Quinze anos de Facada X

por Roberta AR

Criado como um espaço livre para publicar, por mim e pelo André, o Facada sempre esteve aberto aos nossos amigos e a pessoas que se aproximaram para trocas interessantes. Começamos um ano depois do lançamento do orkut, que ainda era fechado apenas para convidados,  então muito do que foi postado no início deste deste zine eletrônico tem a cara de publicação comum das redes sociais de hoje. Para muita gente, foi a primeira experiência publicando despreocupadamente na internet, alguns até começaram seus próprios blogs depois. Hoje, ainda somos espaço para reflexões, trabalhos autorais, resenhas, e, mais recentemente, listas. E tudo isso está aqui nos nossos arquivos. Ao abrir nossa conta no instagram, nesses tempos de redes muitas, vi que chegamos aos QUINZE ANOS!

É muito tempo desde que criamos o ainda Facada Leite-Moça, um nome aleatório retirado de uma música de Fausto Fawcett, e que acho que foi o nome deste espaço por pelo menos a metade da sua existência. Como somos dinossauros da internet, ainda somos fruto do idealismo do conteúdo livre e compartilhado, por isso decidimos ser um espaço não monetizável e colocamos nossas publicações em licença Creative Commons.

O que nunca fizemos, nesta longa trajetória, foi organizar em um único post todo mundo que já passou por aqui. Não tínhamos feito, porque está aqui agora, os convidados todos para nossa festa de debutante. Além de mim, Roberta AR, e do André Rafaini Lopes, temos esta longa lista. Clique no nome para ver o conteúdo disponível:

Adriano de Almeida

André Francioli

André Gonzales

Antonio Netto

Antonio Souza

Biu

Bruno Azevêdo

Caio Gomez

Casa Locomotiva

Carla Lisboa

Carlos Dowling

Chapamamba

Cicinho Filisteu

Clara do Prado

Cláudo Parentela

DigóesX

Diogo Brozoski

Edgar Raposo

Érica Pierrobon

Evandro Esfolando

Everaldo Maximus

Felipe Marinho

FErio

Fernando Vasconcelos

Flávia Diab

Francisco Zenio

Gabriel Góes

Gabriel Mesquita

Igo Estrela

Jamile Vasconcelos

Juh Oliveira

Juliana Bolzan

Laluña Machado

Lauro Montana

Lilian Sampaio

Luciano Vitoriano

Luda Lima

Maurício Patiño

Mauro Castro

Michel Aleixo

Os Haxixins

Pedro Elias

Rafael Zolis

Raul Córdula

Sebastião Vicente

Stêvz

Thelma Ramalho

Tiago Penna

Túlio Flávio

Valdez

Zefirina Bomba

A Indústria Cultural em Adorno e a Construção da Música de Massa através dos mecanismos da globalização

por Everaldo Maximus*

A regressão da música como expressão artística é um fato analisado por uma quantidade considerável de estudiosos do tema, especificamente quando ao seu processo de produção a partir da globalização das tecnologias e do desenvolvimento das telecomunicações. Conforme avançou a sociedade contemporânea, tornou – se mais visível as conseqüências da coisificação dos produtos e mercadorias de segmento culturais consumidos indiscriminadamente. Para dá sentido ao termo coisificação que atinge a estrutura interna da arte como produção artística Adorno destina em sua percepção afirmando que; “Entrar docilmente na engrenagem do maquinismo – ou aceitar essa pornografia musical fabricada para satisfazer às supostas ou reais necessidade das massas”. (ADORNO, 2000, p.85.). Adorno utiliza a palavra entretenimento essa estrutura de fetichismo que é a depravação dos valores artísticos da música.

O processo de racionalização da burguesia mercantilista do século XIX revolveu os valores de todas as esferas das criações humanas, para Adorno a arte produzida juntamente com a ascensão da cultura burguesa foi iniciada como um protesto a ordem vigente.

“O fascínio da canção da moda, do que é melodioso, e de todas variantes da banalidade, exerce a sua influência desde o período inicial da burguesia. Em outros tempos este fascínio atacou o privilégio cultural das camadas sociais dominantes”. (ADORNO, 2000, p 71 e 72).

Neste sentido, o consumidor não é o sujeito dessa indústria, e sim o objeto, que consome mercadorias de forma desordenada sem uma auto – avaliação crítica. A massificação dos produtos relacionados à cultural de massa são efeitos da padronização e da técnica de produtos fabricados pela indústria cultural. Para Adorno, não foi apenas os efeito da evolução das técnicas musicais e sim “A padronização e a produção em série, sacrificou o que fazia a diferença entre a lógica da obra de arte e o sistema social”. (ADORNO, 1985, p. 100). A concepção de progresso foi estilizada quando foram inseridas técnicas modernas tornando o homem escravo da reificação do processo de produção artística se transformando de sujeito da dominação em objeto desta dominação. Essa reflexão é o eixo central da Dialética do Esclarecimento de Adorno e Horkeheimer.

A degeneração cultural da sociedade pode ser compreendida pelo esclarecimento, nome atribuído por Adorno as análises das configurações e funcionamento da indústria cultural. As reflexões sobre o esclarecimento em parte foi utilizado como elemento determinante na Dialética do Esclarecimento, que teve grande influência na construção dos pilares da arquitetura da Indústria cultural. A antítese da música como expressão artística está diretamente ligada aos produtos culturais fabricados que tentam impor uma realidade maquiada dos conceitos duvidosos e controversos em relação aos valores artísticos impostos pelos grandes veículos de reprodução em massa. Como exemplo a indústria do cinema e a indústria da música.

Dado todo esse processo Adorno busca em Marx, esclarecimento para o processo de produção e reprodução construído na indústria cultural. Escreve Marx:

“O mistério da forma mercadoria consiste simplesmente no seguinte: ela devolve aos homens, como um espelho, os caracteres sociais do seu próprio trabalho, como propriedades naturais e sociais. Em conseqüência a mercadoria reflete também a relação social dos produtores como trabalho global como a relação social de objetos existente fora deles”. (KARL MARX, 1932, p, 180).

Com isso, Marx demonstra que a relação da arte com as massas foi construída a partir das limitações impostas pelas falsas atribuições do entretenimento.  Servindo apenas para que o indivíduo não reflita sobre o que está sendo consumido impulsivamente e utilize apenas como um passatempo. Nesse sentido, a indústria cultural anula a percepção de realidade através de estruturas construídas e planejadas para excluir as demandas conscientes pela dominação. Deste modo, a indústria cultural desenvolve mecanismos para que o indivíduo reconheça os símbolos, códigos e imagens transmitidos por rádios ou televisão.

“O mundo inteiro é forçado a passar pelo filtro da indústria cultural. A velha experiência do espectador de cinema, que percebe a rua como um prolongamento do filme que acabou de ver, porque este pretende ele próprio reproduzir rigorosamente o mundo de percepção quotidiana, tornou–se a norma da produção. Quanto maior a perfeição com que suas técnicas duplicam os objetos empíricos, mais fácil se torna hoje obter a ilusão de que o mundo exterior é o prolongamento sem ruptura do mundo que se descobre no filme”. (ADORNO, 1985, p. 104.).

Essa necessidade lógica criada pela industrial cultural consiste na substituição da realidade efetiva do individuo já que a exibição dos produtos sintetiza um registro fiel da realidade. A naturalização de todo processo histórico da dominação é reflexo da mecanização do pensamento e a reprodução dos mecanismos em escala industrial.

A constituição da música como instrumento artístico está contida em uma nova consciência cultural chamado por Adorno de indústria cultural. Termo utilizado para estabelecer em quais esferas se dá a produção cultural massificada, esclarecendo as relações entre a cultura e a grande máquina do capitalismo. No início dos anos quarenta do século XX, para esclarecer as necessidades da criação e reprodução social das mercadorias de cunho cultural, Adorno e Horkheimer, defendem que o desenvolvimento artístico deveria expressar a capacidade intelectual de cada individuo. Como exemplos dos seguintes sentidos humanos, esperança, felicidades, alegria, medo, ódio as paixões. Nesse sentido, a imagem da música entra no plano perfeito e nas superfícies das realidades sociais. A harmonização da liberdade causada pela música no seu sentido mais amplo.

LEIA O ARTIGO COMPLETO AQUI

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* Everaldo Maximus é brasiliense, historiador e componente da banda Valdez. Diz que destesta redes sociais, mas pode ser encontrado no twitter. Ele ainda vai ter sua vingança.