kemblin

 

Lhaiza Morena

https://www.facebook.com/lhaizamorena/

ilustração de Lhaiza Morena

 

Libértula

https://www.instagram.com/libertul4/
https://www.facebook.com/libertul4/

ilustração de Libértula

Limão

https://www.facebook.com/limaojpeg

ilustração de Limão

 

Linoca Souza

(já entrevistamos ela por aqui)
https://www.facebook.com/linoca.art/

ilustração de LInoca

 

Lívia Pereira Agabel

https://www.instagram.com/livia_agabel_ilustracoes/

ilsutração de Lívia Pereira Agabel

 

Maria Freitas

https://www.facebook.com/Vespertin0/

ilustração de Maria Freitas

 

Maria Rosa

https://www.facebook.com/mariarosa.art/
http://www.artedemaria.com/

colagem de Maria Rosa

 

Marília Marz

https://www.instagram.com/mariliamarz/

ilustração de Marília Marz

 

Mari Melo

https://mari-melo3.tumblr.com/
https://www.instagram.com/afrolatina_girl_art/

ilustração de Mari Melo

Mayara Smith

https://www.instagram.com/avacapreta/
https://www.facebook.com/MayaraSmithIlustracao

quadrinho de Mayara Smith

 

Michelle Oliveira

https://www.facebook.com/teenagemicha/
http://teenagemicha.tumblr.com/

ilustração de Teenage Micha

Nathália Ferreira

https://www.facebook.com/desbravandoalemmar/
https://www.instagram.com/desbravandoalemmar/

grafite de Nathália Ferreira

 

Nayra

https://www.facebook.com/amazingnayra/
http://nayra-souza.daportfolio.com/

ilustração de Nayra

 

Negahamburguer

https://www.facebook.com/olanegahamburguer/
http://cargocollective.com/olanegahamburguer

ilustração de Negahamburguer

 

Panmela Castro

https://www.facebook.com/panmelacastro/
https://panmelacastro.carbonmade.com/

pintura de Panmela Castro

 

Paula Bonfim

https://www.facebook.com/paulla.bomfim
https://www.facebook.com/paullabomfimloja/

ilustração de Paula Bonfim

 

Penaforte

https://www.instagram.com/penaforte.art/
https://www.facebook.com/nilakpenaforte

ilustração de Penaforte

 

Preta

https://www.instagram.com/preeta_art/

ilustração de Preta

 

Preta Ilustra (Vanessa Ferreira)

https://www.facebook.com/pretailustra/

ilustração de Preta Ilustra

 

Roberta Nunes

https://www.facebook.com/piadasrasas/

ilustração de Roberta Nunes

Salamanda Gonçalves

https://www.facebook.com/MandingasComunicacao/
https://www.instagram.com/asalamanda/

ilustração de Salamanda Gonçalves

 

Silsil do Brasil

https://www.facebook.com/silsil.brasil

ilustração de Silsil do Brasil

 

Silvelena Gomes (Sil)

https://www.instagram.com/ilustrasil/
https://www.facebook.com/ilustrasil/

ilustração de Silvelena Gomes

Valentina Fraiz

http://anemonaestudio.tumblr.com/
https://www.facebook.com/EstudioAnemona/

ilustração de Valentina Fraiz

Yasmin Ferreira

https://www.facebook.com/arteprayaya/
https://www.instagram.com/arteprayaya/

pintura de Yasmin Ferreira

 

(publicado originalmente no site MinasNerds)