O Facada e suas publicações de domínio público

por Roberta AR

O Facada X foi criado para ser um espaço de livre difusão, quando a internet se tornou um lugar de trocas de fácil acesso. Um dos ideais é o do conteúdo de qualidade sem custo, por isso é um zine eletrônico com licença Creative Commons. Em certo momento, decidimos começar a publicar filmes, livros, fotos, reproduções de pinturas e outras coisas que caíram em domínio público. Nosso acervo é muito extenso, textos políticos, filmes do expressionismo alemão, romances de escritoras brasileiras são algumas das coisas que colocamos no ar.

Neste espírito da troca e da divulgação, reproduzimos conteúdos de vários lugares, um deles é a página que divulga mulheres pintoras já falecidas (nem tudo de domínio público) Female artists in history, reproduzimos alguns de seus posts por aqui e neste link fizemos uma pequena entrevista com sua criadora e contamos um pouco a história desse espaço.

Como o acesso público a conteúdos tem sido uma bandeira nossa, fizemos também um episódio do nosso podcast de vida curta sobre isso: Facada Cast 004 – Tá dominado! Tá tudo dominado! Falaremos sobre nosso podcast e nosso videocast em outro post.

Aqui, listamos o que temos de domínio público no ar, por nome do autor:

Abigail de Andrade

Adelaide Schloenbach Blumenschein

Adelina Lopes Vieira

AF Schmidt

Alberto Caeiro

Albertus Seba

Aleister Crowley

Alexis de Tocqueville

Alfred Le Petit

Alfrida Baadsgaard

Alida Withoos

Alphonsus de Guimaraens

Álvares de Azevedo

Álvaro de Campos

Andreas Vesalius

Andrei Rublev

Angelo Agostini

Anita Clara Rée

Anna Althea Hills

Anna Ancher

Anna Atkins

Anna Diriks

Anna Maria van Schurman

Anne Allen

Anne Vallayer-Coster

Anthonore Christensen

Antoine Saint-Exupery

Antoine Watteau

Anton Tchekhov

Artemisia Gentileschi

Artur Azevedo

Artur Rimbaud

Auguste Bouquet

Auta de Souza

Barbara Longhi

Bartolomeo Scappi

Beatrix Potter

Benedikt Lergetporer

Bernardo Guimarães

Bernardo Soares

Bertha Worms

Betty Boop

Bocage

Broncia Koller-Pinell

Camille Claudel

Caravaggio

Carl Friedrich Mylius

Carl Wilhelm Hahn

Carmen Dolores

Castro Alves

Cecil Hepworth

Charles Baudelaire

Charles Chaplin

Charles Deburau

Chiquinha Gonzaga

Cimabue

Clara Peeters

Clara Zetkin

Clarissa Peters Russell

Coleção Brito Alves

Coleção Thereza Christina Maria

Dante Alighieri

Délia

Delminda Silveira

Eça de Queirós

Edgar Allan Poe

Edvard Munch

Elisabeth Keyser

Élisabeth Sophie Chéron

Eloise Harriet Stannard

Emília Moncorvo Bandeira de Melo

Emma Goldman

Ernst Moerman

Éros Academie

Errico Malatesta

F. W. Murnau

Fernando Pessoa

Fiódor Dostoiévski

Fleischer & Famous

Florbela Espanca

Francisca Júlia da Silva

Francisco Goya

Francis Masson

François Chauveau

Frank R. Strayer

Franz Kafka

Fratelli Alinari

Friederich Engels

Friedrich Nietzsche

G. Bodenehr

G. Gaillard

Gabriela Frederica de Andrada Dias Mesquita

Gautier D’Agoty 

Gaslight (filme de 1940)

Gebroeders van Limburg

Georg Lukács

George Ripley

Georges Méliès

Gerda Wegener

Gertrude Käsebier

Gertrude Stein

Giacomo Franco

Giuseppe Arcimboldo

Gregório de Matos

Grupo Krisis

Guilherme Gaensly

Guilliame Sicard

Gustav Klimt

Hale Asaf

Hans Staden

Harriet Brims

Helen Allingham

Henriëtte Ronner-Knip

Henry Charles Andrews

Herman Goethe

Hieronymus Bosch

Hilma af Klint

Hipólito José da Costa

Hiroshige

Humberto Mauro

Ida Gisiko-Spärck

Ike no Taiga

Imogen Cunningham

Imperador Huizong

Irmãos Lumière

Isadore Sparber

James Joyce

Jean Baptiste Debret

Jean-Jacques Rousseau

Jeanne Hébuterne

JF Hennig

JF Naumann

Johan F. L. Dreier

Johann Friedrich Wilhelm Herbst

John Gould

John Tenniel

Juan Eusebio Nieremberg

Juana Romani

Judith Leyster

Jules-Adolphe Chauvet

Júlia da Costa

Júlia Lopes de Almeida

Julia Margaret Cameron

Julie de Graag

Karl Marx

Kate Greenaway

Käthe Kollwitz

L. Schmidt

Ladislas Starevich

Laura Muntz Lyall

Lavinia Fontana

Leni Riefenstahl

Leon Dabo

Léon Spilliaert

Lewis Carroll

Lima Barreto

Little Tich

Louis Agassiz Fuertes

Louise Michel

Lucie Cousturier

Luigi Fabbri

Machado de Assis

Magdalena van de Passe

Marc Ferrez

Margaret Bourke-White

Margaret Macdonald Mackintosh

Maria Firmina dos Reis

Maria Lacerda de Moura

Maria Sibylla Merian

Marianne North

Marianne von Werefkin

Mário de Andrade

Mário Peixoto

Matias Aires

Matilde Malenchini

Merrie Melodies

Mia Arnesby Brown

Mikalojus Čiurlionis

Mikhail Bakunin

Napoleon Sarony

Narcisa Amália

Nicolau Maquiavel

Nísia Floresta

Olga Boznańska

Oscar Wilde

Otis Turner

Pat Sullivan

Paul Gauguin

Paul Klee

Paul Legrand

Paula Modersohn-Becker

Percy Stow

Philipp Baum

Pierre-Joseph Proudhon

Pieter Bruegel

Pieter Cramer

Piotr  Kropotkin

Plautilla Nelli

Pseudo-Callisthenes

Ramón de la Sagra

Raphael Tuck & Sons

Ricardo Reis

Robert Louis Stevenson

Robert Wiene

Sacher-Masoch

Séraphine Louis

Serguei Eisenstein

Shunkōsai Hokushū

Sofonisba Anguissola

Stephen Thompson

Suor Isabella Piccini

Teresa Margarida da Silva e Orta

Thomas Edison

Toulouse Lautrec

Toni Gürke

Utagawa Kuniyoshi

Utagawa Toyokuni

Van Beuren Studios

Van Gogh

Vera Willoughby 

Visconde de Taunay

Vittotio Putti

Vladimir Maiakovski

Voltairine de Cleyre

Walter Benjamin

William Blake

William Cheselden

Winsor McCay

O estorvo

por Visconde de Taunay*

Muito, mas muito, contente sempre de si e comsigo mesmo o Amaro Esteves, sobretudo agora que ganhára, por bamburrio, não pouco dinheiro no encilhamento. Por cima, o premio integral de cem contos de reis na loteria da Bahia.

Sim senhor, graças aos inesperados e meigos sorrisos da sorte, se tornára, nada mais, nada menos, um capitalista importante.

E rapaz ainda, bonitasso, na casa dos 35, atirado ás mulheres, gostando de roupagens claras, gravatas vermelhas com alfinetes de grande brilhante, pilherico, mettido a contar anecdotas engraçadas, picarescas.

A massada era a Nicóta, a mulher, tão franzina, desengonçada, chôchinha, sem carnes, sempre retrahida, muito acaipirada, cousa demais. Tambem fôra aquelle casamento uma bobagem, estopada de marca maior.

Mocinho, numa festa de roça, tolamente se embeiçára por ella, então rapariga sem graça nenhuma, e, quando déra accordo de si, záz , traz, nó cégo , estava casado, amarrado para todo o sempre pelo conjungo de um vigario de aldêa. Que espiga!

Não era, de certo, másinha a Nicóta, muito accommodada, calada, no fundo nulla, absolutamente nulla. Della não vinha nem bem, nem mal ao mundo. Incapaz de matar uma mosca. Servira nos tempos de penuria e miseria, quando vegetára nuns empregos réles, de cacaracá ; mas agora que pretendia fazer figura na sociedade, freqüentar theatros, concertos e bailes, receber e dar jantares, como se avir com semelhante pamonha?

Nada lhe assentava no corpo mal ajorcado, sem ondulações nem quadris. Não havia chapéo que lhe quadrasse, e por mais jóias que puzesse ficava até pior.

Mettia-lhe devéras vergonha, ella ao seu braço pela rua do Ouvidor afóra.

Não sabia nem sequer aproveitar o cabello que tinha comprido e abundante. Penteava-o á china, puxando-o todo para traz e deixando a testa de bater roupa, com uma cara muito feia, rechupada, faces encovadas, olhos empapuçados, beiços escados em ponta, como bico de chocolateira.

Por mais que lhe dissesse: “arranje-se melhor, Nicóta; veja fulana, veja sicrana”, não adiantava um passo, nem cousa alguma conseguia.

Tinha por vezes vontade de lhe empurrar a mão, dar-lhe pancada e até cabo da pelle, vel-a morta, mettida no caixão e enterrada. Que allivio! Com mil bombas, aquillo não era mulher para elle!

Ah! fosse casado com alguma desempenada, que vida, que figurão! Alguem que o comprehendesse e estivesse na altura da posição conquistada, elle que pretendia agora abrir os seus salões, mandar até comprar um titulo em Portugal.

Vejão, porém, só a Nicóta baroneza ou viscondessa; ninguem a tomaria a sério, ninguem; um varapáo de saias, sem expressão, sem vida, nem peixe, nem carne. E a abrir a bocca, era logo um xurrilho de asneiras ” muié, havéra, promóde, teia, panhou, rancou “. Mal sabia lêr e escrever.

Aquillo nunca se havia de desemburrar, excusado!

Só prestava para pregar botões ás camisas e ceroulas e coser na machina, assim mesmo tão vagarosa, desconsolada sempre, á mercê do marido, numa pasmaceira enorme, desfibrada, atonica, inerte, attenta só á limpeza da casa, que trazia como um brinco.

Que massada, que peso, a tal Nicóta! Se ella pudesse esticar a cannela, morrer de uma boa vez!… Não faria nada por isso, porque afinal não era nenhum criminoso, desalmado e assassino. Só se a natureza se lembrasse de libertal-o daquella lesma. E devia merecer esse favor, porque estava mil furos acima de semelhante creatura chlorotica, esgrovinhada, incapaz de lhe seguir os passos, sobretudo na vida nova que a fortuna le proporcionára.

Com a bréca, dispôr de centenas de contos e estar de mãos e pés atados, preso a um ente daquelles!

Lá podia pensar em viajar a Europa com Nicóta? Por toda a parte provocaria riso e chasco, bem merecidos, lá isso era verdade.

Nunca tivéra filhos e felizmente. Havião de ser uns apatetados da força da mãe.

E de alguns annos a esta parte de continuo achacada; ora disto, ora daquillo outro, umas dôres vagas, oppressões, faltas de respiração, que a tornavão ainda mais feia, obrigando-a a esturdias caretas.

Falára, um medico em molestia do coração adiantada até. Qual! Já havia disso um bom par de annos, e nada della arrebentar. Mulher doente, mulher para sempre; o dictado tinha toda a razão. Mil raios!

Depois então das historias do encilhamento , parecera melhorar, e muito. Não se queixava, nem mesmo o pouco ou quasi nada do costume.

Se, pelo menos, mostrasse ufania e admiração pelo marido! Nada! Incapaz de qualquer movimento que não tivesse repetido na vespera, antehontem, uma semana, um mez, dez ou quinze annos atraz.

Tambem elle a soccava sem a menor cerimonia em casa e, em todos os tempos, ia lá fóra pagodear á grande. Agora não se fartava de ceiatas com francezas bem pandegas e de cabello pintado de açafrão. E, no dia seguinte das grossas patuscadas, encontrava sempre a mesma physionomia, fria, impassivel, sem a menor alteração.

Devéras atacava-lhes os nervos.

Ah! se a tal molestia de coração pudesse estar caminhando! Quem sabe? Qual! Ás vezes lhe perguntava com ar de interesse: “Então, Nicóta, aquellas dôres?” “Estou bem mió , respondia ella a arrastar a voz esganiçada e chorosa. Nunca mais tive nada!”

Elle viuvo, que vidão! Tudo se havia de transformar, desligado daquella pesada poita. Montára casa rica, cheia de trastes dourados e numerosas creadagem, alguns até francezes. E não é que a Nicóta se levantava quasi de madrugada, como nos tempos de amanuense da secretaria de policia, em que tinha de ir accender fogo e preparar café?

Que estupida, afinal!

E não ter animo de largal-a de vez n’algum pasto de Minas ou Goyaz! Não se tinha em conta de nenhum barbaro, sem piedade ou canalha refinado. E que dirão depois?

Só mesmo a morte. Nem podia tardar; tinha ella vivido quanto bastava. Estavão casados, já uns 16 annos. Na tal festa da roça (maldita festa, sua desgraça) contava 20 feitos. Ora, 20 com 16, são 36; a sua idade, delle, vejão só. Que loucura, que asneira aquelle casamento! Nem um vintem de dóte, nem olhos, nem cintura, nada, nada, um páo secco!

E isso era a mulher de um capitalista!

Por esse tempo soffreu Amaro Esteves um desgosto não pequeno; a noticia da morte, em Caxambú, do Pantaleão, seu bom amigo de pagodeiras. O homem, sem saber, padecia do coração; foi ás aguas, abusou dellas e bumba! botou-se de repente para o outro mundo!

Ora, o Pantaleão, tão bello, moço, alegre e divertido, morrer assim aos 32 annos, quando tinha tanto que gozar nesta vida!

Mas que perigo as taes aguas! Qualquer cousa nos pulmões ou coração e toca a fugir.

Nada de facilitar. Custa, ás vezes, tão pouco revirar de uma feita os olhos!

Por esse tempo, começára tambem o nosso Amaro o namoro com a baroneza da Silva Velho, no lyrico; uma viuva quasi quarentona, toda faceira, um peixão em todo o caso.

Chegarão as cousas a dar na vista de todos. “Ah, Snr. manganão, lhe dissera o Santos Alves, o corretor, lembre-se de que é casado. “Diabo, Ter de lembrar-se logo disso!

Um pobre coitado, um pé rapado poucos annos antes, mettido agora em derriço, escandaloso com uma senhora do high-life , uma titular! Tivesse a sua liberdade e jogavase a seus pés, pedindo-lhe humildemente a mão de esposa.

Mas o inferno de Nicóta! Que trambôlho…

Não, aquillo, não podia continuar assim, indefinidamente, até o demo dar com o basta!

E a idéa de Caxambú não o deixava um instante, não lhe sahia mais da cabeça, á toda a hora do dia e da noute, principalmente á noute, lá pela madrugada, durante longas insomnias.

Foi afinal consultar o D r. Maria Meirelles, um medico formado de fresco, seu visinho, muito mocinho; indagou se uma estação de Caxambú não conviria á mulher. Mostrava pouco appetite, suppunha-a doente do estomago e figado. Caxambú? Optimo, excellente!

Não podia haver cousa melhor.

Ahi, meio conturbado, falou em pontadas do coração, receios de estar esse orgão affectado.

Então convinha examinar, auscultar. Mas não, coração que dóe é como cão que ladra.

Ligavão-se os incommodos uns aos outros, e Caxambú daria conta de tudo. Pagou generosamente e sahio da consulta todo alegre, exultante quasi. Estava salva a sua responsabilidade. Cobria-o a autoridade daquelle profissional, que tinha obrigação de saber o seu officio. Quanto a elle, nada occultára; fôra até bem claro, puzéra os pontos nos ii. Podia lavar as mãos pelo que désse e viesse.

Chegou a se ter em conta de marido exemplar.Afinal, buscava solicito a saude da mulher, sua companheira de tantos annos. Com certeza, Caxambú lhe faria um bem enorme.

E a pensar em tudo isso, na mais singular amalgama, em que via combionada a vantagem de ambos, divisava futuro todo côr de rosa.

Aliás, com a bréca, ainda quando a opinião do Dr. Meirelles não o desculpasse bastante aos proprios olhos, absolvião-no plenamente as theorias modernas. Tinha o direito, como homem de resolução, de quebrar com coragem os obstaculos que lhe impedião os passos.

Parafusou, parafusou e, afinal, partiu com a mulher para Caxambú.

E não é que as aguas começáram a fazer sensivel beneficio á Nicóta? Chegou até a engordar, facto que nunca lhe succedêra. Bom, a elle, é que as cousa sahião ás avessas.

Viéra para um fim e o contrario é que se dava. Forte caipora!

E nos seus intimos frenesins sentia impetos de esganar a mulher, ao vel-a dormir com os beiços cada vez mais bico de chocolateira. Que cara, que pelle amarellada e por cima ainda cheia de sardas! Mettia nôjo.

Não havia remedio; era resignar-se. Tinha que carregar aquella cruz até ao ultimo dia da vida, seu destino.

Certo dia, porém, á mesa do jantar, Nicóta ergueu-se de repente, levou a mão ao peito, soltou um grito abafado de angustia e tombou no chão, redondamente morta.

Causou o caso no hotel immenso alarma, correrias, quedas, desmaios, um horror!

Desfez-se elle num pranto sem fim, consolado pelos amigos de occasião. “Tivesse paciencia, a sorte de todos, D. Nicóta fôra feliz até na mórte.” “Com effeito, mas era tão bôa, companheira de tantos annos, assim de repente, aggravante á sua dôr.” E mais isto e mais aquillo.

E, não cessou de chorar e lamentar-se, ora mui leal e convencidamente, ora por simples comedia, até á volta do cemiterio de Baependy, pois nesse tempo Caxambú não possuia ainda terreno para enterrar os seus mortos, ou hospedes, ou moradores do lugar.

Essa volta de Baependy!… A tarde estava tão linda e serena, o céo tão puro e risonho, a paizagem toda tão grata, illuminada pelos ultimos raios do poente em fogo!

Amaro Esteves sentio-se outro, o peito desafogado e dos labios entreabertos deixou escapar expressivo e mysterioso Emfim !

E sorrio-se ao recordar-se da baroneza da Silva Velho. Fal-a-ia viscondessa, não havia duvida.

Recolheu-se, ao chegar, a um aposento qualquer, deitou-se cedo e dormio largo e tranquillo somno.

De madrugada acordou assombrado, tiritando de horror.

Clamor immenso, sem nome, indizivel, enchia aquelle quartinho de hotel; mil clarins de Jericó, trompas infernaes, repercussões medonhas, écos terrificos, tudo dominado por uma vóz pungente, um uivo de suprema agonia a bradar: Assassino! Assassino! Assassino !

Gelido suor inundou-lhe o corpo todo e os cabellos se lhe erriçárão no alto da cabeça…

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*Alfredo Maria Adriano d’Escragnolle Taunay, primeiro e único visconde de Taunay, (1843 -1899) foi um nobre, escritor, músico, artista plástico, professor, engenheiro militar, político, historiador e sociólogo brasileiro.