O crime do teishouku preto

Publicamos aqui um gostinho do que foi produzido pela Jam Session de Quadrinhos em Brasília, produzida pelo Facada e pela Kingdom Comics e idealizada pela HQMIX.

PARA VER AS FOTOS, CLIQUE AQUI.

Pocket show da Valdez (com um pequeno delay na publicação aqui)


O pagamento de Biu, primeira execução pública


Cover de Search and Destroy

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por Gomez

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por Juliet Jones

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por Evandro Esfolando

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por James Figueiredo

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por Felipe Sobreiro

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por Thiago Fonseca

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Por Camila Hott

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por Daniel Carvalho

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por Kleber Sales

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Por Lua Bueno Cyriaco

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por Verônica Saiki

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por Carol Brandão

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por Leandro Luna

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por Bruno Azevedo

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por Lima Neto

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por Arnold Jacques

(update em 09/05/2011)

I love my gun

por Biu, Bruno Azevêdo e Evandro Esfolando*

1. O homem é o lobo do homem, já dizia Severino Miguel, vereador emboscado no adro da Matriz de Santa Rita de Cássia, em Rio Tinto, Paraíba. E eu não duvido. O homem é o lobo do homem, é na animosidade dos instintos que se especializa a raça. Então não sejamos nós a tentar tapar o Sol com uma peneira cheia de cascalhos quentes, vamos pôr tudo às claras, embora a noite gema no escuro: forjados a ferro e fogo pela mão cascuda da própria natureza, dois super-homens duelam até a morte na mata ao lado do circo onde está o trailer de um deles, este que foi quase pego de surpresa em seu trailer, mas que, por princípio, nunca descola de seu trabuco, um apêndice de metal. É por isso que ainda está vivo, apesar de ferido, ainda que não tanto quanto seu oponente, que levou a pior na troca de tiros dentro do trailer e embrenhou-se no mato. Mas não se engane, ele vai voltar, e, sabendo disso, o outro saiu em seu encalço. É lua cheia, mas o céu está fechado, então as coisas às vezes ficam claras por aqui, mas, no geral, tão pretas, reluzindo de vez em quando pelos disparos das duas armas que se batem às cegas. Por instinto os canos uivam, comem balas e cospem fogo um no outro, e que (perca o pior) vença o melhor. Para a glória da donzela perversa, esses filhos de Darwin, dados do acaso, rolam sobre a mesa da necessidade, um deles nu, como pego na emboscada, arma em riste, o outro caindo pelas tabelas, deixando atrás de si um rastro de sangue, ambos arfando e de orelhas em pé. Onde não se pode ser leão, é preciso saber ser hiena, então o mais gravemente ferido estanca o sangue e dá a volta, ele falhara na primeira tentativa, se apenas tentar fugir, morrerá cedo ou tarde. A lua brilha no céu, cúmplice, iluminando seu rastro, está armada a arapuca. O silêncio que se segue a camufla. O leão aproxima-se, cheio de si, prestes a virar pato. Uma coruja pia em sinal de alerta, avisando a todas as criaturas, inclusive aos mamíferos bípedes, que existe um movimento estranho na mata. A lua volta a se esconder. Eles estão frente à frente, separados um do outro por uma clareira, um deles apoia-se em uma árvore com uma mão e faz mira trêmula com a outra, mas é o outro quem dispara primeiro, um último tiro, certeiro, em cheio.  Antes de espatifar-se, o cérebro registra uma última imagem que nunca saberemos qual é, isso é com os cientistas. O juiz encerra a luta, o vencedor comemora em silêncio: o homem é o bobo do homem.

Sob a lua alta, cheia e vermelha, de um céu agora deserto, mirando o vazio complacente dos olhos de seu oponente vencido, o lobo do homem examina seu ferimento, não é fatal, mais uma cicatriz… Senhores, chegamos juntos até aqui,  para quê dourar a pílula no final? Ele então baixa lentamente sua arma quente, ainda fumegante, expira o ar para fora de si e sente os pulmões murcharem e o coração debrear, enquanto uma brisa leva o cheiro da pólvora pra longe, e, ante a presa abatida, experimenta uma completa e irresistível ereção.

O circo estava armado. O show tem que continuar.
Monta o morto e lhe toma os sapatos e as calças, cigarros, fósforos e dinheiro pequeno vem de brinde. Só lhe deixa a camisa furada e empapada de plasma. Nunca o viu, mas carrega o respeito fraterno da profissão, como o guarda da estação, que às seis e meia desce do trem e diz bom dia aos carteiristas. Mungango is dead e de manhã o circo vai ser grande com os refletores e as crianças que preferem o palhaço assim, com a boca cheia de formiga. A festa com remela nos olhos, o rabecão, o sol que nasce e a trupe que reconhece pro delegado o palhaço que nunca viram porque o palhaço que há anos dava estripulias não tinha nome nem história, só uma pintura triste no rosto que fazia rir como ninguém e não titubeava na hora de furar um porco, não importa o quanto o bicho berrasse.
Ele então tem a idéia que vai fazer essa novela render…
Por mais que as cornetinhas do espetáculo, os rugidos dos leões, os roncos das motocas no globo da morte e os espantos nos queixos imberbes caídos dos meninos ante a mulher barbada tivessem abafado os tiros, e o ferimento não impedisse sua subida ao picadeiro – a clown who bleeds is better – chega uma hora que a gente fica vesgo e enxerga o próprio nariz vermelho.
De volta ao trailer, depois desse showzinho privê, pega as roupas e a maquiagem. Mesmo sozinho, tenta esconder o pau ainda duro com uma cueca e fica com aquele mini-circo nas ancas. Sabe que em algumas horas lhe doerão os ovos e esvazia o cofrinho pra comprar alívio, ah! Esporra numas fotos antigas de palhaços decadentes bebendo cerveja, a maquiagem borrada, os olhos tão vermelhos quanto os narizes. La petit mort, dizem os franceses, deve ser, porque a grande, à vera, quem curtiu foi o cadáver lá na mata, o outro palhaço, de um outro circo, mas, a mando de quem?
Volta à mata e veste o defunto com suas roupas. Você já tentou pintar um sorriso na cara de um morto? Alargar seu pau com uma bombinha então nem pensar, né?
E agora o circo está desarmado. Próxima parada: Santana dos Garrotes.

Não se falava em outra coisa que não fosse a morte do palhaço durante o monótono caminho entre as cidades. Especulações dos mambembes sobre Mungango ajudavam a matar o tempo dentro dos velhos caminhões ciganos. Seria vingança, porque palhaço o que é? Ladrão de muié? A anã Dora Dorinha poderia reconhecer o corpo com 100% de exatidão, se visse o pênis duro de Mungango, mole, ficou na dúvida. Ela adorava pisar nos sapatos gigantes de palhaço, enquanto ele lhe socava a pica goela abaixo…
Indo na direção oposta à dos mambembes, Mungango lembra da goela da anã e ri sozinho, em meio à poeira da estrada de barro. Aquilo tudo ficou para trás, tão rápido quanto anda a charrete que lhe deu carona. Mugango is dead: longa vida a Zoitão, o palhaço matador. Ou matador palhaço, orever.

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*Biu é paraibano, farmacêutico e faz quadrinhos.

* Bruno Azevêdo é maranhense e escritor. Autor do livro Breganejo blues, mantém o blog O PUTAQUIPARIU!

Evandro Vieira é escritor e músico, autor de Esfolando os Ouvidos (sobre o rock em Brasília) e de Grosseria Refinada (contos) e vocalista da banda Quebraqueixo.

Uno & Duo

por Evandro Esfolando*

*Evandro Esfolando é cigano, demiurgo e mais um monte de coisas, é só checar aqui.

Muerteens

por Evandro Esfolando*

muerteen first

muerteen raloin

*Evandro Esfolando é cigano, demiurgo e mais um monte de coisas, é só checar aqui.

Festival Jambolada 2008

por Evandro Vieira*

Entre os dias 7 e 14 de setembro aconteceu a 4° edição do Festival Jambolada, em Uberlândia, e eu estava lá. Recebi o convite para participar do evento pelo Alessandro Carvalho, um dos donos do Festival. Ele leu o meu livro “Esfolando Ouvidos” e me convocou para um debate sobre Interface entre Música e Literatura Contemporânea.

Eu e minha namorada Karla chegamos na simpática cidade mineira antes das 6 horas da manhã do dia 12. A produção mandou uma van para nos pegar na rodoviária e nos levar até o hotel onde a maioria dos artistas e da impressa ficou hospedada. Após um breve descanso, fomos levados para almoçar. Na van já começamos a fazer amizades com o pessoal das bandas e da produção.

Ao voltarmos pro hotel, encontramos a Simone e o Moab de Brasília. Eles já são profissionais dos festivais independentes e estavam lá para divulgar o Tupanzine, o mais antigo fanzine em atividade no Brasil. No calorão das 4 horas da tarde fomos para o SESC, onde estavam sendo realizadas as palestras, workshops e debates. Um pouco antes do começo, conheci meus companheiros de debate: Danislau do “Porcas Borboletas”, o Pimentel do “Vandaluz” e o Lirinha do “Cordel do Fogo Encantado”. Todos os assentos da sala foram ocupados e uma dúzia de pessoas assistiu de pé os quatro doidos falarem de suas experiências de música e literatura por uma hora e meia. Foi bem estranho e engraçado.

Depois da missão cumprida, eu só queria cama e ar condicionado. De noite, fomos para o Acrópole, a casa de show onde o Jambolada estava acontecendo. Viemos na van com o pessoal do Sick Sick Sinners e seu discreto baixo acústico. Pra mim, esta banda de psychobilly curitibana foi a melhor atração da noite. Wander Wildner, Macaco Bong e Cordel do Fogo Encantado também agradaram as mais de quatro mil pessoas que compareceram. O lance é que nesses festivais eu acabo nem prestando muita atenção nos shows, o que eu gosto mesmo de ouvir são as fofocas. Deixei meus livros com a Eline e o Maurício no estande da Monstro e fui tostar bagulhos de várias procedências até as 4 da manhã. Simone e sua prima Fernanda tiveram trabalho para domar o Moab, que ficou locaço de birita.

No sábado, foi aquela coisa difícil de acordar pra tomar café, dormir, acordar pra almoçar, deitar, levantar pra jantar e ir pro show. O Galinha Preta já estava tocando quando chegamos. Hells, Boró, Japonês, Frango e o estreante Bruno agradaram geral. Depois foi o Krow, banda de death trash metal do amigo Sapão. O lema do festival era misturar sons e no meio da zoada tocou até Malu Magalhães, com direito a muitas menininhas vestidas igual a ela na platéia. Trombei com o Boca, batera do RDP, sempre na função de camelô vendendo CDs.

Visivelmente mais cheio, esta noite do Jambolada deve ter passado dos cinco mil pagantes. No backstage, a fofoca e a maconha estavam fortíssimos. O Ratos de Porão fechou a noite em show memorável, o som estava ótimo e o público insano agitou o tempo todo. Deu até uma tristeza quando o show acabou, é que pra mim e pra Karla, o Jambolada estava chegando ao fim.

Ao meio-dia de domingo fizemos o check out do hotel, nos despedimos dos novos e velhos amigos e pegamos o rumo de casa. Ficou a lembrança de um festival muito divertido e muito bem organizado. Jambolada 2009, eu vou!

Mesa sobre Interface entre Música e Literatura Contemporânea, no Jambolada 2008

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* Evandro Vieira é escritor e músico, autor de Esfolando os Ouvidos (sobre o rock em Brasília) e de Grosseria Refinada (contos) e vocalista da banda Quebraqueixo.

Três dias na Bienal do Livro de São Paulo

por Evandro Vieira*

Eu tinha três bons motivos pra ir à Bienal do Livro deste ano. Primeiro que eu nunca tinha ido nas edições anteriores, segundo que seria bom divulgar meus livros num evento desse porte e terceiro que eu poderia encontrar alguns artistas que muito admiro.

Cheguei no sábado, dia 16. Utilizei o transporte gratuito que sai da estação do metrô Tietê até o parque do Anhembi. Descolei uma credencial de autor, o que me permitiu livre acesso nos três dias em que visitei a Bienal. O lugar é gigantesco, 70 mil metros quadrados, com 350 estandes de livrarias e editoras.

Um dos locais mais movimentados era o estande da Panini, que trouxe da gringa uma estátua do Hulk de 2 metros e meio para enfeitar o ambiente. Todo mundo tirava foto. Num dos cantos vejo um cara desenhando. Descubro que é Luck Ross, mais um talentoso artista gráfico brasileiro contratado pela Marvel Comics. Enquanto ele desenhava, ficamos conversando. O cara é gente fina e no final, me fez um desenho do Capitão América, que logo estará pendurado em minha parede.

Este primeiro dia foi mais pra fazer um reconhecimento da área, tirar umas fotos e olhar as novidades. A grande maioria dos estandes estava vazia e a cara dos vendedores não aparentava otimismo. Muitos se arriscavam a abordar os visitantes no meio dos corredores, espantando de vez o possível cliente.

No domingo de manhã, garanti uma das 100 senhas que davam direito ao autógrafo do Maurício de Souza e que se esgotaram em menos de uma hora. Parti para o estande da Editora Globo, onde o Mestre Ziraldo  fez uma sessão de autógrafos. Ele chegou desacompanhado, sorridente e usando um dos seus coletes coloridos. Fiquei logo no começo da fila e ele me recebeu muito bem, tiramos fotos e ele fez dedicatórias para mim e pra minha namorada Karla, que dessa vez não veio comigo pra SP.

Nesse Domingo a Bienal bombou, realmente estava cheia. Fiquei enrolando até às 15h, quando entrei na fila do estande da Melhoramentos para uma nova sessão de autógrafos com o Ziraldo. Na fila, fiquei conversando com o pai de uma menina. Eu disse que era escritor e o convenci a comprar um Grosseria Refinada. Caralho! Pelo menos vendi um livro na Bienal. Eram 17 horas, quando consegui mais um autógrafo e mais fotos com o Ziraldo.

A fila para os autógrafos do Maurício de Souza que já estava grande e muitas pessoas reclamavam por não terem a senha. Começa um rebuliço perto do estande, é o criador da Turma da Mônica chegando. Cercado de seguranças, ele parecia um rock star. Crianças e mamães gritando e fotografando. Logo a fila começou a andar. Na minha vez, ele autografou uma revista para mim e outra pra Karla e tiramos fotos. Fui entrevistado por uma TV institucional. Disse que era uma honra poder reverenciar aquele que é um dos mais importantes ícones dos quadrinhos nacionais.

Segunda-feira é o meu day off. Durmo até tarde, vejo pela TV o Brasil se fuder nas olimpíadas. Depois passeio pelas lojas da Rua Augusta e da Oscar Freire e almoço no Vegacy, um ótimo restaurante de comida vegana. À noite vou até a livraria HQMIX e fico umas 3 horas conversando com o Gualberto Costa.

Na Terça-feira, chego às 15h pro meu último dia de Bienal. Vejo o menor e o maior livro do mundo. Pego um lugar no pequeno auditório do SESC-SP onde Lourenço Mutarelli fará uma palestra sobre seu novo livro. Ele estava de bom humor, e acabou falando mais sobre quadrinhos e cinema do que de literatura. Toda essa conversa foi filmada para o programa “Sempre um Papo”. Como eu fiz uma das perguntas, possivelmente aparecerei na TV em breve. No final, teve uma rápida sessão de autógrafos. Dou um Grosseria Refinada para ele. Conversamos rapidamente, Mutatrelli diz que se lembrava de mim, também essa é a quarta vez que eu o perturbo.

Por sorte, consegui mais um autógrafo do Maurício de Souza, que chegou ao estande da Panini sozinho e sem alarde. Também trombo o Tor, vocalista do Zumbis do Espaço e pouco antes de ir embora, tenho um rápido encontro com Jô Oliveira, grande ilustrador e quadrinista radicado em Brasília.

Posso concluir que valeu a experiência. Apesar de ser muito bem organizada e bem estruturada, a impressão que ficou é que a Bienal é um evento careta e conservador. Feito por velhos e para os velhos. Como ponto positivo, destaco os espaços e atividades para as crianças que vinham nas caravanas das escolas. De ponto negativo, senti a falta de juventude, de música e de alegria. Um grande supermercado desanimado. Se pretendo voltar? Em 2010 eu respondo.

Na entrada da Bienal do Livro 2008

Evandro e Lourenço Mutarelli

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* Evandro Vieira é escritor e músico, autor de Esfolando os Ouvidos (sobre o rock em Brasília) e de Grosseria Refinada (contos) e vocalista da banda Quebraqueixo.

20° troféu HQMIX, eu estava lá!

Por Evandro Vieira*

Nada como passar uns dias em São Paulo me entupindo de HQs nacionais. Na tarde do dia 23 de Julho eu e minha namorada Karla fomos pro SESC Pompéia, local da entrega do 20° edição do Troféu HQMIX de 2008. Chegamos com uma hora de antecedência para retiramos os convites. Aproveitamos para visitar a exposição HQ Férias, onde 20 painéis ilustrados contavam, de forma resumida, mas bastante didática, a trajetória das histórias em quadrinhos no Brasil.

Entramos no teatro às 19 horas e num telão instalado em cima do palco, vimos alguns curtas-metragens e o trailer da animação do “Los 3 Amigos”, baseado na HQ homônima criada por Angeli, Laerte e Glauco. Na seqüência entra Serginho Groismann, o apresentador da entrega do Troféu desde a sua primeira edição, em 1988. Numa mesa no canto do palco estavam os troféus dourados do Samurai, inspirados no personagem do veterano quadrinista Cláudio Seto. Aliás, o evento pegou carona no centenário de imigração japonesa e homenageou mestres de origem nipônica que foram os pioneiros do mangá no Brasil. Teve também a cerimônia da quebra do barril de saquê e show com tambores japoneses.

Depois de discursos emocionados da dupla Jal e Gualberto Costa, os criadores do HQMIX, começaram a entrega dos prêmios aos vencedores. Uns faziam discursos rápidos, outros longos. Lamentei que a revista Bongolê-Bongorô #2 não tenha levado o prêmio este ano, assim teríamos uns doidos de Brasília pra perturbar o evento. Vi de longe, mas vi o lendário Maurício de Souza. Um dos homenageados foi o desenhista Ivan Reis, ele foi meu professor dias antes no curso de férias da Academia Quanta de Artes. O cara é fera, atualmente desenha o Lanterna Verde pra DC Comics.

Ainda foi exibido no telão, o premiado curta metragem em stop motion “Dossiê Rê Bordosa”. O filme é todo animado com bonecos dos personagens criados pelo cartunista Angeli. Ele próprio participa do filme dando depoimentos hilários que tentam desvendar os motivos pelos quais ele teria assassinado a cachaceira Rê Bordosa.

Perto de onde eu estava sentado, localizei os desenhistas Spacca e Fernando Gonsales, ambos premiados na noite. Na cara de pau, fui lá, pedi e ganhei autógrafos. Nos intervalos, rolaram esquetes do grupo teatral Parlapatões e a apresentação da banda Jumbo Elektro.

Duas horas depois, eu e a Karla fomos dar uma volta e descobrimos o fumódromo onde grandes estrelas dos quadrinhos nacionais estavam bronzeando seus pulmões com nicotina. Como eu sabia que iria encontrar com meus ídolos Angeli e Laerte, trouxe de Brasília 4 pocket books (2 pra mim, 2 pra Karla) para eles autografarem. Na primeira oportunidade, abordei o Angeli, me apresentei, pedi que autografassem os 2 livros de bolso da Rê Bordosa, dei meu livro Grosseria Refinada pra ele e ainda tiramos fotos. Ele foi muito simpático e atencioso. Quando fui procurar o Laerte, ele havia sumido.

Já era quase meia-noite e pra não perdermos o metrô, fomos embora com o pessoal amigo da revista coletiva Subversos. Dentro do SESC Pompéia, os últimos Samurais eram entregues e com certeza ia rolar um rega-bofe pras estrelas da noite.

No dia seguinte, eu e Karla fomos pra livraria HQMIX, onde Allan Sieber, André Dahmer e Joss estavam fazendo uma noite de autógrafos. Os três foram premiados na noite anterior. Antes passamos num teatro que fica ao lado da loja. Lá estava sendo encenada a peça “A Noite dos Palhaços Mudos”, baseada na HQ do Laerte. A sessão normal estava esgotada e a sessão extra também. Pegamos senhas e torcemos para assistir a peça nem que fosse de pé.

Voltamos pra livraria HQMIX, na vitrine da loja estavam expostos os troféus das edições anteriores. No meio de um monte gente, encontrei o Laerte de bobeira. Peguei os pockets books que eu havia levado já prevendo esse encontro e pedi que ele autografasse. Ele não fez uma cara muito boa como eu esperava, mas mesmo assim, ele assinou.

Eu e Karla esperamos o fim da primeira sessão do teatro e conseguimos ingressos para a segunda sessão. Pra completar nossa sorte, sentamos juntos nas duas últimas cadeiras disponíveis da platéia. Umas quinze pessoas se contentaram em sentar na dura e suja escada. Os atores da Cia. La Mínima são excelentes e peça foi ótima, com destaque para a luz e música que deram todo o clima pro espetáculo.

Na sexta-feira, voltamos pra Brasília, empanturrados de tantas histórias em quadrinhos.

Evandro e Angeli no 20º HQMIX

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* Evandro Vieira é escritor e músico, autor de Esfolando os Ouvidos (sobre o rock em Brasília) e de Grosseria Refinada (contos) e vocalista da banda Quebraqueixo.